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Postado em 04/07/2011 às 02:14 por Redação em BlogBalaio do Teles

O umbigo do político

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Olá, pensadores!

Recentemente, ouvindo certo palestrante num evento jurídico, iniciei uma reflexão que, recorrentemente, vem à minha mente e diz respeito ao nosso sistema político. Dizia o emérito conferencista, citando Hans Kelsen, grande jurista positivista do século XIX, que “uma lei não há que ser avaliada justa ou injusta por seu conteúdo. A idéia de justo ou injusto deve ser feita tendo como referência o órgão que editou a norma”.

O palestrante disse que, de acordo com Kelsen, “se uma lei é fruto de um parlamento eleito pelo povo, essa lei é, em si, justa”. Porque, por óbvio, “ninguém é injusto consigo mesmo”, disse ele. Deu pra entender? Ele quis dizer que se o povo elege quem faz as leis, estas serão sempre justas, pois é a vontade do povo refletida naqueles que o representam. Em teoria, faz todo sentido!

Antes de encerrar sua explanação, o conferencista fez questão de dizer que esse não era o seu pensamento e que o próprio Kelsen, antes de encerrar sua obra, revisitou-a e ficou a se contender quanto a este ponto. Todavia, o que importa é que a provocação do palestrante me levou, como disse no início, a uma reflexão: agora não mais sobre o saber jurídico mas, sim, sobre o político... Sobre a base da democracia representativa.

De fato, elegemos o parlamento (municipal, estadual e federal) para que este, como nossos legítimos representantes, editem as leis que nos regerão. A teoria é perfeita. Um deputado, por exemplo, falando por todos os seus eleitores, dirá qual é a vontade deles, expressando-a na lei. Do mesmo modo, no Executivo, escolhemos um representante que, em nome de seus eleitores, administrará os recursos públicos.

É fácil, simples e deveria dar certo... E por que não dá?

O que ocorre é que o sistema representativo, embora continue em vigor, encontra-se totalmente deturpado. Apesar de os elegermos, os políticos não representam seus eleitores. Eles sevem a entidades que, a cada eleição, mudam de face e feição para, a todo e qualquer custo, locupletar-se: os partidos políticos. O desastre não seria tão grande se os partidos tivessem o compromisso com o povo... Mas, não raro, eles servem a seus próprios interesses de manutenção no poder e formação de castas influentes.

Nem estamos em fase eleitoral, mas o zunido é ouvido em todo lugar. É partido X que se coliga aos partidos A, B e C, para fechar um dito “chapão”. É político que deixa partido e funda um novo. É partido novo, que não sabe nem se fica, já tendo dissidências severas. É a diretoria nacional de um que intervém na regional de outro, para dizer quem deve ou não sair candidato. É um arranjado inescrupuloso de nomes e cargos para uma composição que, na verdade, é míope e mesquinha. Cada um e o seu próprio umbigo. E o povo, os ditos representados, alheio a tudo. 

Estou certo, o nosso sistema representativo está falido. O povo não tem mais representante nenhum. Mantida no apertado cabresto da falta de educação política, a grande massa de eleitores atua como coadjuvante que sanciona, sem saber o que faz, a atuação de interesses partidários, esses, sim, representados pelos políticos eleitos. E nós, com a passividade que nos é própria, vivemos das migalhas que caem das mesas onde se acertam e repartem os verdadeiros montantes.

As próximas eleições ainda serão ano que vem mas já vejo inúmeras discussões sobre nomes... Vejo políticos agredirem-se mutuamente, acusarem-se de traição, reclamarem promessas não cumpridas, destruírem o trabalho um do outro, num bate-boca onde o interesse do povo passa por longe. Aliás, vejo o povo, cada vez mais afastado da consciência, repetindo nomes que as campanhas publicitárias e os marqueteiros, desde já, incutem em suas mentes...

