Após várias tentativas, o CadaMinuto conseguiu conversar com o promotor Sóstenes de Araújo para saber detalhes de como aconteceu o desentendimento entre ele e o enteado do juiz Alfredo Mesquita, Evandro da Silva, corrido na manhã desta terça-feira (09), no estacionamento do Fórum de Atalaia. O promotor rebateu as declarações do juiz dizendo que não era doente incurável, acusando o magistrado de ser "controlado pela esposa nos trabalhos realizados no fórum".
Sótenes de Araújo admitiu que sacou uma arma para tentar controlar a situação no momento. Ele afirmou que Evandro da Silva o desacatou utilizando palavrões quando solicitou que \'arrumasse\' o carro no estacionamento.
“Pedi para que o carro fosse colocado no lugar correto. Quando ele chegou ao estacionamento já foi me agredindo verbalmente com palavrões. Para resolver o problema dei voz de prisão, voltando mais uma vez a desacatar saquei a arma para controlar a situação no momento”, disse Sóstenes.
Evandro foi considerado um marginal para Sóstenes. “Evandro disse que o pai dele era o juiz, e tinha que respeitá-lo, na verdade nem filho é, é um enteado. Ele é um marginal”.
Ele também acusou o juiz Alfredo Mesquita de ser manobrado pela esposa. “Ele me atacou chamando de doente incurável, na reportagem, quem é doente é ele que é controlado pela esposa Edna, nos trabalhos realizados no fórum. A funcionária Vanessa saiu do fórum por conta dela”, desabafou.
Evandro da Silva revelou que Sóstenes teria apontado uma arma para o juiz Jário Xavier de São Sebastião e espancado uma criança de oito anos, em Boca da Mata. “Essa questão já foi resolvida, até foi arquivado na corregedoria”, finalizou.
O caso de Boca da Mata
Uma brincadeira entre crianças, com bolinhas de papel, teria sido o motivo para que o promotor de Justiça Sóstenes Araújo Gaia, da comarca de Atalaia, agredisse uma criança de dez anos, em Boca da Mata, em Junho de 2007. As informações são da mãe da criança, C.T.L., que denunciou o caso à Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas.
De acordo com a mãe da criança, o filho dela e a filha do promotor estavam na Escola Cenecista Doutor João Evangelista Tenório, em Boca da Mata. Ela contou que, no dia 24 de maio, algumas crianças brincavam com bolinhas de papel dentro da sala de aula, e uma das bolinhas, que não havia sido jogada pelo filho dela, atingiu a filha do promotor.
Ainda de acordo com a mãe da criança, após uma semana - no dia 1º de junho -, o promotor foi ao colégio, juntamente com sua filha, e pediu para que ela mostrasse o menino que havia jogado a bolinha de papel.
A menina apontou para seu filho. “Depois que a menina apontou para o meu filho, que estava em frente à sala de aula, o promotor rodopiou meu filho, segurando-o pela camisa”, disse. “Em seguida, ele [o promotor] arrastou meu filho pelo corredor e escadarias da escola, levando-o até à diretoria”.
Uma das coisas que irritou a mãe do garoto foi o fato de o diretor da escola, identificado apenas como Valter, não ter informado à família sobre a agressão.
Defesa
O promotor de Justiça, Sóstenes Araújo, contou que nunca chegou a agredir a criança. Ele diz que, a filha dele, também de dez anos, teve um hematoma no rosto por conta da brincadeira do menino, foi agredida no dia seguinte e ainda uma terceira agressão.
Por isso, ele foi ao colégio e, quando encontrou com o menino, levou-o a diretoria para pedir a punição dele. "Peguei ele pelo braço e levei-o na coordenação. Depois disso, foi resolvido que ele iria ficar suspenso, mas acho que a mãe não gostou muito", disse, referindo-se a mãe do menino supostamente agredido.
"Eu ía tirar minhas filhas do colégio, mas agora vou esperar até o meio do ano, para que elas não sejam prejudicadas", continuou o promotor.
Sóstenes Araújo ainda falou que está elaborando um requerimento para enviá-lo a Corregedoria Geral de Justiça, que deverá apurar os fatos. "Também estou dando entrada a uma ação criminal para o presidente do Conselho de Boca da Mata apurar os fatos e até me representar na Corregedoria".
Essas informações foram divulgadas no site do Ministério Público de Alagoas, em 05 de junho de 2007.