Brasília – Deve fazer muito tempo mesmo, porque chamar alguém de ladrão era uma afronta que resultava em morte.
Hoje, ladrão é sinônimo de esperto. Ser ladrão é ser ativo, vivo, esperto e se dar bem; ser honesto é coisa de otário.
Deve fazer muito tempo mesmo, porque duvidar da masculinidade de alguém era uma afronta que exigia subterfúgios: “Haroldo”, “Pirôbo”, “Baitola”, “Três vezes oito”, “Boneca”...tudo, menos ir direto ao assunto.
Sapatão não era sapatão e sim “batia bolacha”.
O tempo mudou, de modo que esses cuidados em não melindrar o semelhante já se foram e tudo virou moda e modernidade.
Se essa modernidade ficasse restrita a essas searas, tudo bem. O perigo é que se diversificou de um jeito que o estado perdeu o controle.
No que se refere à criminalidade, aí é que o bicho pega. Cadeia não serve mais; ser algemado não é mais desonra.
Digam-me pois o que o poder publico deve fazer com o delinquente com “mestrado” e “doutorado” em cadeia, e que considera a cadeia um prêmio e não punição?
Os “Zés Bonzinhos” sugerem medidas de ressocialização e, enquanto isso, o crime atinge modalidade e níveis jamais imaginados.
Tocar fogo em ônibus, por exemplo, é moda em São Paulo, em Brasília – na semana passada tocaram fogo em seis ônibus em Águas Lindas de Goiás – no Rio de Janeiro e em Maceió.
O que fazer? Apreender a caixa de fósforo e o galão de gasolina ou tocar fogo também no meliante?
Em tempo: esses incendiários tem na cadeia o seu habitat e já não se importam com a cela – que é a única janela que eles têm para a vida.
Brasília – Sobre o julgamento da sua ação no Tribunal Superior Eleitoral pedindo a cassação do governador Téo Vilela e do vice José Thomaz Nonô, por abuso de poder econômico e político, o ex-governador Ronaldo Lessa não entendeu dois episódios:
1) A ministra Fátima Nancy Andrighi comunicou que não iria à sessão e foi.
2) O presidente do TSE, Ricardo Lewandowiski, abandonou a sessão para atender o chamado telefônico no celular.
Vamos por parte:
1) É normal o ministro atender chamadas no telefone celular.
2) Não é verdade que a ministra Fátima Nancy Andrighi comunicou que faltaria à sessão.
Aliás, ninguém sabe no TSE de onde partiu tal informação – que só circulou em Alagoas.
Sobre o julgamento da ação de Lessa muito se falou, muito se enfeitou e muito se mentiu; até o jornalista Ricardo Boechat pisou na bola na sua coluna na revista Isto É dizendo que o governador Téo Vilela estava “constrangendo” os ministros com visitas inesperadas.
Mentira. Isto não aconteceu.
Sobre o voto solitário do ministro Marco Aurélio Melo, que foi favorável a Lessa, só quem não conhece o ministro pode acreditar que tem o dedo do senador Fernando Collor – que é primo.
O ministro Marco Aurélio é conhecido por ser um “constitucionalista” apegado à técnica e, do ponto de vista técnico, a ação de Lessa tem respaldo sim. Só que esqueceram de dizer a Lessa que ninguém cassa um governador por causa de 1 mil e 600 cabras.
É também de uma inocência pueril atribuir ao senador Renan Calheiros a “pressão” sobre o TSE para favorecer Lessa. Só um idiota pode acreditar que alguém alimente o adversário em 2014.
Eu digo isso porque, no dia 5, uma semana antes da sessão do TSE, durante o lançamento do livro do jornalista Joaldo Cavalcante, eu estava em Maceió e, numa conversa com o ex-governador Ronaldo Lessa, disse-lhe que fosse cuidar da sua candidatura a prefeito de Maceió.
Estávamos numa roda de bate-papo com os jornalistas Carlos Melo, diretor-editor do Cada Minuto, o jornalista Luiz Vilar, o diretor do Ibrape, Francivaldo Dinis, e o diretor de Marketing do ASA e diretor Comercial do Cada Minuto, Sérgio Lúcio.
Lessa estava ansioso com a votação no TSE de sua ação, mas a informação que se tinha aqui era de que a vitória dele era improvável diante da “pequena monta” – era assim que se referiam à justificativa da denúncia, ou seja, 1,6 mil cabras para 200 carentes sertanejos.
