No primeiro turno, o candidato Ronaldo Lessa culpou os mesários pela derrota; Lessa achava que se elegeria governador no primeiro turno e lançou suspeita sobre todos os mesários com denúncia irresponsável - que pode lhe render mais um processo, caso os atingidos decidam levá-lo à justiça.
Agora, no segundo turno, Lessa culpa o bode alegando que a diferença na votação foi pouca. Besteira.
Da votação que obteve, apenas 390 mil votos são dele; os demais votos que conseguiu foi o senador Fernando Collor quem lhe deu. Ora, o governador Téo Vilela enfrentou Lessa, Collor, Renan, Luciano Barbosa e o presidente Lula, que, mesmo constrangido, pediu votos para Lessa.
Se esse time não tivesse condições de, pelo menos, reduzir a diferença e o impacto da derrota...
Mas, é preciso espernear porque sem a "impunidade parlamentar" Lessa está correndo sério risco devido ao grande volume de processos que responde. Um desses processos pode andar aí, ó!
Isso justifica o desespero e até se entende. Mas, por favor, deixe o bode pastar...
O senador Renan Calheiros sofreu duas derrotas em Murici: Ronaldo Lessa perdeu para Téo Vilela e José Serra venceu Dilma Rousseff, apesar de toda a estrutura que Renan montou com o irmão Remi - que é o prefeito.
Em Arapiraca, a vitória de Téo Vilela - que também venceu lá no primeiro turno - deixou o prefeito Luciano Barbosa, aliado de Renan, numa situação desfavorável para a sucessão municipal em 2012. A vitória de Téo em Arapiraca foi avassaladora - o governador obteve 50 mil 522 votos, contra 38 mil 230 para Lessa.
O resultado das urnas no segundo turno mostrou que Renan e a oposição terão de encontrar outro discurso.
POR QUE RONALDO LESSA PERDEU?
Um amigo perguntou o que pesou contra Ronaldo Lessa?
Na minha avaliação o que de pior o candidato enfrentou foi o índice de aprovação do governador Téo Vilela – que foi sempre superior a 70% e um governo com mais de 70% de aprovação só perde uma eleição se quiser.
Esse índice de aprovação considerável do governador Téo Vilela anulou o discurso da oposição, que insistia em desqualificar o governo que a maioria esmagadora da população aprova. É como dar murro em ponta de faca.
E, se não fosse o engajamento dos senadores Fernando Collor e Renan Calheiros a vantagem de Téo sobre Lessa teria sido ainda mais elástica. Collor e Renan não puderam ajudar Lessa a se eleger, mas, com certeza evitaram a derrota mais fragorosa.
Então, na minha avaliação, o que pesou contra Lessa além do índice de aprovação do governo Téo Vilela foi o erro de estratégia que ele e os aliados cometeram – e isto desde o discurso repetitivo e retrogrado, até a incapacidade de se fazerem acreditar.
Por exemplo: quando insistia em dizer que as obras em execução no Estado eram todas financiadas pelo governo federal, a oposição fazia apologia à eficiência e à capacidade do governo. A dedução é lógica: se o governo federal mandou dinheiro era porque o governador merecia.
Pior é que essa dedução leva a outra: e por que o governo federal não mandou dinheiro antes?
Portanto, o governador Téo Vilela se reelegeu por mérito. E olhe que Téo derrotou Lessa, Renan, Collor, Luciano Barbosa, parte da imprensa e alguns institutos de pesquisas – que agem de má-fé e manipulam dados.
E qual as conseqüências no quadro político no Estado?
É que agora é Téo, é Téo, é Téo; e mais: Benedito de Lira e Cícero Almeida. O governador Téo Vilela se reelegeu e está muito mais fortalecido que no primeiro mandato.
Antes de falar sobre o presidente Lula, que não veio a Alagoas apesar dos apelos dramáticos e até patéticos que recebeu, eu faço um parêntesis para falar sobre as pesquisas eleitorais.
O procurador eleitoral Rodrigo Tenório tem razão quando sustenta que as pesquisas eleitorais servem para enganar o eleitor e o “doador de campanha”, ou seja, servem para alavancar candidato ruim de voto ou de bolso.
Não são todas as pesquisas, claro, pois toda regra tem exceção.
A eleição este ano tem essa finalidade extra – além de derrotar candidatos, também vai derrotar alguns institutos de pesquisas que agem de má-fé ou, então, aplicam metodologia errada para aferir as intenções de votos.
Há casos escabrosos que serão revelados após a eleição e que envolve um conhecido instituto de pesquisa – que vende resultados falsos.
Contaram-me um caso ocorrido antes da eleição em 2006, que é de estarrecer. Um aliado, hoje adversário, chegou para um candidato majoritário e propôs que pagasse a um instituto de pesquisa que lhe colocava nas alturas – e o candidato se negou alegando que era desonestidade e que ele não precisaria usar de fraudes para se eleger.
Aí, upara não perderem a viagem, foram oferecer a mesma pesquisa para o adversário – que foi na onda e pagou pelo blefe. Ele viveu alguns dias de glória, com a pesquisa fraudada lhe colocando lá em cima e eleito, e quando contaram as urnas veio a decepção. Perdeu feio.
Pois, caros internautas, isso vai se repetir na eleição este ano. A diferença é que, desta vez, esses instituto vão ser desmoralizados de vez.
(Fechando o parêntesis)
Cabeça, o Lula vem? Agora venha.
