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Postado em 15/01/2010 às 07:00 por Redação em Empregos e ConcursosCursos

Oferta de cursos superiores em Alagoas pode dificultar entrada no mercado de trabalho

Não existe critérios e fiscalização no surgimento de faculdades

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por Emanuelle Oliveira

O setor privado já é responsável pela maior parte do ensino superior brasileiro, reafirmando a mercantilização da educação com a disseminação de faculdades particulares que recebem incentivos do Governo Federal para a abertura de vagas. Em 2008, havia 5.080.056 alunos matriculados em cursos superiores no Brasil, 4,1% a mais do que em 2007. Aproximadamente 74,9% dos alunos estão em cursos particulares, enquanto 25,1% estudam em instituições públicas.

Entre as ações do governo para expandir o ensino superior estão o Programa Universidade Para Todos (ProUni), que oferta bolsas e incentiva as instituições privadas a destinar gratuitamente 10% de suas vagas a estudantes de baixa renda, que tenham cursado o ensino médio em escolas da rede pública e o Financiamento Estudantil (Fies) destinado a custear a graduação e que deve ser pago após a conclusão do cuso.

Recentemente, o Reuni (Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), duramente criticado por professores e estudantes expandiu, em menor proporção o ensino público. Por lei, as faculdades privadas têm o direito de abrir cursos sem autorização do Ministério da Educação (MEC), enquanto nas universidades federais é necessário preparar um projeto pedagógico.

Em algumas faculdades de Alagoas o critério de avaliação para o ingresso nos cursos de nível superior passou de uma prova escrita convencional, para eletrônica agendada, permitindo ainda, a matrícula de portadores de diploma e a transferência de outras instituições. Mas, à medida que facilitam o acesso ao ensino superior, podem dispensar conhecimentos básicos para a área de formação escolhia pelo estudante.

Grande grupos educacionais se instalaram em Maceió, como a Faculdade Integrada Tiradentes (Fits), além da pernambucana Maurício de Nassau e das mais antigas como o Centro de Estudos Superiores de Maceió (Cesmac), a Faculdade de Maceió (Fama), a Faculdade de Alagoas (FAL), a Sociedade de Ensino Universitário do Nordeste (Seune), Faculdade da cidade de Maceió (Facima), Escola Superior de Administração e Marketing e Comunicação (Esamc), Faculdade Alagoana de Administração (FAA/Iesa),a Faculdade alagoana de tecnológia (FAT) e a Raimundo Marinho fortalecendo, em proporções diferentes, a oferta e a demanda dos cursos superiores.

 Para a pedagoga Elizabeth Patriota a expansão do ensino superior, através de faculdades particulares também gera um ônus, em termos de qualidade. Ela destacou que esse processo teve início no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e se consolidou com o governo Lula e lamentou a falta de critérios e fiscalização para o surgimento das instituições e a deficiência nas forma de avaliação dos cursos.

“Assim como aconteceu no anos 60 e 70 com a expansão do ensino fundamental e médio para as pessoas carentes, está acontecendo com a educação superior. O custo na área educacional é alto, mas ao invés de incentivar as faculdades particulares, o governo federal deveria investir nas universidades públicas e atentar para a qualidade”, ressaltou Elizabeth.

 Ela afirmou que essa proliferação cria outros problemas, como a dificuldade para a entrada no mercado de trabalho, pois a demanda passa a ser maior que a oferta de emprego. Elizabeth destacou a disputa de profissionais com ensino superior por cargos de nível médio em concursos públicos.

“Em São Paulo já há uma carência de pessoal técnico especializado, como na construção civil, onde um pedreiro chega a ganhar 8 mil reais. Em Maceió, no concuso da Semed havia pedagogas e psicólogas disputando uma vaga de merendeira. Em um Estado pobre como o nosso o poder público ainda é o grande empregador”, lembrou ela.

A pedagoga destacou que a falta de critérios de avaliação para a criação dessas faculdades e para o ingresso dos estudantes pode trazer prejuízos na formação dos profissionais. “No curso de direito há o exame da OAB, que faz uma seleção. Também querem criar uma avaliação no curso de medicina, pois a qualidade dos médicos tem caído nos últimos anos”, disse.

“A questão não é excluir os mais pobres da educação superior e sim, melhorar a qualidade do ensino antes de expandir. O governo Lula tem características populares, mas é necessário fiscalizar e saber se nas faculdades há pessoal técnico qualificado, professores e estrutura adequada, como bibliotecas e salas de informática. Assim, as caça níqueis sairão do mercado. Os estudantes carentes acabam pagando duas vezes, em impostos e para terem acesso à faculdade”, afirmou a pedagoga.

O estudante do curso de Recursos Humanos da FAT, Robson Silva contou que preferiu uma faculdade particular pela facilidade oferecida para o ingresso, apesar de pagar R$ 200,00 na mensalidade. “O ensino é bom e a estrutura é melhor que na federal, mas eu queria ter entrada na Ufal. Acho que é muito bom existirem várias faculdades e apesar de ser fácil entrar, pra se formar tem que estudar bastante”, afirmou.
 

1 comentário

  • silvania

    Há 2 anos

    O que a pedagoga Elizabeth fala e verdade, se o governo federal investir + não existeria tantas faculdades particulares, mesmo sabendo que a federal não estar com o ensino bom, mas quando se fala que esta cursando ou cursou na federal a escolhe sempre e por ela e não pelas particulares.

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