O pior é que chego a triste conclusão que, enquanto a atividade política, no Brasil, for vista como uma inesgotável fonte de riqueza, locupletamento fácil e poder e, também, enquanto não houver a previsão de um instrumento hábil que permita ao povo cassar a procuração dada ao representante pífio, a coisa não vai mudar. O nosso sistema representativo continuará sendo esse grande faz de conta, onde, a despeito de ser o elemento principal, o povo - seus anseios e necessidades - nunca figura como pauta principal das discussões sobre os destinos políticos.

10 comentários

  • Williams/SEUNE

    Há 11 meses

    É isso aí nobre colega de faculdade, enquanto o povo, sem generalizar, mas em sua gande maioria, for analfabeto político e viver na subserviência de "favores", onde na verdade deveria ser obrigação. Nada irá mudar! A não ser se o povo se conscientizar que seu poder é pleno, e não de 4 em 4 anos!

  • Felipe

    Há 11 meses

    Semana passa no Chile tivemos uma manifestação do POVO por melhoria na educação q ja é anos luz na nossa frente, onde foi visto na história do Brasil uma minifestação desse tipo, agora basta nosso time perder 3 seguidas q é uma revolução tiram logo o técnico.

  • Felipe

    Há 11 meses

    continuando: é uma total alienação políticas, a grande maioria votaram e votarão novamente principalmente nos taturanas, com os argumentos mais rídiculos q algué possa dar,aqui não nos preocupamos com educação, estamos preocupados com nosso Flamengo, com o ronaldinho q ainda não jogou bem.

  • Felipe

    Há 11 meses

    Caro Teles,nosso amigo "atento" fez algumas observações inressantes,porém como se diz "para q o mal triunfe basta q o bem não faça nada",o brasileiro não tem consiência politica, os q não tiveram acesso a educação e tb os q tiveram.Estou fazendo outro curso superior, e o q observo dos colegas..

  • atento

    Há 11 meses

    Teles, o pq dessa minha utopia? é como vc citou em seu texto, que tudo vem da vontade do povo, e essa, eu tenho certeza, não é apenas a minha vontade, mas a vontade da maioria dos cidadãos de bem e que trabalham muito para levar uma vida digna nesse pais de corruptos.

  • atento

    Há 11 meses

    E essa historia de quinto constitucional para governador e presidente escolher desembergador e ministro, vá pra puta que pariu.O TC tem que ser um orgão autonomo e independente de fato e de direito, assim como o MP, para que a justiça chega na casa do chico e do zé da mesma maneira que chega no rico

  • atento

    Há 11 meses

    Teremos um grama de esperança quando os conselheiros dos tribunais de contas forem preenchidos atraves de concurso publico, quando os desembargadores forem promovidos apenas por antiguidade, quando os ministros do STF e STJ forem compostos por desembargadores federais e estaduais atraves de concurso

  • atento

    Há 11 meses

    ... e os ratos gestores tivessem a certeza da condenação por prisão e perda de bens em caso de denuncia certa do MP? algo hj estaria diferente para melhor. Mas infelizmente,onde não há educação ficar difícil almejar algo de melhor para a enriquecimento da ética,moral e responsabilidade social do pov

  • atento

    Há 11 meses

    Vejamos: A justiça não condenou os sanguessugas, os cabeças do mensalão, não condenou nenhum taturana, nenhum carranqueiro, nenhum prefeito gabiru, nenhum gestor que não tem responsabilidade com a merenda escolar... e muitos outros exemplos. Agora imagine se todos fossem condenados e os ratos...

  • atento

    Há 11 meses

    Em outros tempos au diria que a culpa é do "povo alehio", depois, mais pra frente percebi que o MP tem papel forte no combate a corrupção de um modo geral.Hj vejo que os alheios continuaram alheios, o MP até tenta fazer sua parte mas a justiça, a justiça continua omissa e corrupta como nunca.Vejamos

Balaio do Teles

Silvio Teles é jornalista, formado pela UFAL; é oficial da PM de Alagoas, graduado pela Academia de PM daquela Corporação; e é especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública, pelo convênio Ministério da Justiça/FAL. Atualmente, estuda Direito. Já escreveu opinião para os mais importantes jornais impressos de Alagoas e contribui, periodicamente, com a editoria de opinião do portal O Globo.