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Postado em 26/07/2011 às 12:21

Zeneto: o telegrafista que virou cronista

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Zeneto: o telegrafista que virou cronista

Portal Maltanet

Goretti Brandão

Conversei em entrevista com José Peixoto Noya, conhecido como Zeneto, que lançou no último sábado, 23, o seu primeiro livro de crônicas, intitulado: O Marechal que Virou Major. Natural de Santana do Ipanema, filho de Darras Noya, chefe dos Correios por 30 anos e que tem o seu nome dado ao Museu de Arte da cidade, e de dona Marinita Peixoto Noya, outrora diretora do histórico Grupo Escolar Padre Francisco Correia e uma das primeiras professoras estaduais, o cronista aposentou-se como funcionário público federal. Foi telegrafista do antigo Departamento dos Correios e Telégrafos, e encerrou a carreira, no antigo Departamento Nacional de Estradas e Rodagem, atual DNIT.

“A “turminha” de Santana na década de sessenta em diante era muito unida, principalmente quando o motivo era falar dos outros em uma boa farra, geralmente no Cabaré de Jaraguá, a única Universidade do gênero em que se valia a pena freqüentar.” (da crônica: Boate São Jorge)

Zeneto começou escrevendo crônicas sem a intenção de ser cronista. Muitos dos seus textos encontram-se no Portal Maltanet, que tem oportunizado espaços em seu site, aos conhecidos talentos da cidade, além de revelar outros. A ideia de publicá-las surgiu naturalmente.

O autor, como todo bom cronista, lança múltiplos olhares sobre temas próprios do seu tempo, registrando histórias pitorescas de pessoas reais, que se tornam através da literatura, personagens principais de casos hilariantes, reveladores, frutos da construção do ser humano.

Sua crônica tem o poder de requisitar e extrair do cotidiano, figuras que nasceram, trabalharam e viveram sua existência, principalmente em Santana do Ipanema, como o palco que abrigou as inúmeras vivências, que sem serem colhidas e transformadas em livro, passariam silenciosas sob o manto que esconde idiossincrasias; essa forma de ver, de reagir e sentir de cada um.

A leitura dos seus escritos concede ao leitor entrar pelos recortes feitos da memória. Seus relatos pontuam parte da história santanense exposta à temporalidade, esculpidos nas ações do povo da sua terra, numa abrangência tal que inclui os mais diversos setores sociais da cidade. Zeneto traz para o presente a vida de conterrâneos, seus serviços prestados à comunidade, e nos coloca ao mesmo tempo, dentro desses lugares, agora, atemporais.

Para o autor, o livro tem essa missão: a subversão do tempo, como objeto de recuperação de cenas prosaicas da vida cotidiana, através da edição de feitos e casos passados. O cinturão, Mané Buchudo, No Fim do Fio do Espinhaço, são algumas das crônicas do autor as quais li recentemente. Tratam de histórias que envolvem lembranças parentais, de funcionários públicos e amigos. São entremeadas de detalhes sobre o funcionamento de repartições, datas, cenários.

Zeneto, enfim, nos contempla e compartilha conosco do vigor da sua memória, com a história, e nos deleita com suas saudades, que nos tomam, deliciosamente.
Vale a pena conferir!
 

Postado em 11/07/2011 às 12:09

As escolhas determinam quem somos

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Goretti Brandão

A tarde de ontem foi uma daquelas: tipicamente hibernais. A chuva e o frio chegaram juntos. A casa vestida sobriamente mergulhou-nos em sombras próprias e em um silêncio quebrado por pingos rítmicos e pesados, de quando as águas se precipitam fortes sobre os telhados, e caem no chão. O inverno parece que chegou de verdade por aqui. Esses dias teimam em me levar de volta ao passado. Ontem, porém, acomodei as lembranças num lugar bem cuidado da memória e escolhi ver filmes.

