Olá, pensadores!
Por mais que se queira disfarçar, chega um dia em que, como diz o poeta, “não dá mais pra segurar e explode...”. Condenado pela maioria das religiões ocidentais, relegado pela ciência a incipientes e isolados estudos, desprezado no seio social e sequer visto como uma questão de saúde pública, o suicídio tem permeado a convivência humana, fazendo perenemente suas vítimas...
Para o filósofo francês Albert Camus, que viveu no início do século passado, “o suicídio é a grande questão filosófica de nosso tempo... Decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma pergunta fundamental da filosofia”. Entretanto, esse assunto continua esquecido, eclodindo esporadicamente com fatos estarrecedores como o ocorrido recentemente na cidade de Maceió, onde o jovem Joel Noel de Andrade, 23, espontaneamente, usando explosivos, ceifou a própria vida.
Um estudo do pesquisador Stan Kutcher, de 2008, revelou que o suicídio é um problema de saúde mental que independe de classe social, mas que obedece a certos fatores e variáveis: solidão e frustrações de ordem afetiva e econômica foram as causas mais recorrentes... Apesar de não escolher vítima, durante o estudo percebeu-se que o perfil de maior reincidência entre os suicidas era de urbanos, que moravam sozinhos e não tinham filhos.
Constatou-se, também, que em períodos de incerteza econômica as taxas de suicídio disparam. Entre os profissionais, os da segurança pública e os da área de saúde, seguidos pelos da educação, são os mais afetados... Quanto à faixa etária, os jovens, como Joel, são apontados como os praticantes do chamado “suicídio impensado”, mas a maior concentração está entre os que vivem na meia idade, entre 50 e 60 anos.
Contudo, o maior mistério continua sendo entender como se processa a mente do que está na iminência de extirpar a própria vida. Acredito que, para o suicida, o ato de se matar não é visto como um fim. O suicídio é enxergado, por seu autor, como a única forma possível de resolver a desordem que assola sua existência conturbada. É um descanso dos conflitos que inquietam e fadigam seu ser... É quando o pavio não tem mais o que queimar e aí só resta a explosão.
Apesar de o suicido ser prática antiga, que o lembre Antígona, de Sófocles, ultima parte da trilogia tebana, não podemos negar que o frouxo laço moral e afetivo que tem atado nossa sociedade e, sobretudo, nossa unidade social celular – a família – constitui palco exemplar e propenso para que muitas tragédias como o de Joel tornem a ocorrer, deixando-nos perplexos.
Desatenção, falta de diálogo, acomodação com a rotina e baixo grau de percepção do outro são ações que nos deixam insensíveis aos possíveis problemas que podem estar se passando com o nosso próximo. Sejamos mais humanos e mais atentos. Pode haver uma bomba em nossa casa, em nossa vizinhança, prestes a explodir. Antes que ocorra, tentemos, ao menos, apagar o pavio.
Obrigada Teles pela confiança. Já publiquei seu artigo no meu blog.
Enorme abraço.
Você fez excelente reflexão, apenas desejo acrescentar que a principal causa do suicídio é o desconhecimento da nossa filiação divina. Infelizmente as famílias se envolvem tanto com o ter e esquecem a finalidade maior de sua existência que é o aprendizado e a consolidação do AMOR.
Olá Teles! Você realmente consegue transmitir muito bem seu conhecimento.
Suas reflexões são muito pertinentes como um sinal de alerta a todos nós.
Eu me preocupo com essas questões e como está este crescimento do nosso mundo e dos nossos jovens.
Ah! meu blog:http://psicologico-al.blogspot.com
É preciso estar atento às pessoas, uma simples palavra faz o diferencial na vida do outro. Só este ano 2 pessoas conhecidas cometeram suicídio e agora a notícia triste desse rapaz. Olhemos para os lados,não estamos sós!
Grande e renomado Jesus Teles!!!!
Seus artigos são sempre bem trabalhados: com perfeita ortoépia e prosódia sem falar no conhecimento demonstrado. Parabéns jovem Jornalista.
Belíssima reflexão, Sílvio. Além da família, a Escola é outra instituição ausente na formação de valores junto aos jovens: infelizmente, parece que hoje tudo é banal, inclusive a vida.
REalmente devemos prestar atencao nos que nos cercam porque quando acontece ja e' tarde demais.
Silvio Teles é jornalista, formado pela UFAL; é oficial da PM de Alagoas, graduado pela Academia de PM daquela Corporação; e é especialista em Políticas e Gestão em Segurança Pública, pelo convênio Ministério da Justiça/FAL. Atualmente, estuda Direito. Já escreveu opinião para os mais importantes jornais impressos de Alagoas e contribui, periodicamente, com a editoria de opinião do portal O Globo.