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Postado em 09/01/2010 às 00:23

Cabo Verde é uma história de sucesso

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Cabo Verde é uma “história de sucesso” como país, no continente africano e nas relações com a União Europeia (UE), afirmou o chefe da delegação dos “27” na Cidade da Praia, Josep Coll, em entrevista ao jornal OJE e à agência Lusa. O responsável adianta que o país é de “rendimento médio e de crescimento rápido” e oferece “novas oportunidades de cooperação” aos parceiros externos.

Josep Coll, 52 anos, natural da Catalunha, justificou que Cabo Verde se tornou, por isso, “especial”, denominação “muito adequada” para qualificar o relacionamento com a UE, tendo sobretudo em conta o seu desempenho macroeconómico e social nas últimas décadas. “A graduação a país de rendimento médio - claramente uma história de sucesso no contexto africano de uma política de desenvolvimento bem gerida - , e a vontade de se incorporar e de contribuir no mundo global são elementos mais que suficientes para que a UE esteja presente no país e queira com ele trabalhar na procura da realização dos desejos de ambas as partes”, salientou.

Lembrando a adesão do arquipélago, em 2008, à Organização Mundial do Comércio (OMC), o antigo porta-voz das Relações Exteriores da Comissão Europeia (CE) realçou que Cabo Verde já participa nas discussões dos grandes temas globais, tais como as mudanças climáticas ou a promoção da estabilidade regional, mas não se aventurou em considerações sobre se o país poderá atingir outro patamar nos “27”.

“A Parceria Especial (com a UE) enquadra e estimula este encontro de vontades. É um processo de aproximação jovem, que está a desenvolver-se com a plena satisfação de todos os intervenientes. Só o futuro poderá dizer se serão necessários outros espaços de conjunção entre a UE e Cabo Verde. Ambas as partes estão a construir este futuro”, sublinhou.

Formado em Ciências Políticas e Relações Internacionais e na Cidade da Praia desde 23 de Março de 2007, depois de chefiar a representação da CE em Barcelona, Josep Coll defendeu que a parceria especial “é exemplar” e que o clima de oportunidades de negócio é “elevado”.

“Cabo Verde demonstrou, solicitando à UE, o estabelecimento de uma Parceria Especial, um nível de ambição, empenhamento e responsabilidade políticos que gostaria de salientar por ser ímpar e indicativo da capacidade deste arquipélago em olhar longe, sem limites e de uma forma desinibida. Neste âmbito, o desempenho do país na formulação, construção e gestão da Parceria está a altura destas pretensões”, sustentou.

No entanto, Josep Coll recordou que a parceria tem somente dois anos e que, por isso, se torna “difícil” fazer um balanço das acções já realizadas, embora tenha salientado que a mobilidade, segurança, estabilidade e boa governação estejam no caminho certo.

Para o futuro, estão já definidas “acções de reforço” em outras áreas como a cooperação regional, a convergência normativa e técnica e a sociedade de conhecimento, não perdendo de vista o Programa de Reforma do Estado, proveniente da Agenda de Transformação promovida pelo Governo.

“Cabo Verde, país de rendimento médio e de crescimento rápido, oferece novas oportunidades de cooperação aos parceiros externos. É o caso do sector do ambiente de negócios, onde uma boa cooperação entre o sector privado e dos negócios de Cabo Verde e das organizações empresariais europeias pode resultar muito frutífera”, concluiu.

 