Disse isso também ao companheiro Carlos Melo quando ele me perguntou como estava o quadro aqui em Brasília acerca do julgamento da ação de Lessa no TSE. Eu disse que era difícil o TSE aprovar a cassação do governador e que, no máximo, o que poderia acontecer era um ministro pedir vistas e adiar o julgamento.
Infelizmente, o que se viu foi a “espetacularização” da imprensa que procura chifres em cabeça de cavalo e acredita que pode achá-los.
PS – Abro o parêntesis para parabenizar minha filha, Thaísa Roberta Rocha Vilanova, pela aprovação em 17º lugar no curso de Direito na Faculdade Maurício de Nassau e meu filho Nelson Rocha Vilanova pela formatura em Agronomia na Ufal. Obrigado por tudo.
Brasília – O ex-governador Ronaldo Lessa vai cuidar agora da campanha para a Prefeitura de Maceió. Ele também estava ansioso com o resultado do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral e já admitia que “estava perdendo muito tempo em Brasília” acompanhando o processo no TSE.
E tempo, para quem é candidato, é ouro. Ou melhor: é voto.
Um ano depois e finalmente a eleição majoritária de 2010 terminou; a perspectiva de Lessa assumir o governo diante da condenação do governador Téo Vilela mexia com ambos e prejudicava a todos.
Continuo achando um absurdo o tapetão, seja na política ou no futebol. Se há irregularidade, então que se anule a eleição ou a partida de futebol. O que não pode é dar direito à vitória a quem perdeu de fato; no caso da eleição, o único soberano é o eleitor, e no caso do futebol o soberano é o gol.
Uma eleição se ganha com votos e uma partida de futebol se ganha com gol; se há irregularidade no voto ou no gol – repito – que se anule a eleição ou a partida. Mas, o que não pode é decretar a vitória para quem não teve votos suficientes ou não fez os gols necessários.
Mas, gente, parece que deram um nó na questão; a decisão do TSE de multar o governador Téo Vilela vai levá-lo ao imbróglio jurídico em 2014, se quiser disputar a vaga (única) para o Senado e for interpelado quanto à punição (multa) por um colegiado.
Se for assim, abre-se uma porta para o senador Fernando Collor tentar a reeleição. Existe a possibilidade de Collor disputar o governo do Estado, mas esta possibilidade é o seu “plano B” e está condicionado a um caixa de campanha para cobrir os custos – e uma campanha do Collor, já se sabe, é cara.
Voltando à eleição de 2010, que terminou esta semana, o que Lessa deve fazer agora? Cuidar da campanha para a Prefeitura ou se recolher se preparando para 2014?
PS– Não é verdade que os senadores Fernando Collor e Renan Calheiros interferiram em favor de Lessa. Também não é verdade que o governador Téo Vilela esteve de gabinete em gabinete, no TSE, pedindo o apoio dos ministros.
Brasília – De volta à capital federal, depois de duas semanas na terra onde deixei o umbigo, leio nos comentários acerca do post anterior o conselho de um internauta mandando-me chupar um Caicó – o picolé que fez a diferença na última campanha para governador.
Chupei vários quando estive aí e gosto muito do picolé de castanha e cajá. Mas, não posso deixar de agradecer o conselho e também a participação do internauta; e considero a todos que nos honram com os comentários.
Daí, eu tenho que esclarecer o seguinte:
Eu não discuto o mérito da ação da coligação do ex-governador Ronaldo Lessa contra a reeleição do governador Téo Vilela; o que acho, continuo achando e acharei sempre é que se há irregularidade numa eleição, isto tem de ser apurado e julgado pela Justiça Eleitoral antes de se proclamar e diplomar os vencedores.
Senão, a própria Justiça Eleitoral se desmoraliza.
Eu não disse que não houve ou pode ter havido irregularidade; o que eu disse, digo e direi é que contestar a eleição após a proclamação do resultado é uma incoerência que desmente a importância do eleitor, cujo voto é ou não é soberano?
Tem mais algumas coisas que julgo importantes:
1) O blog é um diário; o blog, e falo sobre o verdadeiro blog, cuja origem pesquisei, é o espaço onde a pessoa se expõe e escreve o que pensa – e não o que os outros dizem.
2) O blogueiro não tira férias exatamente porque, sendo um diário, o blog não pode sofrer solução de continuidade – que o diga o grande jornalista Ricardo Kostcho, o primeiro a compreender que blogueiro não tem direito a férias.
