No mês do folclore o projeto cultural da Ao Pharmacêutico agita os amantes dos folguedos alagoanos
Goretti Brandão
A Farmácia de Manipulação Ao Pharmacêutico que já é destaque no que se refere a apoiar e promover a cultura alagoana, volta à cena cultural, fazendo a Festa do Guerreiro em sua casa, dia 20, às 19h, na Sede do Guerreiro Treme Terra, em frente ao Centro Comunitário Hélio Porto Lages, na Chã de Bebedouro. O evento é parte do calendário do projeto para o mes de agosto.
Não é a toa que a imagem da empresa, cada vez mais é vinculada à identidade artística e cultural das Alagoas, já que a dedicação e a preocupação com a cultura alagoana por parte dos seus proprietários, vem sendo materializada, principalmente, na expressão genuína da folgança popular, plenamente possível de ser veiculada, através da alma brincante da sua gente.
Tal compromisso dos que fazem a Ao Pharmacêutico repercute outros momentos e ajudam a criar outras instâncias, que contribuem para reparar, camadas e camadas de versões estereotipadas, a partir de outros retratos, que recompõem a nossa imagem, na força dos trajes alegóricos, na poesia das cores, nos sons e através das cantorias, que reacendem além da nossa autoestima de alagoanos, nossas referências folclóricas.
Outras iniciativas voltadas à cultura, também fazem parte do trabalho social da Farmácia de Manipulação, como por exemplo, apoiar o Projeto Papel no Varal, que tem a coordenação de Ricardo Cabús, e tem levado a poesia aos mais diversos locais; museus, bares, restaurantes, sempre com excelente acolhida das pessoas.
O apoio ao Projeto Ponto de Leitura, realização da Ideário, uma organização cultural aqui de Alagoas, que incentiva a leitura e o acesso ao livro, para crianças e adolescentes, de creches e unidades de ensino públicas, é ainda outro investimento sócio-cultural da Ao Pharmacêutico, que se engaja na dinâmica da democratização da leitura.
Fecundo em propiciar ganhos culturais e sociais, o compromisso de responsabilidade social da empresa contempla a sua reconhecida história no cenário do mercado farmacêutico e de saúde, pela sua seriedade profissional que confere à farmácia, a respeitabilidade, como um ganho que fortalece a credibilidade à oferta dos seus produtos, no atendimento ao cliente e nas relações amigáveis entre a empresa e o consumidor.
Parabéns aos que elaboraram esse maravilhoso projeto!
SERVIÇO:
Quem: Guerreiro Treme Terra
Quando: Dia 20/08/2011
Hora: 19h
Onde: Sede do Guerreiro Treme Terra ( em frente ao centro Comunitário Hélio porto Lages), em Chã de Bebedouro
Realização: Projeto Cultural AoPH
Goretti Brandão
Percorrer as páginas dos jornais, diariamente, só confirma o quanto estamos sendo presas da insegurança. Ela é provocada pelo temor, diante das informações que nos chegam através dos meios de comunicação. Os perigos reais, cada vez mais próximos a nós, dos nossos filhos, pais, amigos, propicia debates e opiniões constantes. Todos têm o que dizer, todos têm seus pontos de vista e todos, enfim, sentem a incapacidade de resolver o problema. Parece não haver solução para o retorno à tranqüilidade social, em curto, médio ou longo prazo. A impressão que se tem é a de que os passos dados pelas instituições, para conter os acontecimentos, não conseguem alcançar, para ao menos brecar, ações negativas, que incluem roubos, furtos, tráfico de drogas, traficantes, homicídios, falcatruas, desmandos.
Aqui em Santana, uma criança de apenas 4 anos, morreu ontem, inocentemente, vítima de viciados em droga. Estamos de um lado: a sociedade, e do outro, a delinqüência galopante e assustadora. O medo de sair de casa se tornou real. Há quem procure manter a tranqüilidade e ser confiante, não entrar em desespero, mas o medo da violência, ela que personifica a desordem e o desajuste do que está por trás de tudo, sinaliza à contramão de um retrato que aparece estampado na maioria dos rostos das pessoas, em suas falas, em suas preocupações.
De agora em diante estamos nos tornando pessoas ainda mais estressadas e medrosas.
Aonde vamos parar? Quando isso vai terminar?
Porque apesar dos esforços dos bem intencionados, apesar da criação de Comunidades Acolhedoras, dos Núcleos Ressocializadores, da aplicação de novos modelos de ressocialização, de outros mecanismos de defesa e segurança sociais tão necessárias, e que alguns têm comprovado a sua eficácia, a difícil experiência do contato direto e imediato com seus algozes, relatado pelas vítimas diárias de ações criminosas, que os demais cidadãos vemos na TV e na internet, ouvimos pelo rádio, lemos nos jornais e nos sentimos cada vez mais ameaçados, dão mostras de que há esse descompasso, entre ações delituosas e a reação protetora, que diga-se, é sempre compensatória.
Neste caso, a reação deveria estar à frente, como ação profilática, prevendo e evitando reações criminosas, que desestabilizam a paz social.