Tags: Cabo Verde,investimentos,crescimento
Postado em 08/01/2010 às 18:20

Um feliz 2010 para Boris Casoy

Escrito por Negro Jobs

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Um episódio lamentável chamou minha atenção na semana passada. O apresentador Boris Casoy, um homem de reputação ilibada e de grande importância para a sociedade, considerado um dos jornalistas mais conceituados da TV brasileira, desferiu um duro golpe contra os garis no último dia do ano. Vejo que a manifestação elitista e preconceituosa dele não condiz com a liberdade de imprensa ou de expressão. No ar, mas sem querer que fosse divulgado, Boris Casoy disse que nós, os garis, somos "merda". Sem saber que o áudio estava sendo transmitido, ele realizou um comentário pelas imagens passadas em seu próprio jornal. Dois garis, de forma gentil e humilde, desejaram feliz 2010 para todos. Foi o bastante para que Casoy realizasse o seguinte comentário: "Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho".
Penso na dignidade da pessoa humana, no sentido da vida e no que realmente somos e para onde todos vamos quando chegar nosso último minuto aqui na Terra. A primeira sensação que tive foi de humilhação frente aos meus filhos, parentes, vizinhos e amigos. Porque ainda sou e vou continuar sendo gari. Não é uma eleição para vereador, que é cargo passageiro, que mudará minha vida, minha origem e meus laços de amizade. O meu gabinete, vira e mexe, tem a presença e visita de garis. Portanto, não falo aqui com demagogia: sou gari. Permaneço fiel aos meus companheiros. Lutei e luto pelo plano de saúde, pelo plano de cargos e salários e pelo fim de perseguições e demissões sem direito de defesa de nossos companheiros. E quando vejo um jornalista do gabarito de Boris Casoy externando seus comentários, sincera mente, fico chateado e indignado. Boris é um dos heróis que tive na imprensa, uma pessoa que me motivou a andar pelas ruas e repetir seu bordão: "Isto é uma vergonha!". Considero você, Boris, ao lado de grandes nomes da televisão brasileira, como Jô Soares, Paulo Francis e Silvio Santos.
Acho que suas desculpas no dia seguinte foram simples frente à gravidade de seu comentário, que ficará registrado para sempre na internet. Acho que toda pessoa é vulnerável, passível de erro. E, sim, ainda continuo acreditando em Boris. Acredito que ele é um ser em aperfeiçoamento, apesar de grande homem. Mas como representante dos garis preciso desabafar e explicar para você, Boris, que tais expressões ("merda" e "lixeiro") não podem representar seu caráter, caso contrário estaremos diante de um potencial criminoso, um racista com poder de emissão de informações, um sujeito individualista e hipócrita. Falo em nome de todos que limpam essa sujeira produzida pela sociedade, que ainda está longe de ser civilizada quanto ao tratamento do lixo que produz. Não que seja melhor que os demais colegas. Acontece que ocupo cadeira na Câmara Municipal de Goiânia e tenho mais acesso aos meios de comunicação e informação. Por isso hoje mesmo ligarei para a TV Bandeirantes e pretendo falar com o apresentador, requisitando que aprimore seu espírito em evolução e peça desculpas com um grau maior de elaboração. Acredito que Boris não pode simplesmente pedir desculpas, como fez, e continuar sua vida normalmente. Deve estender suas reflexões, aprimorar seu espírito, direcionar sua atuação para comportamentos menos preconceituosos e integrar entidades da sociedade civil que lutam pela igualdade de direitos entre todos - sejam homossexuais, sejam deficientes físicos, negros ou garis.
Em sua manifestação monstruosa, Boris censurou internamente um direito dos garis expressarem "feliz 2010". Quer dizer: o médico e a professora podem desejar um bom 2010 para todos, mas os garis não? Qual o problema com o gari, Boris? Não é gente? Não trabalha? Não desempenha sua função corretamente? As ruas estão, por acaso, sujas? Se explique melhor, querido. Você merece o perdão do gari brasileiro. Mas deve se informar: não somos comedores de carniça nem estamos na última escala do trabalho. Porque, senhor jornalista, no Brasil vale é a lei. E a lei não escalona o trabalho humano. Realizamos a limpeza do planeta. Você nos informa. Garis existem nas ruas da África, da Europa ou Ásia. Se somos predestinados a limpar o mundo e você a informar, apenas cumprimos funções diferenciadas dentro da sociedade. Desejo ruas mais limpas, imprensa sem sujeiras e parlamento limpo. Quero ter minha consciência limpa e livre do materialismo que possivelmente motivou a infeliz reflexão. É isso, Boris, que desejo para você em 2010: prosperidade, saúde, riqueza e bom senso em seu trabalho.
Na medida em que assimilei as suas palavras na TV Bandeirantes senti um orgulho caloroso no peito. E jamais expressões como essas (\'lixeiro\', \'baixo\', \'merda\'), que ouvimos nas ruas todos os dias, irão nos afetar. Somos fortes. Trabalhamos com o sol cortando nossa pele. Enfiamos a mão na matéria decomposta. Imploramos por um copo de água nas ruas. Mas acredito que nenhum gari vai se sentir menor por isso. E sabe o motivo, Boris? Porque existem garis com mestrado, doutorados e pessoas ainda mais qualificadas em estudo que você. Elas exercem com dignidade um trabalho que deveria ser motivo de orgulho para todos. Todos nós, com faculdade ou não, com respeito dos vizinhos ou não, somos trabalhadores honestos, vitoriosos por vencer uma prova de concurso público e dignos de termos nossa importância. O preconceito existe. E vamos lutar contra ele. Definitivamente, não é uma vergonha ser gari, Boris. Enfim, feliz 2010.
 

