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Olá, pensadores!
O mais recente resultado do exame da OAB causou rebuliço entre professores, gestores de universidades públicas e, sobretudo, diretores e proprietários de escolas particulares de Direito do Brasil. A rotina de sempre, o avassalador índice de reprovação, foi ainda mais acentuada. Conclusão primeira e óbvia: os bacharéis em direitos não estão prontos para a advocacia, com destaque para os oriundos de unidades privadas de ensino superior.
Alguns membros da OAB e professores, a meu sentir, de forma inábil, imputaram o péssimo resultado do exame, no que tange aos alunos de faculdades particulares, à péssima qualidade dos cursos autorizados pelo Ministério da Educação. Não descarto totalmente a imputação e concordo que, de fato, há uma banalização das escolas de Direito, de sorte que qualquer escola primária, querendo, abre um curso superior jurídico, com péssimas estruturas de docente, de biblioteca e laboratórios práticos. E, ao final de dez períodos, entrega a sociedade uma turma inteira de novos bacharéis.
Contudo, estou certo que, muito mais determinante, para o péssimo resultado das instituições particulares no exame da OAB, que as eventuais deficiências estruturais ou no corpo docente (deficiências, frise-se, que não existem em todas as faculdades particulares), é o perfil do aluno que engrossa e superpovoa as faculdades privadas.
Falando de forma genérica e ressalvando as exceções, enquanto, nas escolas públicas, ingressa o aluno que precisou superar uma quantidade escandalosa de candidatos concorrentes às limitadas vagas, nas particulares, estão aqueles que, simplesmente, podem pagar pelo curso.
Via de regra, se, nas escolas públicas, estão os alunos mais preparados ou mais esforçados, nas escolas particulares estão aqueles que, não tão preparados ou não tão dedicados quanto os selecionados na escola pública, sabem que tais deficiências podem ser superadas pelo pagamento do boleto bancário. Ainda tem isso: o aluno da escola pública não paga. Isso implica dizer que a instituição não depende da sua aprovação para que ele permaneça na faculdade, gerando lucro.
A culpa não pode ser imputada, cegamente, às faculdades particulares. Digo isso porque, por exemplo, em Maceió, uma parcela considerável de professores que leciona na Universidade Federal ensina em particulares. Algumas dessas escolas privadas têm estruturas semelhantes à UFAL, com base na última avaliação do MEC, divulgada em janeiro desse ano. Ou seja, em estrutura, pelo menos em Alagoas, algumas se equivalem. Então como justificar a discrepância no resultado da Ordem? Para mim, a resposta é simples: é o perfil do alunado.
Eu estou no terceiro curso superior, primeiro em escola particular. Sinceramente, não tenho do que me queixar do curso, dos professores, nem da estrutura da escola. Mas confesso que, às vezes, não me sinto num ambiente acadêmico. Vejo muitos dos meus companheiros ainda sem entender o que estão fazendo na sala de aula. Talvez muitos terminem o curso e não atinjam tal compreensão, por uma razão óbvia: eles querem apenas o canudo simbólico e, simplesmente, estão pagando por ele.
A instituição de ensino particular peca porque precisa da fidelidade do aluno, coisa que não ocorre na pública. A faculdade privada sabe que reprovação significa evasão. E evasão, fechamento das portas. A despeito de oferecer a mesma ou, talvez, melhor estrutura que a escola pública, a escola particular dificilmente terá um desempenho semelhante, em exames como os da OAB, porque o perfil de seus alunos é absolutamente diferente. Na particular ou na pública, apenas os que realmente querem, preparam-se para a profissão. A diferença é que o percentual dos que querem, na pública, pelos motivos aqui já ditos, é consideravelmente maior.
