A carência de pediatras também já pode ser notada em unidades de saúde de Alagoas, de acordo com o presidente do Sindicato dos médicos, Wellington Galvão. Em 1996, 13,6% dos médicos no Brasil eram pediatras, hoje esse número equivale a 9,8% e um dos principais motivos seria a baixa remuneração para a especialidade e ainda, a jornada de trabalho.

“Já vínhamos alertando para isso no Estado, porque a pediatria não é valorizada, inclusive no Sistema único de Saúde (SUS), que não paga o atendimento como especialidade e sim, como uma consulta de atenção básica. Os convênios pagam pouco e o médico só consegue se manter com uma clínica quando agrega valores como procedimentos cirúrgicos”, contou.

Galvão explicou que o retorno do paciente ao pediatra não é pago se ocorrer no prazo de 30 dias, o que dificultaria ainda mais o trabalho. “Acabam sendo várias consultas, mas os pediatras são tão mal remunerados quanto outras especialidades. A média de preço da consulta é R$ 25,00, embora haja convênios que paguem R$ 54,00. Em Brasília houve uma paralisação e os pediatras passaram a receber R$ 90,00 por atendimento”, lembrou.

No Estado de Sergipe, existem dois hospitais que oferecem residência em pediatria, mas este ano nenhuma vaga foi ocupada. Em um deles, por falta de residentes, o atendimento às crianças já está sendo prejudicado. Segundo Galvão o problema acontece também no Estado, onde há mais vagas do que médicos procurando a residência em pediatria.

“No ano passado só 20% das vagas para residência em pediatria foram preenchidas. Este ano não teve nenhum candidato no Estado. Muitos que já estão nessa área desistem e vão se especializar em outra coisa. A pediatria é extremamente importante, mas precisa ser reconhecida. No começo o estudante se empolga, acha bonito trabalhar com crianças, mas com o tempo muda de opinião”, destacou.

Larissa Gonçalves, que cursa o 6° ano de medicina na Uncisal, explicou que na hora de escolher a área em que quer fazer residência o estudante deve levar em consideração três pontos, destacando que realmente houve uma diminuição no número de pediatras no Estado e que conhece médicos que reclamam de plantões extensos, com baixa remuneração e que pensam em se dedicar a outras especialidades como a neonatologia.

“A pessoa tem que se identificar com a especialidade, pensar na carga horária da profissão, no ritmo de trabalho e na remuneração. Não tenho vontade de fazer pediatria por motivos pessoais, não me identifico muito com essa área. Pretendo fazer clínica médica e escolher uma sub-especialidade”, reforçou.