 

Tags: elite,preconceito,mídia
Postado em 08/01/2010 às 18:04

Benjamim de Oliveira: O primeiro palhaço negro do Brasil

Geledés Instituto da Mulher Negra

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Benjamim significa o filho da felicidade e Benjamim de Oliveira, negro, criança ainda quando a Lei Áurea imperava em território nacional, abandonou o lar aos 12 anos e juntou-se à trupe do Circo Sotero, atuando em números de trapézio e de acrobacia, fazendo nascer o primeiro palhaço negro do Brasil e, de acordo com o pesquisador Brício de Abreu, o primeiro palhaço negro do mundo.
Além de seus números de clown e acrobacia, Benjamim cantava, atuava e até escreveu peças de teatro. Suas múltiplas habilidades o transformaram, também, no primeiro artista negro do cinema brasileiro. "Minha existência poderia ter ficado encoberta pelas muitas montanhas que encobrem as Minas Gerais se, um dia, uma trupe de circo não tivesse passado por lá", disse ele um dia.
Benjamin Chaves, posteriormente conhecido como Benjamin de Oliveira - "Oliveira" adotado do nome do artista Severino de Oliveira, seu orientador no circo -, nasceu em Pará de Minas, no estado de Minas Gerais, no dia 11 de junho de 1870. Foi o quarto filho de Malaquias e da escrava Leandra. Encerrou sua carreira no circo na década de 1940 e morreu no Rio de Janeiro em três de maio de 1954.
No começo, no lugar de gargalhadas, ouviu vaias. Resistiu e transformou-se no principal nome do circo brasileiro, sendo aclamado como o rei dos palhaços no Brasil e respeitado por homens de teatro como Procópio Ferreira.
O circo-teatro, introduzido no Rio de Janeiro por Benjamim Oliveira, teve o seu apogeu entre os anos de 1918 e 1938. Ele começou com paródias de operetas e contos de fadas teatralizados, chegando à apresentação de peças de Shakespeare e á representação de Cristo, na Semana Santa. Essa versatilidade fez com que a obra de Benjamim de Oliveira marcasse uma revolução no circo brasileiro.
Nos entreatos cantava lundus, chulas e modinhas, especialmente de seu amigo Catulo da Paixão Cearense, acompanhando-se ao violão. Deixou gravadas algumas músicas na Columbia, por volta de 1910, como o monólogo Caipira mineiro, os lundus As comparações e O baiano na rocha, este em duo com Mário Pinheiro.


