por Uol Esportes
Sérgio Hernández assumiu a Argentina no início de 2005. A equipe vinha do ouro olímpico em Atenas-2004. Se o material humano era excelente, as expectativas eram altíssimas. E ele conseguiu corresponder, mantendo a seleção entre as quatro melhores do mundo no Mundial-2006 (quarto lugar) e na Olimpíada de Pequim-2008 (bronze).
Agora, desfalcado de duas das maiores estrelas da “geração de ouro” do basquete argentino, Ginóbili e Nocioni, tenta repetir os resultados anteriores no Mundial da Turquia. “Um grandíssimo treinador”, na opinião do antecessor, Rubén Magnano, que dirige o Brasil, Sérgio conversou com o UOL Esporte neste sábado. Leia trechos da conversa:
O que você espera de Brasil x Argentina?
Sempre é um jogo de muita rivalidade. A história diz isso. Todas as partidas entre as duas equipes têm sido muito equilibradas, as duas estão no mesmo nível. Tudo pode acontecer.
A Argentina ganhou os últimos jogos importantes contra o Brasil, nos últimos dois Pré-Olímpicos. Isso dá uma vantagem psicológica à equipe?
Sim. É sempre melhor jogar contra uma equipe que você domina. Quando enfrenta alguém contra quem está acostumado a perder, você já entra com uma desvantagem psicológica. Sua cabeça já não começa da melhor maneira. Mas não nos enfrentamos tantas vezes assim. No Mundial passado, caímos em chaves diferentes, acabamos não jogando. Creio que o último confronto de fato ocorreu em Las Vegas (no Pré-Olímpico de 2007, em que o Brasil perdeu duas partidas para a Argentina). Lá, percebemos que eles estavam em um momento esquisito, sentindo-se diminuídos e conseguimos aproveitar a situação.
E agora, como vê o momento brasileiro, com Magnano?
Agora o Brasil está com outra mentalidade, tem uma idade mais justa, têm mais experiência. Não vão sentir a pressão que pesa nos momentos decisivos.Creio que é uma injustiça querer que Splitter, que Varejão, aos 21, 22 anos joguem como se tivessem 30 anos.
Brasil e Argentina têm como principal jogada o pick and roll. Ambas têm jogadores de NBA na ala e pivôs, também de NBA, no garrafão. São times de fato parecidos?
Sim, muito parecidos. Rubén mantém algumas movimentações que fazia com Argentina. Huertas e Pablo (Prigioni) são excelentes armadores, Splitter e Scola são jogadores determinados. Taticamente são muito parecidos. Vamos ver duas equipes muito semelhantes em quadra.
Em um cenário como esse, quem tende a levar vantagem?
Quem conseguir dominar o ritmo, tomar a iniciativa, terá vantagem.
Detalhe esse conceito de “tomar a iniciativa”...
Quem fizer o jogo andar como ele quer. O Brasil precisa correr. Se tiver que o jogar o tempo todo com 5 contra 5, creio que não vai ficar feliz.