Quem acompanha o blog leu com antecedência quando dissemos que o presidente Lula não viria a Alagoas. E eu nunca escrevi que o Lula não viria a Alagoas para não ser fotografado ao lado do senador Fernando Collor, porque essa é desculpa esfarrapada.
Trocando em miúdos: é mentira.
Basta acessar o Google e clicar em “imagens” e pronto: centenas de fotos do Lula com o Collor vão aparecer. Logo, a versão de que o Lula não veio a Alagoas por causa do Collor é mentirosa.
Na sexta-feira, o Lula estava sozinho em Recife. Ficou por lá zanzando das 14 às 19 horas e, mesmo sem a Dilma, não veio a Maceió.
E não veio porque o candidato do coração do Lula é o Téo. E o Lessa é o candidato da boca prá fora – e, ainda assim, como relatou a jornalista Cristina Lobo, da Globo News, muito constrangido.
É isso; o Lula confidenciou que pediu voto para Lessa constrangido.
Mas, só as urnas vão dizer quem está com a razão. Só uma coisa é certa: alguns institutos de pesquisas vão ser desmoralizados, e isso é mais certo que beiço de bode.
O Ibope, o mesmo instituito de pesquisa que disse que o candidato a governador Fernando Collor estaria no segundo turno, na pesquisa de boca-urna no dia da eleição no primeiro turno, dá o empate técnico entre o governador Téo Vilela e seu adversário, Ronaldo Lessa.
Mas, não é isso o que diz o Vox Populi, o instituto que pertence ao cunhado do senador Collor. Na pésquisa do Vox Populi, divulgada na semana passada, a diferença não permite empate técnico mesmo aplicando-se a margem de erro.
De acordo com o Vox Populi, a diferença se aproxima dos 10 pontos percentuais favoráveis a Téo Vilela, e que o governador se reelegeria com a diferença mínima de 150 mil e máxima de 250 mil votos.
PELO IBOPE, VOTOS DE COLLOR FAZEM LESSA SUBIR E DÁ EMPATE TÉCNICO
O senador Fernando Collor conseguiu transferir para Ronaldo Lessa, até agora, 7 pontos percentuais do que lhe garantiram as pesquisas eleitorais no primeiro turno. Lessa saiu de 38% - que é a sua pontuação própria, ou seja, o que detém – para 45% - que são os 7 pontos que Collor transferiu.
O governador Téo Vilela manteve-se com o mesmo percentual – que forma o seu eleitorado cativo.
Na pesquisa do Ibope, 3 pontos de diferença significam 60 mil votos – o que é bem abaixo do esperado pela coligação de Téo. E na coligação de Lessa, esses 60 mil votos estão sendo catados grão por grão, como se fossem definir a eleição.
Téo está enfrentando dois senadores, um ex-governador, o prefeito de Arapiraca e, apesar de ter se sentido constrangido ao pedir voto para Lessa, também enfrenta o presidente Lula – que, mesmo constrangido, gravou o que não desejava.
E por falar no presidente Lula, ele esteve quase toda a sexta-feira em Recife e bem que poderia ter vindo a Maceió, mas não veio. Dizem que o Lula não veio a Alagoas para evitar ser fotografado e filmado ao lado do Collor, mas é mentira.
Fotos e filmagens do Lula e Collor juntos é o que mais tem por aí. É só acessar o Google.
Quanto a Dilma eu não digo nada, mas sobre o Lula ele não veio a Alagoas porque seu coração é Téo; o apoio que deu a Lessa foi só da boca para fora.
Um grupo de professoras contratadas pela Secretaria Municipal de Educação de Arapiraca denunciou ao blog que a diretora da escola onde lecionam deu-lhe o recado curto e grosso: se não participarem da carreata do candidato a governador apoiado pelo prefeito Luciano Barbosa, não terão os contratos renovados.
Tremendo de medo, uma delas conversou com o blogueiro e disse que a pressão é grande. Todos devem estar presentes à carreata do candidato a governador apoiado pelo prefeito, senão, ó!
A carreata está marcada para este sábado.
A assessoria do prefeito Luciano Barbosa negou a coação e disse que, para a carreata, só vai quem quer. Tem muita gente que não quer ir, mas vai – senão, ó!
E em Mata Grande o terror é feito pelo ex-deputado estadual Celso Luis em cima do prefeito Jacob Brandão, para que apóie o candidato dele ao governo do Estado – que é o mesmo candidato de Luciano Barbosa.
O negócio está feio.
O prefeito Jacob Brandão disse que Celso Luiz prometeu arranjar um jeito de cassar-lhe o mandato, caso não apóie o candidato dele para o governo do Estado.
Gente! Que é isso?! Vamos parar com essas ameaças porque eleição é igual a bienal do livro – tem de dois e dois anos.
E o debate na TV Gazeta? Gostaram?
Na verdade, não se tratou de debate. Tratou-se de um confronto onde o candidato a governador Ronaldo Lessa, devido ao nervosismo e a gagueira, se saiu muito mal. Não é que o governador Téo Vilela tenha sido assim o “cara” do debate, mas deixou uma imagem muitíssimo melhor que Lessa – que passou para o telespectador descontrole e insegurança.
Que acham?
Candidato a deputado federal mais votado em Atalaia e União dos Palmares, e eleito com uma das maiores votações da eleição, o empresário João Lyra (PTB) acompanha hoje e amanhã o candidato a governador pela "Frente de Oposição", Ronaldo Lessa (PDT), nas visitas àquelas municípios.
-"Vamos ganhar a eleição" - festeja João Lyra, que obteve cerca de 15 mil votos em União dos Palmares e foi o deputado federal mais votado na história do município.
Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.