Para saber mais:
Benjamim, o filho da felicidade, de Heloísa Pires Lima da Coleção De repente, com histórias de vidas que mudaram da noite para o dia. Entre a Europa e a África: a invenção do carioca, de Antonio Herculano Lopes, Topbooks
As múltiplas linguagens na teatralidade circense - Benjamim de Oliveira e o circo-teatro no Brasil no final do século XIX e início do XX, tese de doutorado Unicamp, de Ermínia Silva
Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, de Nei Lopes, Selo Negro,
O circo no Brasil, de AntonioTorres, Funarte/AtraçãoRevista da Semana 07/10/1944

 

Tags: palhaço,negro,circo
Postado em 08/01/2010 às 17:55

Apresentador Boris Casoy irá responder na Justiça por crime de preconceito

Fonte: Correio Web

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SOS Racismo - Notícias


Duas entidades representativas anunciaram que vão entrar com três ações contra o apresentador Boris Casoy — uma delas criminal — e duas contra a TV Band. Nos processos contra emissora e jornalista, o Siemaco (Sindicato dos Trabalhadores de Empresa de Prestação de Serviço de Asseio e Conservação e Limpeza Urbana de São Paulo) e a Fenascom (Federação Nacional dos Trabalhadores em Serviços, Asseio e Conservação, Limpeza Urbana, Ambiental e Áreas Verdes) vão pedir indenização de reparação civil em nome dos dois garis, Francisco Gabriel e José Domingos de Melo, cujas aparições no “Jornal da Band” motivaram as declarações de Boris; e por danos morais, em favor de toda a categoria.

A ação criminal, impetrada somente contra o apresentador, é por crime de preconceito. O valor do ressarcimento não foi estipulado pelas entidades, que preferiram deixar a decisão ao juiz que analisará o caso.
 

Tags: ação,discriminação,justiça
Postado em 08/01/2010 às 17:14

"Quem é de Axé diz que é!'

Marcio Alexandre M. Gualberto

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Segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge), apenas 0,3% da população geral do país (525 mil pessoas) se declaram praticantes de religiões de matrizes africanas, sejam elas o candomblé, a umbanda, o omolocô, o tambor de mina, o batuque entre outros elementos que formam o grande mosaico da religiosidade brasileira que se origina no continente africano. É interessante notar, no entanto, que festas como as de Yemonjá, tanto no Rio quanto em Salvador, as caminhadas que a cada ano se ampliam em todo o país, os dizeres e crendices populares, a literatura, o cinema e a tv, entre tantas outras manifestações brasileiras reconhecem nao só a existência da religiosidade de matriz africana como, também, mobilizam milhares, às vezes milhões de pessoas em torno de um festejo, da entrega de oferendas, do vestir-se de branco e do uso de fios-de-contas.

É perceptível que o temor da discriminação, a vergonha por praticar uma religião que é taxada como primitiva ou coisa de "negros e ignorantes" entre outros elementos faz com que milhares de pessoas não assumam sua religiosidade em público, não se orgulhem de sua prática de fé ou, como diz mãe Stella de Oxóssi, "é o caso de pensar se a pessoa tem algum problema, já que tem cargo ou função dentro da casa de santo mas para fora vai dizer que é católica", por exemplo.

Visando resgatar a auto-estima do praticante de religião de matriz africana e dar visibilidade maior ao número de praticantes em todo o país, o Coletivo de Entidades Negras (CEN) lançou na semana do 20 de novembro de 2009, durante a I Caminhada Nacional Pela Vida e Liberdade Religiosa, em Salvador, Bahia, com o apoio de diversas outras organizações sociais do Movimento Negro, a campanha "Quem é de Axé diz que é!

Esta campanha, cujo mote diz "Neste Censo, declare seu amor ao seu Orixá/Diga que é do Santo, diga que é do Gunzu, diga que é do Axé/Pois quem é de Umbanda, quem é de Candomblé/Não pode ter vergonha, tem que dizer que é!", buscará falar ao praticante de cada uma das vertentes religiosas de matriz africana no país, buscará valorizar o fazer religioso, buscará afirmar a identidade religiosa de cada homem, mulher e criança que pratica a religião.

O CEN acredita que esta campanha possibilitará uma alteração substancial nos números do Censo e, ao mesmo tempo, dará elementos para que novas políticas públicas sejam criadas especificamente para o povo-de-santo, uma vez que, havendo uma real impressão sobre a totalidade de praticantes no país, se terão elementos à mão para formular e aplicar estas novas políticas.

