'Foi milagroso', diz protagonista Ricardo Darín.
por G1
O argentino "O segredo dos seus olhos" levou o Oscar de melhor filme estrangeiro, levando o país a festejar sua segunda estatueta e sexta indicação recebida ao prêmio da Academia.
Atores, diretores de cinema, críticos da tela grande e a imprensa local repercutiram a vitória da produção hispânico-argentina.
A crueza da trama, que narra a resolução de um assassinato após 25 anos de investigação, não é barreira para boas doses de humor. Para o protagonista do filme, o argentino Ricardo Darín, a equação foi a chave para que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas escolhesse "O segredo dos seus olhos" frente a outras quatro candidaturas "muito boas".
"Quando vi os outros filmes, comecei a pensar que podíamos ganhar. Eles ofereceram à nossa história uma brecha através da qual foi possível contar uma história dura e áspera sem perder o humor e a cotidianidade", destacou Darín.
O longa argentino, baseado em um livro de Eduardo Sacheri, venceu o alemão e grande favorito "A fita branca", o hispânico-peruano "A teta assustada", o francês "Um profeta" e o israelense "Ajami".
"Foi milagroso", sintetizou Darín, que acompanhou a cerimônia em Buenos Aires.
Produção extraordinária
A presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, considerou que o filme é uma produção "extraordinária" e que "vai deslumbrar o mundo inteiro".
"Estamos contentes porque ganhamos com \'O segredo dos seus olhos\', um filme fantástico que vi duas vezes e que me impactou", destacou Cristina durante um ato no Ministério da Educação.
Darín contou que, de todas as ligações que recebeu nesta segunda (8) para receber os parabéns pelo Oscar, a que mais lhe surpreendeu foi a da presidente argentina.
"(Cristina Kirchner) ligou para dar os parabéns e para dizer que se sentia muito orgulhosa. Achei que foi um gesto muito lindo. Segundo me contou, viu o filme duas vezes. É um gesto que valorizo muitíssimo", disse o ator.
Recorde de público na Argentina
Para a atriz argentina Soledad Villamil, também protagonista do filme, o grande merecedor do prêmio é Juan José Campanella, "que foi roteirista, produtor, mentor e diretor" da produção, que bateu recorde de público na Argentina com 2,5 milhões de espectadores.
O primeiro filme argentino a receber um Oscar foi "A história oficial" (1985), de Luis Puenzo, que levou ao cinema as experiências das vítimas da ditadura militar do país (1976-1983) e dos milhares de desaparecidos durante o regime.
"O segredo dos seus olhos" também apresenta um subtexto político: o da violência protagonizada pelo grupo de extrema-direita Aliança Anticomunista Argentina, o chamado "Triplo A", durante os anos 70.
A atriz Norma Aleandro, protagonista de "A história oficial", disse estar "muito feliz" com o Oscar para o filme de Campanella e que o prêmio "vai fazer muito bem ao cinema argentino".
A Argentina já havia disputado a estatueta de melhor filme estrangeiro com os filmes "A trégua" (1974), "Camila" (1984), "Tango" (1998) e "O filho da noiva" (2001), este último também dirigido por Campanella.
Cerimônia
"Quero agradecer à Academia por não considerar o Na\'vi (idioma criado para o filme "Avatar") uma língua estrangeira", brincou o diretor de "O segredo dos seus olhos", visivelmente nervoso e emocionado, ao receber o Oscar.
Em entrevista coletiva após a cerimônia, já mais relaxado, Campanella demonstrou entusiasmo com o empurrão comercial que o filme pode ganhar agora.
O diretor aproveitou a oportunidade para lembrar Darín da promessa que fez caso "O segredo dos seus olhos" levasse a estatueta: dar uma volta olímpica no Obelisco de Buenos Aires sem roupa.