O movimento paredista da Polícia Militar na Bahia acendeu a luz vermelha e o serviço de inteligência do Planalto entrou em ação com dois objetivos:
1) Identificar os focos de insubordinações possíveis.
2) Saber se, nesses focos, há movimentação política-partidária.
O governo federal foi alertado para o “efeito dominó” e, como os “arapongas” sempre carregam nas tintas, informou-se também que o movimento na Bahia é o sinal de uma revolta nacional das policias para forçar a aprovação da PEC 300.
Mas, não adianta forçar porque não há consenso sobre a PEC 300; nesse particular, o PSDB se junta ao governo porque também é governo em oito estados e sabe que não tem como bancar a conta da despesa da PEC 300 sozinho.
Aliás, pela primeira vez os senadores Lindemberg Farias (PT) e Aloísio Nunes (PSDB), que são os extremos que ponteiam o lado do governo e da oposição, se entenderam entre si diante da proposta para uma comissão do Senado ir à Bahia conversar com os grevistas.
O senador Aloísio Ferreira foi contra, sob o argumento de que a visita poderia ser considerada como “gesto de apoio à PEC 300”, no que Lindemberg Farias concordou e aplaudiu.
Municiado pelas informações dos “arapongas”, sem se importar se há ou não exageros, o governo se prepara para o contra-ataque e o senador Humberto Costa (PT) já avisou:
- “Não contem comigo para votar anistia para baderneiros. Da último vez, a contragosto, eu votei favorável a anistia para o pessoal (militares) do Rio de Janeiro, mas, desta vez não me peçam para votar novamente, porque não vou anistiar grevista que usa arma, que ameaça a sociedade” – disparou o petista, que até o ano passado era o líder da presidente Dilma no Senado.
O atentado contra o filho do deputado Antônio Albuquerque é um desses crimes em que a polícia, sem um serviço de inteligência eficiente, não chegará a lugar algum.
São pelo menos três pistas que a polícia dispõe e até penetrar pela pista certa leva tempo, e tempo é fundamental para apagar pistas.
Pela psicologia criminal, o atentado deixa uma pista à parte: o tiro no rosto significa vingança, mas fica a dúvida: se vingar do filho ou do pai?
Dizem que a polícia pelo menos já sabe que os pistoleiros são de Pernambuco; são sicários sertanejos conhecidos de políticos alagoanos.
Perplexa, a sociedade começa a juntar as pedras para tentar entender o que se passa. Talvez uma coisa nada tenha a ver com a outra, mas há pouco a notícia de um plano para matar deputados agitou a política.
O plano foi desmentido, o dito ficou pelo não dito, apesar de envolver o nome da Polícia Federal, e quando já se ia esquecê-lo surge a notícia concreta do atentado ao filho do deputado – quem sabe porque, contra o deputado, seria mais difícil.
A polícia pede a quem tiver alguma dica sobre os pistoleiros que atentaram contra o filho do deputado Antônio Albuquerque, que informe sob sigilo total.
Mas, como nos grandes problemas de enunciados longos, a resposta pode ser mais simples do que se imagina e pode estar tão perto que é capaz de passar despercebida.
Se houver mesmo o confronto Célia Rocha contra Rogério Teófilo, a “terceira via” em Arapiraca estará pavimentada; só falta aparecer alguém para trilhá-la.
Todos sabem disso; o governador Téo Vilela, o senador Renan Calheiros, o prefeito Luciano Barbosa, todos sabem e vão correr o risco?
Dizem que houve um acordo entre o PSDB e o PMDB, mas o governador nega. Se houve esse acordo, então o confronto não vai existir e Rogério ensarilha as armas.
E se não houve, então um terceiro nome pode arrastar o troféu – que é a prefeitura. Quem está de olho nessa possibilidade é o senador Benedito de Lira, que tem tido muita sorte com o PP nas últimas eleições.
O PP não tem um nome forte em Arapiraca, é verdade, mas lembrando o que aconteceu em Maceió na década de 1990, Ronaldo Lessa se elegeu prefeito depois de quase ter perdido a eleição para vereador.
Coisas da política, que num cenário igual ao que se desenha em Arapiraca costuma produzir resultados já conhecidos.
As razões da deputada Célia Rocha para aceitar a candidatura são consideradas fortes; Célia tem dito que “vive assustada”, que “perdeu o sossego”, que “corre riscos” com o mandato de deputada federal na condição em que se encontra.
Dizem até que Célia usa colete à prova de balas. Não sei se é verdade, mas me disseram isso.
Uma vez eleita prefeita, Célia recuperaria o sossego – é isso o que ela pensa. Todos concordam que a situação de Célia não é mesmo confortável na Câmara Federal, mas há o componente do acordo que Rogério Teófilo cobra.
Aliás, Rogério está numa situação complicada: se mantiver a candidatura e ir para o confronto com Célia corre o risco de perder, mas mantém a dignidade. E, caso contrário, se desistir e jogar a tolha se desmoraliza.
Esse é o verdadeiro “nó apertado” na política na terra de Manoel André., com o detalhe de que já tem gente pensando na “terceira via”.
E quem poderia ser esse terceiro nome, capaz de derrotar Célia e Rogério e se tornar na grande surpresa da eleição este ano em Arapiraca?
Quem seria esse que iria fazer o boi voar em Arapiraca?