Vi duas histórias que envolvem conflitos humanos, sob dois aspectos diferentes, mas que no final caracterizam as escolhas que estão sempre nos sendo ofertadas pelas circunstâncias da vida. Ao final, aquilo me fez pensar sobre que escolher algo, pressupõe estarmos diante de mais de uma oferta. E que cada uma delas aponta para caminhos diferentes, possibilidades diferentes, resultados diferentes. Muitas vezes, senão todas, escolher é arbitrar conflitos.

Decidir implica em colocarmos na balança, muito mais que pesos e duas medidas. Como fazemos nossas escolhas? Quais os parâmetros para decidirmos entre uma coisa e outra? Toda a intenção para situar a importância de sabermos escolher, passa pelo crivo de termos consciência de que a todo instante estamos diante de opções e de identificá-las. O certo é que os caminhos que fazemos no decorrer da vida, sempre nos levam a alguma coisa, a algum lugar ou a lugar nenhum.

E o pior é que só numa determinada altura da vida, é que surgem, para valer, os questionamentos em busca de premissas, que justifiquem o onde, o quando e o porquê, de estarmos em determinado lugar ou situação. De sermos o que somos, satisfeitos ou não com isso. É nesse ponto nevrálgico que nos apercebemos que as escolhas sempre existiram e que muitas vezes não tivemos a clareza de enxergá-las. É que nunca ou quase nunca, demos atenção a isso.

Nascemos e fomos ‘escolhidos’ desde muito cedo, pelas verdades do senso comum, arraigadas por processos culturais estanques, por instituições políticas e ideológicas, sociais e religiosas preexistentes, por valores familiares ‘hereditários’ transmitidos, que juntos e com seus dedos em riste, nos apontaram os caminhos para fazermos estradas, o modo de vida para seguirmos, e até os modelos de felicidade que não ousamos sequer duvidar. A possibilidade de livrar-se dos véus da ilusão, do emaranhado e arcabouços estruturais que nos prendem - ao que parece -, só se dá quando caminhamos lá pela metade da vida.

A existência do humano meteu-se em mecanismos cruéis. São eles que escolhem a vida que teremos, antes mesmo de conhecermos o que significa escolher. A verdade é que muita gente pode bater o pé e dizer que vivemos a liberdade de escolha. Escolhemos a roupa que compramos e o livro que lemos. O filme que vamos assistir e o carro que adquirimos. Mas não compreendemos nem conhecemos, a influência de sob qual signo, as nossas escolhas vão sendo orientadas.

O índice, como signo, aquele que reina num mundo de constante simulação, supõe que o conhecimento de algo pode não ser provável de acontecer ou mesmo ser, senão em aparência muito reduzida. A verdade é que somos impregnados e influenciados em todas as extensões dos nossos atos, quando nossas escolhas não estão submetidas aos níveis de consciência e conhecimento de juízo de valor pessoal.

Hoje amanheceu chovendo forte. Nem sempre uma manhã sombria é determinante para que se acredite que choverá o dia inteiro. Agora mesmo, contrariando o que quase tive certeza de que iria acontecer, o sol apareceu... Isso é tão-somente um detalhe. Chovendo ou não, escolho, para hoje à tarde, entre me refugiar nas lembranças do passado ou assistir outros dois filmes, a segunda opção. Quero estar envolvida com as leituras de imagens que me darão a possibilidades de pensar a vida no tempo presente.
 

Postado em 11/07/2011 às 09:01

Secretaria de Estado da Saúde promove Oficina

A redução da mortalidade materna e infantil é um dos assuntos abordados

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Goretti Brandão

O Núcleo de Vigilância do Óbito realizará amanhã (12), a abertura da Oficina de Grupos Técnicos para a Análise e Encerramento de Investigação de Óbitos Infantis, Fetais e Materno. O local do acontecimento é no Auditório da Faculdade Tiradentes (FITS), a partir das 8h. O endereço é: Av. Gustavo Paiva, s/n, no bairro de Cruz das Almas.

Trata-se de um tema muito importante, por estar relacionado à redução da mortalidade materna e infantil, como informa Maria das Graças Correia dos Santos, da Assessoria Técnica da SUVISA/SESAU. Participarão do evento, representantes da Vigilância epidemiológica e atenção primária, dos 16 municípios alagoanos prioritários, para a citada redução e dos Núcleos Hospitalares de Vigilância Epidemiológica.

