O deputado Dudu Albuquerque abriu outra ferida na moribunda Assembléia Legislativa. Depois do duodécimo em dose dupla no mês de janeiro, sabe-se agora que 500 cargos comissionados foram distribuídos pelo governo como moeda de troca.
É na base: você concorda com tudo o que eu faço e em troca eu lhe dou tantos cargos para você fazer com ele o que bem entender. E eu finjo que não sei.
E o próprio deputado Dudu Albuquerque foi sincero; ele me disse, por telefone, que ganhou uns cargos na 5ª Coordenadoria de Educação, sediada em Arapiraca, e empregou o sogro, dois irmãos e um cunhado, entre outros beneficiados.
Verdadeira sinecura.
Para proteger a sinecura e evitar constrangimento com a lei, o ponto era enviado mensalmente como se o servidor tivesse mesmo comparecido ao trabalho.
Gente! 500 cargos de comissão poderiam ser 500 policiais da reserva técnica, cujo prazo do concurso está terminando.
Ou 500 professores!
O que o amigo internauta acha? O que se poderia fazer com esses 500 cargos comissionados, cujos salários variam de R$ 1,5 mil a R$ 3,5 mil mensais?
Eles arranjaram uma boa saída para se livrarem da candidatura do ex-superintendente da Polícia Federal, Pinto de Luna, ao Senado.
É a peneira.
A peneira será feito secretamente, com os partidos indicando quem é melhor: Pinto de Luna ou outro candidato – e vai dar o outro candidato na cabeça.
O PT nacional impôs a defenestração pura e simples de Luna, mas o PT local viu na determinação que estava embarcando no rabo de foguete.
Ninguém foi contra por convicção ou solidariedade a Luna, mas por temer a reação da opinião pública.
Já existe uma facção no PT assumidamente contrária a candidatura de Luna; esta facção se aproxima muito do senador Renan Calheiros (PMDB).
Mas, também ela colocou o pé no freio por temer a reação negativa. Como explicar ao eleitor que o PT impediu a candidatura de Luna?
Então, veio a luz – que é a peneira.
Luna não passa, mas eles têm a desculpa de que foi uma decisão democrática; uma decisão da base de sustentação da candidatura nacional.
E o eleitor, será que vai acreditar?
O ex-superintendente da Polícia Federal, José Pinto de Luna, está sob censura do PT. Só quem pode falar sobre a candidatura dele ao Senado é o presidente regional Joaquim Brito – que está arranjando coragem para dizer que não será candidato.
Na viagem que fez a Brasília, a principal missão do pré-candidato a governador, Ronaldo Lessa, era conseguir o compromisso da direção nacional do PT de que Pinto de Luna não disputaria o Senado.
Lessa conseguiu com o argumento de que a candidatura dele ameaçava a reeleição do senador Renan Calheiros (PMDB).
Em entrevista a jornalista Gilca Cínara, o ex-superintendente da PF disse que estava impedido de falar sobre o assunto; só quem poderia falar era o presidente estadual do PT.
- Só quem pode falar sobre isso é o Joaquim – disse Luna, referindo-se ao presidente do PT Joaquim Brito – que é ligado ao senador Renan Calheiros.
A jornalista Gilca Cínara ligou para Joaquim Brito e ele disse que não falava sobre suposições.
Não é bem assim; na verdade, o presidente do PT está com medo da reação do eleitor. De fato, a implicação é grande e o PT vai perder muito.
Mas, a rasteira em Pinto de Luna não é surpresa; na semana passada nós dissemos aqui que se o apoio à candidatura dele se aproximasse dos 10% ele não seria candidato.
O que o amigo internauta acha:
Lessa agiu correto ao pedir a cabeça de Pinto de Luna?
O PT agiu correto ao impedir a candidatura de Pinto de Luna?
Depois de chutar o pau da barraca, ao se lançar candidato a governador, o senador Fernando Collor (PTB) pegou a esposa e as duas filhas e foi descansar nos Estados Unidos.
De lá, Alagoas só pela Internet.
A fonte me disse que ele só retornará a Alagoas dia 20 de junho, na comitiva do presidente Lula. É de praxe o cerimonial do Palácio do Planalto convidar os senadores para acompanharem o presidente da República.
Mas, a data não é definitiva e está sujeita à margem de erro.
Collor tem o PTB na mão, logo ele não é pré-candidato, mas candidato mesmo, a não ser que desista. E tem tempo de sobra para matutar e traçar os planos.
Tem se especulado muito em nome dele, mas é tudo chute. Mente quem diz saber o que Collor está pensando; o senador adotou a máxima popular, segundo a qual quem fala muito dá bom bia a cavalo.
E, sobretudo, ele adotou a máximo do Aparício Torelle, mais conhecido como Barão de Itararé:
A criança diz o que faz
O velho diz o que fez
E o idiota diz o que vai fazer.
Enquanto Collor descansa nos Estados Unidos, outros tentam reerguer a barraca cujo pau ele chutou.
Debalde; nunca mais a barraca será erguida.
O pré-candidato Ronaldo Lessa, que também não é pré, pois é dono do PDT e, nessa condição é candidato mesmo, se esforça em vão.
A fotografia de Brasília ficou em preto e branco com o colorido. Até junho muita água ainda vai rolar embaixo da ponte, e muitos vão tentar mudar o curso do rio.