3) Blogueiro é igual ao papa, pois só deixa de sê-lo quando morre.
Por fim, sobre o julgamento previsto para hoje da ação de Lessa, o que posso dizer é que tudo pode acontecer, inclusive o pedido de vista – que empurraria o julgamento para 2012.
É esse o clima aqui em Brasília. No mais, o internauta que acompanha o Cada Minuto será mantido informado em tempo real, pois estarem cobrindo a sessão no Tribunal Superior Eleitoral.
Vamos vê se, além do Zagalo, o número 13 é também o numeral da sorte de Téo ou Lessa.
Não há eleição sem deslize, não há candidato que se eleja cumprindo com 100% do que estabelece a lei no que se refere aos abusos econômicos ou políticos.
Mas, há a lei que pune esses abusos. Todavia, esses abusos não garantem a eleição ou a reeleição; há exemplos de mandatários que não conseguiram se reeleger mesmo com a caneta na mão.
A lei contra esses abusos não deixa de ser um paradoxo que contraria o resultado das urnas – que se diz soberanas e sabe-se que não é, pois estão sujeitas ao tapetão.
Não deveria ser assim e digo isto porque sou radicalmente contra as vitórias no tapetão, sejam elas na eleição ou no futebol.
O futebol se ganha no campo e a eleição se ganha no voto do eleitor – que é o único soberano e legítimo.
Está marcado para terça-feira 13 o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral da ação do ex-governador Ronaldo Lessa contra a eleição – no caso reeleição – do governador Téo Vilela.
O motivo da denúncia é que o governador distribuiu 1 mil e 600 cabras com pequenos criadores sertanejos e isto se constitui (?) abuso de poder político e econômico.
Lessa tem condições de vencer uma eleição sem precisar do tapetão e Alagoas tem o direito – mais que direito, tem urgência e necessidade premente – de não sofrer mais com as soluções de continuidade.
Imagine o desserviço à sociedade, no caso de se estabelecer o imbróglio jurídico que promove o entre e sai de governadores, mediante recursos e liminares.
São dez ações de igual teor e uma delas o TSE já mandou às favas, no que fez muito bem. É factível que também mande às favas as outras nove ações, entre elas a de Lessa, e encerre de vez essa picuinha para colocar o ponto final na eleição de 2010.
O chamado “terceiro turno”, que se desenrola no tapetão, é na verdade um excremento putrefato de uma legislação eleitoral carcomida – que num momento consagra o eleitor como detentor do voto legítimo e soberano, em outro momento desconsidera essa legitimidade e soberania em nome de detalhes que não entram nas urnas.
E quando age assim, a Justiça deixa a dúvida atroz sobre o processo eleitoral e a condição do eleitor. Afinal, uma eleição se define nas urnas ou no “tapetão”?
Se no “tapetão” pode se anular o resultado soberano das urnas, então o eleitor é apenas o palhaço sem graça.
No fatídico episódio do assassinato da juíza no Rio de Janeiro, o governador carioca, Sergio Cabral, fez o seguinte desabafo:
- “Metade dos policiais (civis e militares) expulsos por envolvimento com crimes foram reintegrados por liminar judicial” (sic).
O governador disse mais; ele disse que “esperava ( com o episódio do assassinato da juíza ) que a Justiça mudasse o critério de concessão de liminar; que analisasse com muito mais cuidado cada caso.
Quando todos gritam contra a violência e exigem segurança, é imperioso saber que essa segurança começa com o estado e termina na casa do cidadão – ou seja: somos todos responsáveis pela segurança que exigimos, do mesmo modo que não se deve levar queijo à casa do rato.
Mais polícia nas ruas, apenas isso, não resolve – até porque, como o governador carioca ddenunciou, metade dos policiais envolvidos com crimes e que ele expulsou, a Justiça mandou reintegrar.
É possível que tenha havido falhas nos processos que expulsou esses policiais, mas isto não deveria justificar a ação protetora da lei diante dos antecedentes do beneficiado.
Acredita-se que não tenha havido nenhum erro e que todos os maus policiais expulsos da polícia do Rio de Janeiro se beneficiaram do excesso de técnica embutido na lei.
O pior é que o Rio de Janeiro não é caso isolado. O mau exemplo se espalhou pelo país e a sociedade assiste o mau vencer o bem, apenas porque o mau não teve o direito de defesa; não teve o direito de “provar” que não é o mau.
Quando todos sabem sê-lo.
Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.