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Postado em 15/06/2011 às 09:58 por Redação em BlogBalaio do Teles

Marcha da maconha: debate ou baderna?

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Esse texto foi publicado, também, no portal O Globo:

http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2011/06/15/marcha-da-maconha-debate-ou-baderna-924692133.asp

Olá, pensadore!

Boa parte das minorias sociais e da sociedade civil organizada encontrou nas manifestações públicas um modo de chamar atenção do Governo. “Como nunca na história desse país”, marchas e paradas, que reúnem milhares de pessoas, são usadas como plataformas atrativas do foco discursivo para os anseios desses grupos “não ouvidos”.

A Parada do Orgulho Gay, a Marcha dos Sem Terra, as incontáveis manifestações de servidores públicos, de vítimas da violência ou dos indignados com a corrupção, entre outras, difusas em todo território nacional, são expressões legítimas de parcelas sociais que exigem do Estado uma postura positiva de ação ou, no mínimo, de resposta a seus clamores. Consigo, esses atos públicos trazem a idéia de defesa de um direito posto ou, ao menos, a vontade de tê-lo reconhecido efetivamente.

Entretanto, um movimento intitulado “Coletivo Marcha da Maconha”, criado em 1999, em Nova Iorque, ativo no Brasil, desde 2002, e que já se encontra organizado em, pelo menos, 14 importantes cidades brasileiras (entre elas Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre, Recife, Fortaleza e João Pessoa) tem suscitado polêmicas discussões. O grupo tem tentado, com pouco sucesso, realizar eventos públicos nos quais há apologia à legalização da maconha, argumentando que o debate sobre essa questão não pode se dar às escuras.

Superando o inevitável bate-boca das esquinas, os ideais construídos em defesa da cannabis sativa, como, por exemplo, o do uso recreativo da droga, sustentados pelo grupo, vão de encontro à estrutura cultural e religiosa de grande parte da sociedade e aos argumentos legais de agentes do poder público, suscitando discussões nos plenários legislativos municipais e estaduais e dando fôlego a acirrados debates nos tribunais.

Juridicamente, o atual conflito se dá no choque da previsão da Lei 11.343/2006, que criminaliza o induzimento, a instigação ou o auxílio ao uso indevido de droga, além das correlações com a incitação e apologia ao crime, previstas no Código Penal, e o princípio constitucional da “liberdade de expressão e pensamento”, arguido pelos defensores da marcha. Mormente, a justiça tem proibido a realização da marcha, como em 2008, quando nove cidades, das dez que anunciaram o evento, tiveram que cancelá-lo. Em 2009, 2010 e também esse ano, inúmeras medidas liminares foram conseguidas, impedindo a realização do evento.

Agora, o STF decidirá se a realização de tal marcha é, ou não, legal. Em uma ação movida pela Procuradoria Geral da República, ao lado da Associação Brasileira de Estudos Sociais do Uso de Psicoativos (Abesup), os ministros terão a oportunidade de dizer se o movimento incorre em prática criminosa ou se é apenas o exercício regular de um direito.

No meu entender, para decidir de forma acertada, o STF não pode pensar no movimento teoricamente. Ele deve conhecer o que, de fato, é realizado em cada marcha, como se comportam os seus membros e se o foco do movimento é a discussão racional sobre a legalização do uso da droga ou se se trata de reunião onde há predominância de outros fins, à margem da lei.

Não se trata, sinceramente, de tolher a liberdade de expressão e pensamento, mas de não permitir seu uso como pretexto para a prática de crimes. Marchar pelo reconhecimento da união homossexual pode parecer afronta moral, aos olhos conservadores, mas não é ofensa jurídica. Muito menos, clamar pacificamente pela reforma agrária ou pela “limpeza” nas assembléias legislativas. Pleitear a legalização da maconha também não.

Mas, o que se tem visto na “Marcha da Maconha” não é isso: o ato público mais se assemelha a uma reunião de usuários que aproveitam a “autorização” estatal para exibir e consumir seus “baseados” e incitar outros à prática de comportamentos ilícitos desaconselháveis, a exemplo do ocorrido na Paraíba, em 2008, mesmo com a proibição judicial. Trata-se de conduta criminosa que autoaniquila, por seu caráter ofensivo, qualquer liberdade de expressão e pensamento.