Para o CEN, a campanha "Quem é de Axé diz que é!\' será um passo importante também para o combate à intolerância religiosa uma vez que ao assumir sua religiosidade, seu praticante, tendo sua auto-estima elevada, adotará cada vez mais os elementos visíveis desta afirmação de identidade e, ao mesmo tempo constrangerá aqueles que fazem da intolerância ou do desrespeito religioso uma ação cotidiana.

Marcio Alexandre M. Gualberto
Coordenador Nacional de Política Institucional do
Coletivo de Entidades Negras - CEN - http://www.cenbrasil.org.br/
 

Tags: campanha,afirmação,religião afro
Postado em 08/01/2010 às 17:04

Dois Pesos, Duas Medidas

http://naosomosracistas.wordpress.com

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Um exercício interessante para conhecer melhor a dinâmica das relações raciais no Brasil pode ser feito a partir do cruzamento de trajetórias e experiências distintas entre negros e brancos no trato com o Estado, principalmente, se forem de classes sociais diferentes.
A primeira experiência que sugiro é a leitura da sentença onde a Magistrada Geiza Diniz de Brasília absolveu o estudante universitário Marcelo Valle, branco, de classe média, acusado de racismo. Posteriormente, o Ministério Público recorreu da sentença e o estudante foi considerado culpado pelas acusações, em segunda instância, no caso conhecido como Marcelo Valle. Ele costumava se referir aos estudantes negros cotistas como “macacos”, “bosta” e dizia que eles roubavam as pessoas nas ruas e agora estariam roubando vagas nas universidades.
Uma experiência completamente diferente pode ser vista no documentário Justiça (2004), de Maria Augusta Ramos, que mostra o dia-dia do sistema penal no Rio de Janeiro. A cineasta acompanha interrogatórios, julgamentos e cenas da vida cotidiana de jovens negros moradores de favelas acusados de crimes como furto, roubo ou tráfico de drogas. Desde a instrução dos processos até a decisão final, fica nítido o caráter austero e simplório com o qual os magistrados definem o futuro das pessoas. Não se percebe ao longo do filme nenhum exercício de alteridade ou mesmo a disposição para ouvir as narrativas dos acusados, como se suas histórias fossem sempre as mesmas. Além disso, os mecanismos institucionais criados para garantir a ampla defesa, quando não eram ignorados eram utilizados de modo cerimonial.
Por outro lado, no caso Marcelo Valle, analisado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, a Juíza chega a uma conclusão decisiva para a reflexão que proponho:
“É temerário que o juiz se abstenha de levar em consideração tais aspectos da psicologia criminal que, aliás, se tornou uma disciplina de muitos cursos de direito. O juiz de primeira instância tem contato direto com o acusado e todas as testemunhas e, assim sendo, pode concluir, como ora o faço, que o acusado Marcelo não é uma pessoa racista, mas sim um adolescente portador de transtorno emocional, que viveu toda sua vida sem uma orientação masculina, tendo uma mãe portadora de transtorno psiquiátrico e vivendo ora com ela, ora com a avó.”
O argumento citado não deixa dúvidas, existem dois tipos de atendimento judiciário no Brasil, um privilegiado e voltado para a classe média branca – já que os ricos parecem seguir inimputáveis – e busca compreender as origens do comportamento criminoso, as vulnerabilidades que os acusados de crimes estão suscetíveis ao longo de suas vidas e o risco que uma pena poderia causar para o futuro de um adolescente. No caso Marcelo Valle, a Juíza vai além, ao afirmar que o jovem seria vítima do movimento anti-racista em função da política de cotas para negros na UnB:
“‘Cotas geram ódio racial’ O presente processo é fruto de um ódio racial criado pelo sistema de cotas raciais para ingresso nas universidades públicas.”
Enquanto isto, em Justiça o procedimento é padrão, ou seja, dois pesos, duas medidas.

 

Tags: racismo,discriminação,justiça