Depois de duas semanas de investigação, a polícia fechou uma clínica clandestina de abortos, na madrugada desta quarta-feira (17), na Gamboa, no Centro do Rio. O prédio onde funcionava a clínica foi identificado na Rua do Livramento depois de uma denúncia anônima.

Segundo o delegado Fábio Cardoso, da Delegacia de Crimes Contra a Saúde Pública (DCCSP), o que chamou a atenção para o prédio foi o grande número de clientes e o sistema de segurança montado no local. A clínica só funcionava à noite.

“A clínica tinha dias certos para funcionar. Havia uma grande rotatividade de clientes. A gente percebeu que tinha uma média de 15 a 20 pacientes”, disse Cardoso.

Para entrar na clínica dois casais de policiais civis se passaram por clientes. Permaneceram lá dentro durante mais de duas horas, até acionar o restante da equipe. Quando os outros policiais chegaram ao local quatro mulheres já estavam na sala de repouso, depois de ter passado pelo procedimento cirúrgico. Algumas delas ainda sedadas e com sangramento. Outras seis grávidas aguardavam para ser atendidas.

Paciente passou mal

Uma das pacientes que fez o aborto passou mal e precisou ser levada para uma maternidade pública, na Praça XV. Uma mulher contou que a irmã, de 35 anos, que interrompeu a gravidez, veio de Niterói, na Região Metropolitana. Ela soube da existência da clínica por meio de uma desconhecida, numa conversa no ônibus.

O prédio tinha várias salas de observação, uma mesa de parto improvisada, diversos aparelhos, muitos deles enferrujados. Havia também uma grande variedade de medicamentos. Dez presos

Ao todo, dez pessoas foram presas. Um médico foi preso em flagrante, segundo a polícia, depois de confessar o crime. E mais quatro assistentes dele, além das clientes que já haviam feito o aborto foram levados para a delegacia. Entre as clientes, havia uma jovem de 17 anos.

Um homem identificado pelos policiais como o dono da clínica também foi preso. Já as mulheres que aguardavam atendimento foram ouvidas e liberadas em seguida.

De acordo com o delegado, o médico, o dono da clínica e as assistentes foram indiciados por aborto com o consentimento da vítima e formação de quadrilhas. As penas variam de um a quatro anos de reclusão e um a três anos, respectivamente.

As grávidas que passaram pelo procedimento cirúrgico, foram indiciadas por aborto provocado por terceiro. O valor da fiança estabelecido pelo delegado foi de R$ 150, o mínimo determinado pelo Código Penal.