Assim, concordando que o uso científico, medicinal, industrial – e até recreativo – da maconha tem se mostrado viável, como apontam inúmeras pesquisas, acreditamos que essa discussão deve ser conduzida por órgãos sérios, em tudo, dissociados dos atuais fins meramente ilícitos a que muitos destinam a droga. Não se trata de um debate passional e, sim, técnico e legalista.

Sobre a “Marcha da Maconha”, independente da decisão tomada pelos ministros do STF, enquanto não estiver nítido o entendimento da verdadeira bandeira a ser levantada e, principalmente, de como devem agir os participantes desse ato, desejo não vê-la, nem em marcha à ré.

Siga-me no twitter: @sjteles
 

15 comentários

  • 1/2
  • Joilson Gouveia Bel&Cel RR

    Há 11 meses

    Tsc, tsc, tsc, retiro o dito sobre e mardita!;)

  • JGouveia Bel&Cel RR

    Há 11 meses

    "Até TU, Telles?"
    Poxa! A CENSURA tornou feia como outrora!

  • Joils Gouveia Bel&Cel RR

    Há 11 meses

    Concordo em GNG com o STF, que está a defender o LIVRE DIREITO DE MANISFESTAÇÃO DO PENSAMENTO e ao DIREITO DE IR, ESTAR e VIR (LOCOMOÇÃO) das referidas MARCHAS pela LEGALIZAÇÃO da canabis sativa, marijuana, fuminho de maconha. É certo!
    Mas, não seria melhor um PLEBISCITO ao invés de MARCHAS?

  • batataCebola

    Há 11 meses

    o Brasil deveria seguir alguns países de primeiro mundo no que diz respeito a legalizaçao da maconha, nao somente na legalizaçao da maconha, mas sim, em varios outros pontos. "me diga com quem andas que te direi quem és". A bebida alcoolica causa muito mais transtornos do que maconha!

  • cicero barbosa

    Há 11 meses

    podemos ver de forma diferente, muitos acha que se deve combater o uso da maconha, para mim não passa de baderna, não estamos preparado como sociedade para este passo.

  • blogcidadania.com

    Há 11 meses

    O enigma da maconha, na verdade, é o enigma que cerca os que fazem da hipocrisia, da moral seletiva, dos dogmas irracionais, do preconceito e do autoritarismo um ideal de vida. São aqueles que, por tanto tempo, mantiveram o Brasil em um transe do qual, a cada dia que passa, vai despertando.

  • Eduardo guimaraes

    Há 11 meses

    O enigma da maconha reside em ser considerada mais nociva do que o álcool e sinônimo de degeneração moral apesar de nem ser mais nociva nem a substância dos degenerados, pois álcool destrói o usuário contumaz muito mais do que a droga natural. É um mistério, pois, a razão pela qual conservadores ace

  • antoniomiguelenser

    Há 11 meses

    Vai ser muita doideira meirmão essa marcha da maconha. Drogas tô fora!

  • Felipe

    Há 11 meses

    Me desculpem wse me expressei mal, a minha opinião é totalmente contrária a marcha da maconha, eu dei o exemplo da Holanda pq la é permitido, mas o governo esta querendo voltar a atrás, e la q é desenvolvido, imaginem se liberam essa droga por aqui oq vai acontecer.

  • Realista

    Há 11 meses

    Eu acho melhor marcha da maconha do que passeata gay.
    Se os gay's podem pq os maconheiros não?

  • 1/2

Balaio do Teles

Silvio Teles é jornalista, formado pela UFAL; é oficial da PM de Alagoas, graduado pela Academia de PM daquela Corporação; e é especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública, pelo convênio Ministério da Justiça/FAL. Atualmente, estuda Direito. Já escreveu opinião para os mais importantes jornais impressos de Alagoas e contribui, periodicamente, com a editoria de opinião do portal O Globo.