Portanto, precisamos ser ponderados. Há instituições boas e instituições ruins, independentemente de serem públicas ou particulares. Mas, principalmente, há alunos comprometidos e há alunos relapsos. Existem aqueles que envidam esforço para alcançar metas traçadas e há aqueles que, simplesmente, estão “de carona” na vida. Por isso, no caso do curso de Direito, que forma profissionais para lidar com bens alheios (a vida, a liberdade, a saúde, a família e o patrimônio), é missão do exame da OAB, avaliação indispensável, não permitir que a sociedade esteja à mercê, indistintamente, destas duas inconfundíveis classes de bacharéis.
Estou no twitter: @sjteles
VC TEM Q DEFENDER O SEU PEIXE... AFINAL VC ESTUDA EM UMA PARTICULAR. VC É EXCEÇÃO, SILVIO. E SABE MUITO BEM DISSO. ESSAS FACULDADES PARTICULARES SÃO VERDADEIROS MERCADOS NEGROS DE COMPRA DE DIPLOMAS. O CURSO DE DIREITO ESTÁ BANALIZADO, QUALQUER CANINO FAZ. VAMOS VER DEPOIS...
Perfeito seu texto.
Precisamos também falar sobre o nível de prova.
Será se que exige só o mínimo, como afirma a OAB?
Belo tema para um próximo post.
O caso é grave. Ainda assim não acho que é todo mundo que pode falar sobre o exame da ordem, mormente quando tem uma visão rasteira da realidade. Ora, o vestibular que vc fez para a mesma instituição pública de ensino superior que eu, mediu teu conhecimento? Espero que não!Suas palavras não negam.
...falta de compromisso de alguns colegas,professores> Mas a culpa condena, e nós temos a tendência de reacionalizar e para não assumirmos aculpa(nós professores) preferimos lançar a responsabilidade p as faculdades>Se há desinteresse dos alunos nós professores temos culpa tb. Temos boas faculdades
Amigo, concordo com vc plenamente. E vou além, têm faculdades particulares que possuem estruturas até melhores que a Federal. Tenho o mesmo orgulho de ensinar na UFAL quanto no CESMAC. MAs a verdade doi, e é precso que se diga, alémdo desinteresse do aluno, há mais um fator, falta de compromisso de
Ademais, penso sempre numa perspectiva existencialista... de que o ser humano aprendendo a ler, é capaz de ser o mentor de seu sucesso... independetemente de outrem (professores). A questão é cultural. Há "alunos" que apenas apreendem informações de seus mestres e não são capazes de discutir.
Todos tem razão em suas proposições. Mas, quero ressaltar que se vive uma grande dicotomia no mundo acadêmico. Principalmente o mundo jurídico. Atualmente, prega-se o estudo do Direito como veículo de conquista do concurso público...preconiza-se o "saber da prova objetiva" e não o saber jurídico.
Amiga ferreira,
Falo como quem vive de perto a situação. como quem vê meia dúzia de alunos interessados serem aprovados na OAB e vê 88% não aprovados serem formados da mesma forma dos aprovados. Você não deve conhecer a realidade do alunado... Por isso deturpa a lição de Paulo Freire. Abraço!
O que diria PAULO FREIRE do raciocinio do brogueiro particular ? ''A CULPA É DO ALUNO ??'' A culpa da merda feita pelos alunos das particulares no exame é deles ??? Talvez seja por estudarem lá .
Não é o perfil do aluno que define a qualidade da Faculdade não. As instituições privadas que ensinam Direito em Alagoas são péssimas, Fac$ilima, Ce$mac, $eune etc. O objetivo delas é o lucro. SÓ FALTAVA ESSA: '' A CULPA É DO ALUNO''
Silvio Teles é jornalista, formado pela UFAL; é oficial da PM de Alagoas, graduado pela Academia de PM daquela Corporação; e é especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública, pelo convênio Ministério da Justiça/FAL. Atualmente, estuda Direito. Já escreveu opinião para os mais importantes jornais impressos de Alagoas e contribui, periodicamente, com a editoria de opinião do portal O Globo.