A delinqüência chega em primeiro lugar e causa danos às famílias. Estamos, sem exceções, feridos, desguarnecidos e assustados. Todos. E sem sabermos como pegar esse leão de grandes proporções e tamanha nocividade. Tal situação evidencia o quanto negligenciamos os sinais de alerta, através dos sintomas que de muito tempo vêm desfilando diante dos nossos olhos. O que vivenciamos hoje, não nasceu agora, mas, há anos atrás. São algumas das conseqüências das estruturas sociais, políticas e econômicas que regem o mundo moderno.
Goretti Brandão
Era 1h da manhã de hoje quando a minha mãe ligou para desejar um feliz aniversário. Eu dormia e acordei assustada com o barulho da chamada. Literalmente, à primeira hora do dia 2 de agosto de 2011, celebramos, eu e ela, a minha chegada ao mundo, que até hoje, 51 anos depois, me perturba, me inquieta, emociona, e me fascina.
De volta à cama, pensei a vida, seus significados, que com o passar do tempo, sempre requerem de nós, novas leituras. Atualizo as minhas; como quem assiste a um filme mais de uma vez, ou volta às páginas de um livro lido tempos atrás. Cada vez que se retorna às cenas, ao cenário da nossa própria história, é possível embutir novas emoções, remover angústias e colocar ação em buracos que ali se encontravam, esperando para serem ocupados.
Aprofundar a tessitura do já feito dá dimensão ao tempo e extrapola o espaço. Não me interessa durar apenas, comemorando anos estendidos na comiseração da medicina, que prolonga dias à idade avançada que se aproxima. Quero viver intensamente, perdurar. Não, para constar na lista das estatísticas de prolongamento vitais.
Quero sim, poder com a idade, expandir a minha clareza sobre os significados da vida. Ter crescimento psicológico, promover a simbiose entre meus mundos: o interno e o externo. Crescer, em detrimento das limitações físicas, adentrando a longevidade, mas, de modo a romper as redomas do tempo, para que eu possa alcançar o miolo da minha sobrevivência, a real longevidade, eterna, porque não conhece ponto final e vai além dele e de mim.
Estando inserida na realidade do mundo de hoje, que corre numa busca desenfreada pela eterna juventude, não me preocupam as fórmulas e os mecanismos para esconder a idade que tenho, porque existe a diferença entre o envelhecer e o ser velho. E o tempo, ele não só destrói, mas nos fortalece ao mesmo tempo em que enfraquece. Quando se trata de apreciarmos os seus efeitos sobre a alma e sobre os aspectos da fisiologia.
A visão que temos do tempo, como Cronos - divindade suprema da segunda geração de deuses da mitologia grega -, que no dizer do poeta português, Fernando Pessoa: “Não se resiste ao deus atroz que os próprios filhos devora sempre”, exclui o perdurar, como outra sua característica. Ele, o tempo, prossegue indiferente à nossa idade ou à nossa condição de seres que envelhecem. O que o ele devora é a nossa juventude. Quando se ouve o comentário de que o tempo estragou as pessoas, é a fala da juventude propagada, não a da idade.
Aniversario. Estou na meia-idade.
Ao invés de seguir de braços dados com a hipocrisia da cultura que eleva a juventude e ao mesmo tempo a engendra, desatende, banaliza e acaba por mantê-la aprisionada em suas malhas, eu aceito incorporar a velhice, preservando e transmitindo o que tenho aprendido com a minha própria experiência, dando forma nos resguardos da vida real, ao vigor do meu caráter.
O simbólico em meus sonhos
Goretti Brandão
À mesa pingos d'água caidos de uma jarra, deixavam tudo encharcado. Pus-me a enxugá-los. Ao meu lado, uma amiga falecida, se esmerava em chamar a atenção de um americano.
Em meu braço esquerdo, de surpresa, o homem baixou a cabeça e me presenteou com três beijos. Senti-os na profundidade da minha alma que respondia, prontamente, porque banhou-me em êxtase ardente, que me aqueceu o coração.
Depois, uma flor amarelo-cádmio, que nunca vi neste mundo, efetuou algo como um balé espetacular: adelgaçou filamentos, entrou em anáfase e diante de mim levou a termo a meiose, até fazer-se em duas. Idênticas.
Era como se uma lente fechasse a cena, excluíndo arredores. Como numa tela de computador, todo o espaço do meu sonho era um microscópio em atividade, apreciando um flor que se tornou em duas, dançando.
O problema com os grupos envolvidos com o tráfico de drogas é maior do que se imagina
Goretti Brandão
Está claro que alguém ‘entregou’ Maria de Lourdes Farias de Melo, uma mulher jovem, de 26 anos, mãe de filhos dependentes dela ainda, aos traficantes de drogas do Conjunto Carminha, no Benedito Bentes. O modo cruel que caracteriza o perfil do grupo causa verdadeiro terror aos moradores do local e em quem quer que seja. Muito pior do que isso é o medo de saber, que entre a população e os traficantes, existe alguém que tem acesso aos dois lados e é um perigoso delator.