Outro evento acontecerá no próximo dia 15, na Escola Maternidade Santa Mônica, às 9h. Também de muita importância, os temas em discussão estarão voltados para o Hospital Amigo da Criança.
Para maiores informações o telefone de contato com a Assessoria Técnica do órgão é:
(82) 3315-1109/1110
 

Postado em 07/07/2011 às 09:36

Sai a programação da 49ª Festa da Juventude em Santana do Ipanema

Em time que está ganhando não se mexe

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Goretti Brandão

Ontem (6), Santana do Ipanema, através da prefeita Renilde Bulhões, convocou a mídia local para anunciar a programação da 49ª Festa da Juventude/2011. A principal e talvez mais esperada informação trata-se da atração Cavalo de Pau.

O evento não vai acontecer. Decisão de bom senso, pelo menos até que o acontecimento seja - pelo menos como querem alguns -, transformado em esporte, atendendo a regras e normas próprias. Agora é esperar para ver a recepção e os efeitos dessa notícia sobre os fiéis freqüentadores da festa. A comissão organizadora tem às mãos um excelente termômetro, quando da avaliação dos resultados no final do período festivo.

Diante da suspensão da atração, os jovens santanenses, ao que parece, nada fizeram ainda para preencher essa lacuna, já que partiu dos próprios jovens de anos atrás, a ideia da brincadeira. É de se imaginar com isso que a frustração foi superior, e em muito, à aceitação do desafio, de tentarem reinventar ou criar uma nova atração. Talvez nenhuma outra ‘diversão’ seja tão detonadora de adrenalina como aquela. Mas, para a alegria da maioria, não faltarão os shows que atraem tanta gente.

Seguindo a mesma pauta e orientação dos anos anteriores em sua programação, a Festa da Juventude traz os mesmos ingredientes das outras edições. É isso: Se a opção em editar a receita de sempre, garante a satisfação da maioria, é ela quem vence. Afinal... Em time que está ganhando, não se mexe, já diz o velho ditado.

Aí está a tão esperada programação:

11.07.11 - Segunda-Feira
Local: Tênis Club Santanense
18h00 – Torneio de Buraco

12.07.11 – Terça-Feira
Local: Tênis Club Santanense
18h00 – Torneio de Buraco

13.07.11 – Quarta-Feira
Local: Ginásio de Esporte Cônego Luiz Cirilo
19h00 – Torneio de Futsal

14.07.11 – Quinta-Feira
Local da saída: São José da Tapera para
S. do Ipanema
09h30 – Corrida Ciclística
Local: Olho D’Água das Flores para
S. do Ipanema
15h00 – Corrida Pedestre

15.07.11 – Sexta-Feira
Local: Praça Dr. Adelson Isaac de Miranda
20h00 – Escolha da Rainha da Juventude
Show Artístico
21h00 – Garota Safada
23h00 – Galã
01h00 – Soddy Guetto

16.07.11 – Sábado
Local: Largo Cônego José Bulhões
12h30 – Corrida de Jegues / Desfile de Carroças de burros
Local: Tênis Club Santananse
13h00 – 12º Reencontro da Festa da Juventude
Local: Largo Cônego José Bulhões
14h30 – Competição de Som
Show Artístico
Local: Praça Dr. Adelson Isaac de Miranda
20h00 – Jorge de Altinho
23h00 - Eliane
02h00 – Rafael e Gabriel

17.07.11 – Domingo
11h00 – Gincana Motociclística
14h00 – Gincana Automobilística
Show Artístico
Local: Praça Dr. Adelson Isaac de Miranda
21h00 – Saia Rodada
23h00 – Calcinha Preta
01h00 – Max Lima
 

Postado em 04/07/2011 às 16:56

À minha gente de Pão de Açúcar: Agora é a vez de pensar o futuro

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Goretti Brandão

O Iate Clube Pão de Açúcar foi palco da mais importante celebração do aniversário de 400 anos da fundação da cidade. As famílias foram chegando e encheram a pracinha em frente ao local. Já ali tinha início os momentos de grande emoção entre os conterrâneos, a alegria do encontro, os abraços fraternos e as conversas animadas. Às 19h do dia 1º de julho tivemos, a gente de Pão de Açúcar, o extremo orgulho de sermos filhos do Espelho da Lua.

