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Postado em 25/05/2011 às 19:49 por Redação em BlogBalaio do Teles

O infeliz “kit gay” e a educação da sociedade

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Esse texto foi publicado, também, no portal O Globo:

http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2011/05/26/o-infeliz-kit-gay-a-educacao-da-sociedade-924543893.asp

Olá, pensadores!

Há muito tempo, tenho defendido que o direito de igualdade consagrado pelo ordenamento jurídico, pela Constituição Federal, deve sobrepor-se à qualquer preconceito cultural ou religioso. Tais elementos, apesar de integrantes da vida em sociedade, devem ser relativizados quando o assunto é assegurar isonomia entre as pessoas. Nessa seara, acertada a recente decisão do STF que estendeu a homossexuais os mesmos direitos que têm os casais héteros que vivem em união estável.

Quando a questão disser respeito a assegurar tratamento isonômico, igualitário, em face de direitos assegurados, não há o que se titubear: o sistema jurídico deve consagrar a paridade de tratamento para os cidadãos, consideradas as diferenças e as particularidades de cada um, ainda que para isso precise causar inicial choque cultural ou religioso. Para assegurar direitos, cuja a necessidade é para já, para agora, a resposta também deve ser, igualmente, imediata. Não há que se esperar a evolução do pensamento social. Nesses casos excepcionais, o direito é que deve moldar a sociedade.

Porém, no âmbito meramente social, a coisa caminha a passo diferente. A distribuição pelo Ministério da Educação do material didático (vídeos, CDs, cartilhas), intitulado “kit gay”, com o fito de iniciar a educação das crianças sobre as questões envolvendo a homoafetividade, a meu sentir, constitui-se medida precoce e, em vez de surtir o efeito desejado, militaria contra a idéia de tolerância, esteio principal da harmonia social.

Assisti aos vídeos que integram o material didático e fiquei imensamente preocupado. Os vídeos são incisivos até mesmo para quem, há muito, discute essa temática. Num deles, intitulado “probabilidade”, um garoto, do nada, descobre-se bissexual e chega à conclusão que, sendo assim, terá maior “probabilidade” de conhecer alguém legal, que o ame. Longe de educar para o que realmente importa, o vídeo tratou a bissexualidade como um jogo em que se pode ganhar mais. Esse, infelizmente, é o fundamento do vídeo.

Num outro, de título “procurando Bianca”, um garoto, que desde pequeno se vê pertencente ao gênero feminino, inserindo-se no mundo e identificando-se como mulher, cobra que todos o aceitem dessa forma, requerendo ser chamado por pseudônimo e desejando frequentar banheiro de menina, simplesmente, porque se acha no direito. Não há qualquer tentativa de demonstrar as razões do comportamento do jovem.

Por fim, no vídeo chamado “torpedo”, duas meninas, flagradas por fotos em gestos de carinho, decidem assumir na escola, perante todos, seu namoro, sem maiores explicações.

Em nenhum dos vídeos a questão importante, a meu sentir, foi abordada. A grande repulsa da maioria das pessoas que não aceitam a homoafetividade é pensar que ela é uma escolha, uma opção. Entendo que um programa de conscientização da sociedade quanto a esse tema precisa, primeiramente, demonstrar que as pessoas nascem, ou não, homo ou bissexuais. Não se trata de escolha, nem de opção. É mais uma característica do ser, como o é ser negro, ser alto ou ter temperamento tal. Gostar de pessoa do mesmo sexo é uma reação instintiva, somática, de atração física, de desejo sexual, que, de modo algum, pode ser ensinado ou aprendido.

A partir daí, vem o questionamento que, no meu entender, deveria ser a temática central abordada no projeto que vise incitar a sociedade a um debate sério sobre a questão: diante da natureza homoafetiva da pessoa, qual deve ser a nossa atitude? Aprender a conviver com a diferença ou continuar cultivando a cultura da repulsa, da indiferença ou, o que é pior, da violência? A evolução do pensamento social, sobre esse tema, no meu entender, passa por esse ponto. Sobre a questão da violência, meu próximo texto abordará o projeto de lei que vulgarmente tem sido chamado de "Lei da Mordaça".

