O mercado de trabalho para pessoas com deficiência sofre com a alta rotatividade, aponta pesquisa da divisão Page PCD, da consultoria de recursos humanos Michael Page, realizada com 243 pessoas com ensino superior (51%) e médio (21%).

Das que estão há dez anos ou mais no mercado (44%), metade passou por cinco ou mais empresas. A média de dois a quatro anos em cada empresa se repete entre profissionais menos experientes.

Segundo a pesquisa, a principal razão para os entrevistados deixarem o último emprego foi a oferta de oportunidade melhor (46%), seguida pela insatisfação com as atividades (21%) e com o clima organizacional (18%).

Outros resultados são que 82% dos entrevistados estão insatisfeitos com sua situação atual na empresa e que 50% pretendem mudar de empresa e que 31% nunca receberam uma promoção.

Apenas 6% das organizações realizaram alguma atividade relacionada a planos de retenção e de carreira. Uma delas é a SerasaExperian, detentora de certificação de acessibilidade (NBR 9.050, da Associação Brasileira de Normas Técnicas).

O executivo de vendas José Braga, 50, é cadeirante e compõe esse grupo. "A maioria das empresas só está interessada em cumprir a cota e não faz planos de investimento para pessoas com deficiência", afirma, referindo-se à lei 8.213/91, que obriga empresas a manter cotas para pessoas com deficiência em sua folha de pagamento.

Braga diz que, em geral, bancos e escritórios de advocacia oferecem mais oportunidades.

Adaptação


Outra pesquisa, da consultoria Plura, dedicada à inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, mostra que a maioria das dificuldades apontadas são de cunho cultural, como a resistência dos gestores (resposta de 27,7% dos participantes) e a falta de engajamento da liderança (11,1%).

"Às vezes nem os colegas estão preparados para lidar com a situação", complementa Ronaldo Pinto, 35, cadeirante e funcionário da fabricante de sistemas corporativos Totvs.

O "apagão de mão de obra" nesse segmento é obstáculo para 36,1% das respondentes.

Com isso, apenas 4% das empresas cumprem (ou já cumpriram) suas cotas. "Algumas deficiências são preteridas", acrescenta Alex Vicintin, diretor da consultoria. O motivo é a dificuldade ou a falta de interesse da empresa em se adaptar.