Acomodados no salão do clube, misturamos os tempos, num grandioso momento metalingüístico: uma história acontecendo para fazer a leitura de outra já feita. Presentes e ausentes estivemos unidos pela memória. Os homenageados receberam por direito, o justo merecimento de saírem das fronteiras erigidas por aqueles que criam títulos de honra para alguns poucos, geralmente políticos ou ‘bem-nascidos’, e deixam os demais no esquecimento, como simples figurantes de suas narrativas de privilegiados. A cidade é feita por todos.

A festa ressuscitou ausências. Para cada nome evocado, delirávamos em nossas saudades, à memória dos seus rostos, das suas características, da sua função social. Pedreiros, pescadores, professores, artesãos, músicos, o artista Joãozinho Lisboa, poetas, médicos, serviçais da saúde pública do antigo F-SESP. Quem pode esquecer a saudosa Lu, a merendeira do Bráulio Cavalcante? Além dela, conosco estavam todos aqueles que resgatamos pela lembrança do nosso afeto e reconhecimento.

Mas é também grande o sujeito que perambula pelas ruas. O pedinte e o louco que se tornam presenças emblemáticas no cotidiano do lugar, e que fazem parte de nossas saudades quando desaparecem. À minha geração, Maria-Doida, Cassimiro, além de tantos outros, produziram cenas e pérolas espetaculares para uma espécie de ensaio literário virtual, que resiste no imaginário da população, através de atitudes e comportamentos, extravagâncias e excentricidades, que jamais passariam despercebidos por nós.

Faço questão de salientar e fazer jus, à figura legendária de Rosa de Lia, negra centenária, da qual sinto orgulho de ter sido sua amiga íntima. Ela, que conhecia como ninguém, o retrato e a alma da cidade, as famílias que habitavam a Pão de Açúcar do final do século 19, as histórias pitorescas, além de ter sido a memória viva das gentes e da terra de Jaciobá, tão mal aproveitada por todos nós. Foi-se com ela, sem sombra de dúvida, o maior cabedal de um tempo, que faz parte do arquivo morto, ficando na condição que meu grande amigo, o poeta conterrâneo Zé Paulo, nomeia como ‘desvio de cultura’.

É o ponto negro que surge do vácuo da ausência da ‘fotografia’ de certo período da vida da cidade. Nele, ficam soterradas as pessoas, suas produções de cunho artístico, cultural, etnográfico. É por isso que Pão de Açúcar precisa de imediato, conferir e preservar feitos e nomes do presente, trazendo para a realidade tangível os fatos e os elementos que marcam a sua trajetória. Isso requer a criação de instituições que materializem, atualizem, agreguem e legitimem a alma do seu povo. Como faremos isso acontecer?

Em 2011, poetas, músicos, artistas, artesãos, escritores, médicos, loucos, populares, também estão atualizando, construindo e escrevendo as páginas da vida em Pão de Açúcar. Quem é a essa gente? Quem são essas personagens? Parabenizo a iniciativa dos gestores públicos e da sua equipe de assessores, pela bela iniciativa, decerto inesquecível para todos nós. Agora é a vez de recolher, cuidadosamente, tudo aquilo que constará das futuras memórias para as novas gerações. Não há tempo a perder!

 

Postado em 30/06/2011 às 11:11

O baluarte vivo do folclore e da alma de Alagoas

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Goretti Brandão

Durante a programação que marcou os festejos juninos em Santana do Ipanema, na noite do dia 21, o encerramento das apresentações ficou a cargo do Balé Folclórico de Alagoas, do Grupo TRANSART. Sempre fico maravilhada quando vejo rapazes e moças se movimentarem em cena. Emocionada, como alagoana, amante dos folguedos folclóricos do meu lugar, e interessada, como jornalista, observadora social, em ver nos rostos dos expectadores, em especial em seus olhares e sorrisos, suas mais variadas expressões. Posso afirmar que são muitas e variadas. Mas todas elas, sem exceção, irradiam empatia com o que vêem.

