Enquanto o Congresso Nacional e a sociedade, na base da “Maria vai com as outras” ,tenta verter água de um Cachoeira mudo, eles fazem a festa com o dinheiro da Copa do Mundo – que não é mais 50 bilhões de reais, agora são 70 bilhões de reais e deve passar dos 100 bilhões de reais até lá.
E quem são eles que fazem a festa com o dinheiro da Copa do Mundo?
São muitos; brasileiros, brasileiras e estrangeiros numa festa transnacional em comemoração a conquista antecipada da Copa do Mundo.
Sim, porque a Copa do Mundo é em 2014, mas já se sabe que a seleção brasileira será campeã do mundo jogando a final contra o Uruguai, no Maracanã. Confesso que vou torcer pela Argentina, mas para a disputa com o Brasil na final, só para melar a marmelada em curso.
E tudo isto vai custar aos brasileiros e brasileiras. mais de 100 bilhões de reais!
Vários elefantes brancos, iguais aos que ficaram da Copa do Mundo na África do Sul, serão efusivamente inaugurados para depois servirem de arena à disputa entre o Arranca-Toco e o Quebra-canela pelo campeonato estadual de Saramandaia.
Fico de cá a pensar: quantos Cachoeiras livres, leves e soltos não estão no negócio da Copa do Mundo! ...
Sim, porque Cachoeira no Brasil é igual a serpente da música do Silvio Rodrigues – a gente mata e aparece outra maior.
Mas, para fazer justiça, nada é tão trágico e mal assim. Imaginemos se o Congresso Nacional criasse uma CPI mista para investigar Pero Vaz de Caminha. Não haveria provas de conversas telefônicas, mas uma carta onde Pero pede vantagens ao rei.
Quem sabe vem daí, para o brasileiro e brasileira, o apego mórbido às vantagens que nem o Demóstenes Torres deixou passar.
Agora deixe!
Se não for derrotado na véspera pelas quatro pendências judiciais em curso, o ex-governador Ronaldo Lessa será o futuro prefeito de Maceió – é o que todos dizem.
Além dos votos que originariamente possui, Lessa tem o apoio do senador Renan Calheiros e, em tese, o apoio do prefeito Cícero Almeida.
Diz-se em tese, em referência ao apoio de Almeida, porque o prefeito ficou conhecido pela alternância de humor.
Almeida precisa sair do PP, senão estará impedido de subir no palanque de Lessa. Mas, até agora, só manifestou o desejo.
Pelo sim, pelo não, é aconselhável deixar o apoio do prefeito em stand by.
O quadro sucessório em Maceió se vislumbra como reflexo da disputa da eleição majoritária em 2010, no primeiro turno, com as três forças em ação: o governo do Estado, e os senadores Renan Calheiros e Fernando Collor.
Collor vai lançar candidato, e isto se ele próprio não for à disputa tendo como candidato a vice-prefeito o vereador Galba Novaes.
Tudo é possível e depende das nuvens – que mudam de posição constantemente. São várias as razões para Collor disputar a prefeitura e uma delas é a visibilidade que se projeta para 2014.
Outra razão é a manutenção do espaço.
Até o prazo fatal tudo pode acontecer; Renan e Lessa já se acertaram e Collor procura o rumo com duas perspectivas: o plano A e o plano B.
Pelo lado do governo, a estratégia de dividir para tentar somar à frente pode se inviabilizar diante da possibilidade de o Collor disputar a eleição. O risco de o candidato – na verdade, os candidatos – do governo não chegar ao segundo turno é grande.
O jogo apenas está começando, é verdade, mas já se pode antecipar alguns lances que vão influenciar na vitória ou na derrota.
A eleição em Maceió este ano é um jogo de xadrez e é preciso saber o lado certo para o qual se deve mover a pedra.
O município de Rio Largo foi o primeiro município brasileiro a eleger prefeito um operário, em pleno regime militar. Chamava-se Mário e era conhecido popularmente por “Mário Vaca”, e trabalhava na fábrica de tecidos da família Paiva.
Semi-analfabeto, “Mário Vaca” foi manipulado e praticou tanta estripulia que também se tornou no primeiro prefeito do país, da safra pós-1964, a ser preso por corrupção. Sem direito à prisão especial, ele ficou no xadrez comum no presídio estadual.
Morreu pobre porque, na verdade, roubaram em nome dele. Como era ele o prefeito, assumiu o ônus, foi cassado e viveu o resto da vida da caridade pública.
Rio Largo é assim: quem sabe por ser largo, o rio permite que os que navegam em suas águas sempre se deem bem.
O pedido de prisão para o prefeito e a prisão dos vereadores não é surpresa para ninguém, porque em Rio Largo é assim: se investigarem mais a fundo vão descobrir que o submundo está ainda mais embaixo.
Também vão descobrir uma rede de proteção às falcatruas praticadas lá, e que envolve pessoas que são pagas exatamente para impedirem os maus feitos no erário municipal. E isso é que é o pior.
Mas, partindo dessa ação pontual em Rio Largo, vamos dar um passeio por Alagoas nesse ano eleitoral para saber a situação nos demais municípios.
E quem souber de alguma falcatrua fale agora ou cale-se para sempre.
Pode-se dizer que é a complementariedade da mentira, que só existe porque existe a verdade? Não sei.
Digamos que a mentira é a verdade do mentiroso. Pode? Então a verdade é pessoal e intransferível, e cada um de nós tem a sua própria verdade – que pode ser mentira.
E o que importaria se os outros acham que é mentira se para cada um de nós a nossa verdade é a verdadeira verdade?
Nada importaria.