Voltando ao "kit gay", estou certo, também, que a questão da homoafetividade não deve ser confundida com precocidade de relacionamento. A meu ver, crianças de sete a dez anos não estão prontas para serem instruídas tão incisivamente quanto à sexualidade, seja ela homo ou heterossexual. Se tais questões são complexas para adultos, que dirá para pequenos? É verdade que, desde muito pequenas, as crianças já sentem as primeiras inclinações sexuais... Mas o assunto não pode ser posto a eles de supetão, como pretendia o MEC. Como numa aula de matemática, há primeiro que se ensinar os números, para depois se ensinar as operações matemáticas.

Muitas das ações que se tem visto na mídia, como a elaboração desse péssimo “kit gay” e sua quase prematura distribuição – que foi suspensa pela Presidente Dilma Rousseff por motivos políticos, frise-se – são frutos, no meu entender, de uma facção ativista extremista que, talvez perdida em suas próprias frustrações ou traumas, tem uma espécie de sede de vingança e, em vez de estar contribuindo para o processo de educação social, está tornando-o cada vez mais distante.

23 comentários

  • 1/3
  • genival

    Há 12 meses

    A amplitude para uma parte de sociedade desviada já foi dada, a anistia para alguns delitos (crimes) dona Dilma foi rápida em conceder, já está a marcha pela maconha, depois o zoofilista ou bestialidade e por aí vai, afinal todos têm o direito garantido na constituição. MEC ensine que certo é errado

  • indignado

    Há 12 meses

    O homosexualismo só não é reconhecido como doença por que esses enfermos são um mercado consumidor que mais cresce no mundo.

  • indignado

    Há 12 meses

    Teles, suas palavras são as palavras de muitos que não querem ver os filhos serem influenciados que ídeias distocidas. Na minha opnião o homosexualismo é uma doença, um dos males de uma sociedade que deixou de lado todos os conceitos de uma formação para vida e passou a se basear no momento.

  • Marcos Rocha

    Há 12 meses

    E quando adultos nos percebemos reproduzindo falas e ações não muito racionais, na presença de novos "guris", perpetuando assim um "ciclo de desrespeito", não só com os homoafetivos, mas com as mulheres, negros, etc. Como proclama uma recente campanha nacional: "ONDE VOCÊ ESCONDE SEU PRECONCEITO?"

  • Marcos Rocha

    Há 12 meses

    Embora "culturalmente" (ou socialmente) façamos todos nós "brincadeiras" com conotação pejorativa diariamente... talvez por "osmose". ó para concluir meu raciocínio: Desde "guris" aprendemos por imitação dos "maiores" a brincar com questões de gênero, cor de pele, sexualidade, etc...

  • Marcos Rocha

    Há 12 meses

    Sinceramente, como heterosexual (ou heteroafetivo) que sou, tenho muita dificuldade em compreender o "universo das idéias" que permeiam o homosexualismo (ou homoafetividade), mas TENTO não ser indelicado com aqueles que sentem-se (ou percebem-se) homoafetivos...

  • Marcos Rocha

    Há 12 meses

    Parabéns Teles, pela escrita clara, e pelo modo que aborda tão complexo tema.

  • Diego Barros

    Há 12 meses

    Teles, gostei muito do artigo e concordo com você. Acho que o material, pelo que vi na mídia, não era apropriado para crianças.

  • celha

    Há 12 meses

    Bolsonaro para presidente é só o que desejo.bjs.

  • atento

    Há 12 meses

    Henrrique, essas leis não foram criadas de um dia para outro.A convivencia em sociedade faz surgir e resurgir regras de acordo com a necessidade social.Se assim não fosse, seria DITADURA, será que agora vc entendeu que as leis existem por necessidAde social.

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Balaio do Teles

Silvio Teles é jornalista, formado pela UFAL; é oficial da PM de Alagoas, graduado pela Academia de PM daquela Corporação; e é especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública, pelo convênio Ministério da Justiça/FAL. Atualmente, estuda Direito. Já escreveu opinião para os mais importantes jornais impressos de Alagoas e contribui, periodicamente, com a editoria de opinião do portal O Globo.