O anuncio da candidatura da deputada federal Célia Rocha à Prefeitura de Arapiraca não surpreendeu. Por mais que ela tentasse disfarçar, jamais disfarçou que seria indicada; quanto mais se ampliava o impasse e quanto mais o prefeito Luciano Barbosa jogava com as pedras, o tabuleiro do xadrez político arapiraquense parecia configurado.
E a candidatura de Ricardo Teófilo?
A rigor, a candidatura de Ricardo Teófilo nunca existiu; ou melhor, existiu, mas para que o prefeito Luciano Barbosa pudesse ganhar tempo e preparar a apresentação do nome de Célia Rocha sem deixar sequelas – é o que eles pensam.
As sequelas seriam advindas do rompimento do acordo de Célia para apoiar Rogério Teófilo; com os desfiles de nomes de pré-candidatos e o impasse na família Teófilo, o prefeito Luciano Barbosa pensa que eliminou as sequelas.
Será?
E se o eleitorado arapiraquense entender que Rogério Teófilo “é a grande vítima”? Que foi “traído”?
Se o entendimento do eleitorado arapiraquense for esse, então a deputada federal Célia Rocha pode estar fazendo um mau negócio ao disputar a prefeitura. É da índole do eleitor optar pelo sacrificado num processo eleitoral tumultuado – e o sacrificado é Rogério.
Já pensou se Célia Rocha perder a eleição? Como vai ficar o grupo?
Na eleição passada o governador Téo Vilela venceu a disputa em Arapiraca, mesmo enfrentando o prefeito Luciano Barbosa. Se o governo investir na candidatura de Rogério, é possível manter o resultado favorável na região.
E aí...
Parte do eleitorado arapiraquense já entendeu que o prefeito Luciano Barbosa não queria Rogério nem Ricardo. Imagine se Ricardo tivesse conseguido convencer o irmão a desistir de disputar a prefeitura, o que iria acontecer:
1) O prefeito Luciano Barbosa iria apoiar mesmo Ricardo?
2) E se Ricardo, uma vez eleito, se recompusesse com o irmão Rogério, como ficaria o prefeito?
Mas, gente, o pior será se Célia Rocha não se eleger. Aí vai ser complicado para o grupo em 2014.
Terminou o primeiro mês do ano e ninguém sabe de fato quem é o candidato do prefeito Cícero Almeida à Prefeitura de Maceió; o secretário municipal de Infraestrurura, Mosart Amaral, acha que é ele – mas nem tanto.
Tudo pode acontecer no decorrer do período; afinal, até agora só o ex-governador Ronaldo Lessa disse que é candidato.
O que pensam os senadores Renan Calheiros, Fernando Collor e Benedito de Lira? E o que estará pensando nesse momento o governador Téo Vilela – que, igual ao Collor, devem olhar 2012 com a visão de 2014?
E o que estará pensando o deputado federal João Lyra?
E o que será que se passou durante o mês nos bastidores da Barra de São Miguel, mais precisamente na casa do ex-vice-governador José Wanderley?
O exercício de adivinhação permanece e todos podem tentar adivinhar: quem será mesmo o candidato que o prefeito Cícero Almeida vai apoiar?
O imperador Pedro II era um homem dedicado às ciências e atualizado; ele se correspondia com cientistas e foi assim que surpreendeu o presidente dos Estados Unidos, que o convidou para uma feira industrial na Filadélfia, e viu a intimidade do imperador brasileiro com Gran Bell – que alguns rotulavam de louco por anunciar um aparelho “que falava e ouvia” à distância.
Ao avistar Pedro II, o “louco” do Gran Bell sugeriu que ele testasse o aparelho – que era o telefone. E vem daí a célebre frase do imperador brasileiro, em inglês fluente:
- My God! Its take! ( Meu Deus! Isso fala! )
O Brasil deve a Pedro II a Botânica, a Comunicação e Telefonia, a Metalurgia, as Artes Plásticas, a Economia, enfim, deve o protótipo de nação.
Pois bem; este homem que numa feira industrial nos Estados Unidos se transformou na primeira autoridade a atender uma ligação telefônica no mundo, e ainda mais feita pelo inventor do telefone, também era capaz de estar em Piranhas, no alto Sertão alagoano.
E isto no século 19!
Nos contatos com os cientistas com os quais se correspondia em vários idiomas, o imperador Pedro II soube dos projetos de geração de energia elétrica a partir de cachoeiras dragadas nos rios. Uma delas, especificamente para o Nordeste, era a cachoeira de Paulo Afonso Viveiros – o nome do dono das terras naquela região entre Alagoas, Bahia e Pernambuco.
Lá, sô o esmo da caatinga. Nada havia para acomodar o imperador e mesmo assim ele foi. Saiu do Rio de Janeiro, passou por Maceió, entrou no Rio São Francisco na direção de Penedo e seguiu até Piranhas – que é o ponto final da navegabilidade do São Francisco, a partir da foz.
Entre Piranhas e Petrolândia-PE, que se chamava na época Jatobá, não dá para navegar pelo São Francisco e o imperador Pedro II autorizou a construção de uma ferrovia ligando as duas cidades e, conseqüentemente, os dois estados.
A ferrovia, com 100 quilômetros, foi construída em 1 ano. Depois de tanto tempo operando, em 1964 foi desativada sob a alegação de que dava prejuízo, e pode voltar a receber o trem, hoje, porque a obra foi bem feita.
Hoje, quando se comemora em Piranhas a possibilidade da volta da ferrovia, ainda que com finalidade turística, é o momento de reverenciar a memória daquele que foi mais que um brasileiro ilustre. Foi também um visionário.
Viva o Imperador Pedro II!
Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.