Deixando a profundidade de lado vamos aos fatos:
A Comissão da Verdade criada pela presidente Dilma para apurar a violência política de 1946 até 1984, na verdade, quer apurar mesmo os delitos praticados pelos militares a partir de 1964.
Troque-se pois, a bem da verdade, a milhar 1946, que contém os mesmos numerais de 1964. Não é verdade?
Talvez a verdade esteja na Matemática e somente só porque os números não mentem jamais, não é verdade?
É não. Os números, além de poderem ser manipulados pelos mentirosos, contêm enigmas que, ainda que verdadeiros, podem iludir o incauto.
Finalmente, onde está a verdade?
O trabalho da Comissão da Verdade vai exigir esforço hercúleo para manter o equilíbrio entre a verdade e a mentira, e isso pode parecer paradoxo, mas faz parte da verdade que se busca.
As vítimas que tombaram na luta contra o governo militar se destinam à eternidade como nódoa de um passado que teima em não querer passar, enquanto, para os militares envolvidos, tudo deve ser esquecido.
É assim sempre, desde Canudos, cuja cidade histórica submergiu no açude de Cocorobó porque testemunhava a história do massacre de fanáticos famintos pelo exército.
De vez em quando, a cidade submersa emerge com a seca, mas no máximo vem à tona a torre da igreja que Antônio Conselheiro construiu. A cidade atual de Canudos nada tem a ver com o arraial de verdade, que as águas do Cocorobó não conseguirá jamais desmentir.
Mas, e a apuração dos crimes recentes pós-golpe de 1964? Como fica? Até onde a Comissão da Verdade pode ir?
Se não há limites a obedecer, então a Comissão é de verdade. Se há limites, então a nação não vai ficar sabendo com quem está a verdade.
Ou melhor: se a verdade existe assim mesmo como se vai apresentar.
Falem a verdade: estão prontos para dar uma bicuda na ferida e reabri-la?
- “Até agora, nada o impede”.
Um jurista experiente com escritório em Brasília referendou a tese do advogado Marcelo Brabo, que garante a candidatura do ex-governador Ronaldo Lessa à Prefeitura de Maceió.
Alegando “questão de ética”, o jurista pediu anonimato na resposta à pergunta que lhe fiz sobre a condição de Lessa em relação à “Lei da Ficha Limpa” e se (Lessa) poderia se candidatar a prefeito.
-“Até agora, nada o impede”.
Foi exatamente isso o que o advogado Marcelo Brabo sustentou na contra-argumentação à argumentação do desembargador Orlando Manso – que sustenta o contrário.
O que pode impedir a candidatura de Lessa é uma condenação posterior às ações já julgadas contra ele. A possibilidade de isto acontecer antes da eleição de outubro existe, mas é mínima; Lessa está no rol de um processo coletivo.
São quatro processos contra Lessa que o Tribunal de Justiça deve julgar, mas não é certo que o faça antes do pleito.
Lessa é o candidato que “os caciques” gostariam de eleger numa composição que passa por 2012 com o foco em 2014, quando o senador Fernando Collor, por exemplo, terá de renovar o mandato ou disputar o governo do Estado.
Na mesma trilha, o senador Renan Calheiros tem sido fidelíssimo a Lessa desde a eleição de 2010 – e o próprio Lessa reconheceu isso.
Uma coisa é certa: Lessa é candidato a prefeito e gostaria que sua candidatura fosse a reedição do grupo de 2010.
Mas, se não for possível, Lessa não tem alternativa porque o tempo é o senhor da razão. E mais um tempo sem mandato, pode acabar perdendo a razão.
Numa madrugada dessas em que você aguarda o sono chegar e fica passeando com o controle remoto da televisão em busca de um “sonífero televisivo eficiente”, eu me deparei com um desses programas caça-níqueis em que tudo se faz em nome de Jesus – que, coitado, nada pode fazer contra os inquilinos que o pai Dele mandou para o mundo e que faturam alto em Seu nome.
Na cena de certa forma hilária aparecia um “exorcista” engravatado e transpirando tal qual tampa de chaleira, que anunciava estar retirando o Satanás do corpo de um ex-gay arrependido – e que, a partir dali, convertido, passaria a ser homem com agá.
-“Sai desse corpo em nome de Jesus!” – bradava o exorcista-punguista, o que me deixou na dúvida atroz em relação ao Diabo, do qual se diz tudo, menos que é também “veado”.
Fiquei a pensar: óxente! E o Diabo também é gay?
Dito isto quero observar que respeito os que se assumem na sua opção sexual e que não compactuo com discriminação nem tolero a posição da igreja, seja Católica ou Protestante, acerca da homossexualidade – que não é doença coisa nenhuma.
Doentes são aqueles que teimam em barrar a água descendo a ladeira. Imaginem a posição do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que se declarou favorável à união homossexual – e logo ele, Obama, um evangélico de raiz.
Obama quer se reeleger presidente e a maioria dos norte-americanos pensa exatamente ao contrário do que os religiosos pregam. Aliás, nessa disputa entre contra e a favor não entra apenas o exorcista, mas também alguns “pregadores da fé” que afirmam estar na Bíblia citações contra o homossexualismo.
Mentira.
E se por acaso alguém apresentar uma Bíblia que trate do homossexualismo, ainda assim há de se reparar duas coisas:
1) É uma Bíblia escrita no Paraguai.
2) Se, naquela época já se discutia o homossexualismo, então este não é caso de doença como querem fazer crer e sim de opção mesmo.
E, nisto, desmente-se a Bíblia do Paraguai e os seus seguidores que acham em tudo depravação e se esquecem das sete filhas que embebedaram o pai para transar com ele.
Agora pense em sete filhas depravadas!
Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.