Quem não gosta de apreciar a beleza de um espetáculo cheio de cores, danças coreografadas, figurinos e músicas do cancioneiro popular alagoano? As manifestações folclóricas, quando evocadas, trazem até nós modelos de pura alegria, de uma festa que nasce do coração e da alma do povo e tem a magia de nos levar ao encontro das emoções dos nossos antepassados. Elas nos lembram da capacidade que o homem, e só o homem tem, de criar beleza, de marcar sua presença na jornada da vida, fazendo da arte, o lugar da sua imortalidade.

As apresentações folclóricas, como parte do universo artístico, oferecem momentos de constatação do lado iluminado do humano, e é como se nos aproximasse da perfeição e dos propósitos da divindade. Convida-nos à sensação de um arrebatamento íntimo de profunda numinosidade, e nos coloca de frente à possibilidade da experiência do sagrado. Em maior ou menor grau, o semblante da assistência, composta de crianças, jovens, adultos e idosos, ali na Praça Dr. Adelson Isaac de Miranda, no centro da cidade, refletia que de alguma forma, as pessoas haviam entrado em contato com algum tipo de sensação.

Há uma infinidade de elementos, todos extremamente pessoais, que nos levam a tomar posse de um espetáculo. Quanto mais se tem conhecimento, mais se aguçam os sentidos, que ampliam a nossa capacidade de compreensão e de sentimento às coisas que se nos são apresentadas. Isso é verdade. A própria fruição, o prazer e o significado de uma experiência, variam de pessoa a pessoa. Naquele instante maravilhoso, cheio de tanta energia, cada um se emocionou de uma forma única. Quantas pessoas se sentiram tocadas pela energia transmitida do padrão humano do rigor da ancestralidade? Quem valorou o balé folclórico, como um baluarte vivo do folclore alagoano?

Para a maioria, entretanto, aquilo pode não ter passado por agregação metafórica nenhuma, ficando reduzido à primária emoção bem superficial, provocada apenas pela beleza da exibição. Contando apenas como mais um divertimento, talvez excêntrico e provisório. Isso quer dizer, não simbolizado, consumido simplesmente, sem que se tenha nenhuma ligação mais profunda e consciente daquilo. Muitos não alcançaram a importância e a natureza do Balé Folclórico de Alagoas, como um local de resistência, senão de preservação, como lembrança que nos alerta para aquilo que é ser alagoano: Uma gente alegre, radiosa, criativa, cheia de cor e de luz. A prova disso é que de todos os Estados brasileiros, somos o que possui o maior número de folguedos.

Diante da apresentação de oito peças do nosso folclore, típicas das festas juninas: Coco de Roda, Paidegua e a Boneca, Xaxado, Vaqueiros e Rendeiras, cavalhada, Taieira, Folia, Baianas e Guerreiro/Maracatu o balé folclórico tem o poder de redimir nossas angústias e nos elevar acima das nossas misérias, da realidade de uma gente constelada na imagem de um Estado, como lugar de violência, de povo violento, de terra de ninguém, de injustiças e impunidades, descasos e desonestidades vistas a olhos nus e que nos envergonham diante do restante da Nação. Os folguedos populares remetem à condição histórica, de registro feito por aqueles que nos antecederam. É bela a história que se conta das Alagoas e de sua gente, através dos folguedos.

A diversidade e a compreensão da sua importância no cenário da arte popular alagoana não podem morrer. Precisamos ser ensinados quanto à relação biunívoca entre folclore e sentimento. Um como sendo o reduto do outro, a sua alma objetivada. Precisamos aprender o que é inerente à manifestação artística genuína e à história. É por isso que é tão urgente que defendamos nossos locais de cultura popular, com unhas e dentes.

Ensaio Geral

Blog de Cultura editado pela jornalista Goretti Brandão

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