A história de horror, com requinte de crueldades, começa a ser conhecida pela sociedade alagoana de forma direta. Antes, a distância entre nós e o lugar, onde episódios iguais a esse e outros que presenciamos recentemente, aconteciam, era o elemento que nos mantinha temporariamente seguros. A crença de que isso só acontecia nos grandes centros caiu por terra. Estamos vivenciando aquilo que assistíamos a pouco tempo pela TV.
O que é evidente, é que não existe para os habitantes do conjunto, mais do que duas alternativas: ou se permanece calado ou se vai embora. O castigo para quem procura colocar o dedo na situação existente é a condenação à morte. Coisa que o grupo faz questão de deixar claro, através de apresentações visuais bizarras. Quem não pode ir embora, tem que ficar calado.
Por que então, dona Maria de Lourdes não se calou? Será que um dos seus filhos estava sendo aliciado pelos traficantes? O que a incomodava tanto? Não se sabe por quais motivos ela preferiu se arriscar. Talvez fosse ingênua, ao ponto de não entender que assim o fazia, e que escondidos por trás dos traficantes, estão redes criminosas organizadas, organismos legalizados que exercem o poder, que têm porte de armas e que veiculam trocas de informações que favorecem a todos os envolvidos em dividirem os lucros da venda de drogas.
Não seria menos infantil da nossa parte, achar que esses grupos agem sem nenhuma logística, sem apoio ou sem parcerias. Eles são apenas a parte apresentável da sujeira, que inclui corrupção, tráfego de influência, comparsas delatores. São as pontas de lança dos senhores arqueiros que estão lá no topo das organizações, derramando e garantindo a manutenção das vendas e distribuição das drogas: o alimento apodrecido que deteriora a sociedade já comprometidamente doente.
Se a informação dada por um morador do Conjunto Carminha: a de que Maria de Lourdes teria sido morta, brutalmente, por estar passando informações para a polícia for comprovada, por que a polícia não começa seus trabalhos investigando quem entregou a mulher aos traficantes? Quem é o perigoso ‘cabueta’ que funciona como, digamos, agente duplo, que transita entre a polícia e os traficantes, tem conhecimento das denúncias e de quem os denuncia?
Goretti Brandão
Conversei em entrevista com José Peixoto Noya, conhecido como Zeneto, que lançou no último sábado, 23, o seu primeiro livro de crônicas, intitulado: O Marechal que Virou Major. Natural de Santana do Ipanema, filho de Darras Noya, chefe dos Correios por 30 anos e que tem o seu nome dado ao Museu de Arte da cidade, e de dona Marinita Peixoto Noya, outrora diretora do histórico Grupo Escolar Padre Francisco Correia e uma das primeiras professoras estaduais, o cronista aposentou-se como funcionário público federal. Foi telegrafista do antigo Departamento dos Correios e Telégrafos, e encerrou a carreira, no antigo Departamento Nacional de Estradas e Rodagem, atual DNIT.
“A “turminha” de Santana na década de sessenta em diante era muito unida, principalmente quando o motivo era falar dos outros em uma boa farra, geralmente no Cabaré de Jaraguá, a única Universidade do gênero em que se valia a pena freqüentar.” (da crônica: Boate São Jorge)
Zeneto começou escrevendo crônicas sem a intenção de ser cronista. Muitos dos seus textos encontram-se no Portal Maltanet, que tem oportunizado espaços em seu site, aos conhecidos talentos da cidade, além de revelar outros. A ideia de publicá-las surgiu naturalmente.
O autor, como todo bom cronista, lança múltiplos olhares sobre temas próprios do seu tempo, registrando histórias pitorescas de pessoas reais, que se tornam através da literatura, personagens principais de casos hilariantes, reveladores, frutos da construção do ser humano.
Sua crônica tem o poder de requisitar e extrair do cotidiano, figuras que nasceram, trabalharam e viveram sua existência, principalmente em Santana do Ipanema, como o palco que abrigou as inúmeras vivências, que sem serem colhidas e transformadas em livro, passariam silenciosas sob o manto que esconde idiossincrasias; essa forma de ver, de reagir e sentir de cada um.
A leitura dos seus escritos concede ao leitor entrar pelos recortes feitos da memória. Seus relatos pontuam parte da história santanense exposta à temporalidade, esculpidos nas ações do povo da sua terra, numa abrangência tal que inclui os mais diversos setores sociais da cidade. Zeneto traz para o presente a vida de conterrâneos, seus serviços prestados à comunidade, e nos coloca ao mesmo tempo, dentro desses lugares, agora, atemporais.
Para o autor, o livro tem essa missão: a subversão do tempo, como objeto de recuperação de cenas prosaicas da vida cotidiana, através da edição de feitos e casos passados. O cinturão, Mané Buchudo, No Fim do Fio do Espinhaço, são algumas das crônicas do autor as quais li recentemente. Tratam de histórias que envolvem lembranças parentais, de funcionários públicos e amigos. São entremeadas de detalhes sobre o funcionamento de repartições, datas, cenários.
Zeneto, enfim, nos contempla e compartilha conosco do vigor da sua memória, com a história, e nos deleita com suas saudades, que nos tomam, deliciosamente.
Vale a pena conferir!
Blog de Cultura editado pela jornalista Goretti Brandão