É cedo para projeções, mas é preciso levar em conta que o governador Téo Vilela estará no segundo turno; a questão é saber contra quem.
Com Lessa?
Com Collor?
Aqui para nós, eu acho que o governador Téo Vilela se reelege. Collor não tem nada a perder, mas Lessa, se ficar sem mandato, amplia a vala da sepultura política.
Sim, Lessa pode se eleger prefeito de Maceió em 2012. É verdade, mas, mais dois anos sem mandato é uma eternidade.
Ah! O presidente Lula apóia a candidatura de Lessa e vai mandar dinheiro para a campanha. Agora mande!
Só o inocente pueril pode acreditar em semelhante asneira. Lula nem queria receber ninguém e até adiou a reunião de terça-feira à noite!
Só concordou com a audiência depois de muito pelejar do ministro do Trabalho, Carlos Luppi, e do senador Renan Calheiros. Eles disseram a Lula que ficaria chato voltarem para Alagoas sem terem sido recebidos.
Lula precisa mais do PTB de Collor, do que de qualquer outra coisa em Alagoas. Quer reeleger o senador Renan, e isto é legítimo, mas Lula não sabia que o nó estava tão apertado.
E por falar em nó apertado, eu encerro este post com o desafio entre o extraordinário forrozeiro chamado Amazan e o fabuloso poeta popular cearense Luizinho de Irauçuba.
Os dois cantam:
Eu quero o nó apertado
Se quiser pode apertar
Nó quanto mais apertado
Melhor pra se desatar
Amazan desafia:
Quero que faça uma conta
Onde se veja adição
Subtração, divisão
Multiplicação já pronta.
A sua cabeça tonta
Vai ferver de tanta dor
Pois sem ser computador
Ninguém consegue essa cancha
Esse nó não se desmancha
Tai o nó, cantador!
E Luizinho responde:
Oito e oito dezesseis
Vezes três, quarenta e oito
Menos trinta são dezoito
Vamos dividir por três
Esse resultado é seis
No quadro, no divisor
Usei multiplicador
Adição, subtração
Mostrei cada operação
Traga outro nó, cantador.
Caros internautas: tai o nó apertado que o Collor deu. E esse nó não é seu, nem é meu. Esse nó é de alguém.
E se isso lhe convém
Por favor me tire dessa
O nó é para o Lessa,
Ou pra outro companheiro?
Será pro Renan Calheiros,
pra cair na esparrela?
Ou é para o Téo Vilela?
Quem souber diga primeiro.
Ao sair da sede da Superintendência da Polícia Federal, hoje pela manhã, o prefeito Cícero Almeida (PP) foi cercado pelos repórteres que lhe perguntaram sobre em quem votaria para o governo do Estado.
- Prefeito, o senhor continua com Ronaldo Lessa? - perguntou o jornalista Jônathas Maresia, do Cada Minuto.
- Eu sou eleitor, vou votar no dia 5 de outubro, com certeza, e faço parte de um grupo. Eu voto com os alagoanos. Eu quero que o governador seja um amigo meu - respondeu o prefeito.
Caros internautas, o que essa resposta quer dizer?
Quer dizer que, se a maioria dos alagoanos optar por outra candidatura, que não for a do Lessa, o prefeito acompanha?
Quer dizer que o candidato a governador do prefeito não é mais Lessa?
Ou não quer dizer nada?
Os prefeitos em segundo mandato, que são maioria, não apóiam a candidatura de Ronaldo Lessa ao governo do Estado e esse é o viés pelo qual Fernando Collor se elegeu senador em 28 dias de campanha, e agora quer disputar o governo do Estado.
A rejeição dos prefeitos em segundo mandato é a Roda Viva.
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas, eis que chega a roda viva
E carrega o destino pra lá.
Roda mundo, roda gigante...
Lessa tratou mal os prefeitos quando foi governador duas vezes; alem de dificultar o acesso a ele, ainda abiscoitou o ICMS dos municípios deixando para o governador Téo Vilela a conta de R$ 48 milhões para pagar.
E o Téo pagou.
O presidente Lula só recebeu a comitiva em audiência nesta quarta-feira, em Brasília, depois de ter sido convencido de que, se não recebesse, deixaria todos numa situação complicada perante o eleitorado em Alagoas.
É que se criou a expectativa da audiência, que seria na terça-feira à noite e foi transferida para a manhã desta quarta-feira.
A audiência foi rápida; foi vapt-vupt. E Lula visitará Alagoas, mas essa visita já estava agendada e não tem nada a ver com candidatura de Lessa nem de Collor.
Mas, não é verdade que Lula declarou apoio à candidatura de Lessa; o presidente sabe que não pode afrontar Collor, e não é apenas por ele (Collor), mas pelo que ele (Collor) representa como administrador nacional das verbas do PAC e xerife nacional do PTB.
Trocando em miúdos, o problema da candidatura de Lessa ao governo do Estado são os prefeitos em segundo mandato.
O próprio senador Renan Calheiros (PMDB) admitiu isso; um dos prefeitos que faz questão de detonar a candidatura de Lessa, que é o prefeito de Delmiro Gouveia, Lula Cabeleira, disse a Renan:
- Eu voto em você e trabalho para você. Só não me peça para apoiar o Lessa.
E sendo assim, o que o amigo internauta acha? Lessa deve enfrentar as feras, ou seja, a reação dos prefeitos ou é melhor não arriscar?
Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.