Comedido e falando pausadamente, o deputado Antônio Albuquerque (PTdoB) só saiu do tom moderado que impôs na entrevista ao jornalista Plínio Lins, no Conversa de Botequim, quando foi pedido para definir o desembargador aposentado Antônio Sapucaia:
- É um farsante. Um complexado.
Fez-se silêncio no Rapa Nui e até deu para ouvir as ondas do mar da Ponta Verde quebrando na praia. E ele completou:
- O Sapucaia veio de família humilde, mas é complexado. É complexado com quem obteve um mandato. Isto não é postura. Ele (Sapucaia) não tem nenhum histórico de destaque na sua passagem pelo Judiciário.
E arrematou referindo-se a gestão de Sapucaia no Detran:
- Eu disse ao governador que se ele quisesse eu provaria que estavam emitindo Carteira de Motorista sem o sujeito ir fazer o teste nenhum.
Albuquerque falou do seu afastamento da Assembléia Legislativa e da sua prisão, para dizer que foi vítima de perseguição:
- Queriam um retrato do Albuquerque preso. E fui preso porque o Cavalcante (ex-coronel PM) disse que eu sabia que dois deputados iam matar o cabo Gonçalves e não tomei providências. Isso é mentira. Mas, fui preso mesmo assim.
Sobre seu afastamento da Assembléia, depois de ter sido denunciado pela Operação Taturana, Albuquerque se disse tranqüilo porque nada será provado contra ele.
- Não foi na minha gestão como presidente. Eu não era presidente no período que investigaram a assembléia, sequer participei da Mesa Diretora. Eu era um simples deputado. E na minha gestão como presidente não fiz nenhum contrato de empréstimo com banco nenhum.
Albuquerque disse que administrou a Assembléia Legislativa com orçamento de R$ 8,5 milhões, construiu a nova sede da Assembléia, criou a TV Assembléia, um jornal e um portal de noticiais e deixou R$ 7 milhões em caixa quando foi afastado.
O pré-candidato a governador Ronaldo Lessa (PDT) assumiu o papel de algoz do ex-superintendente da Polícia Federal José Pinto de Luna, para detonar sua candidatura ao Senado. Lessa chamou-o de forasteiro.
O que o PT resistia em assumir publicamente, Lessa decidiu protagonizar bem ao seu estilo pavio curto. Ele detonou Luna ao dizer que não o aceita para vice-governador, logo, Lessa se antecipou à decisão do PT de vetá-lo para o Senado.
O PT tem agora a desculpa para amenizar o impacto diante da opinião pública, quando for obrigado a negar a legenda para Luna disputar o Senado. Vai poder dizer que Luna se desentendeu com o candidato a governador da coligação.
O que o amigo internauta acha: Lessa age corretamente ao detonar a candidatura de Luna? E o PT age corretamente ao silenciar e não defender um integrante do partido?
A passagem do presidente nacional do PTB, Roberto Jeferson, por Alagoas mexeu ainda mais no tabuleiro do xadrez político.
Jeferson cutucou o pré-candidato a governador Ronaldo Lessa (PDT), ao compará-lo à fruta cristalizada para dizer que terminará sozinho.
Lessa não respondeu; apesar da repercussão da entrevista de Jeferson no programa Cidadania, apresentado pelo radialista França Moura, ele preferiu o silêncio.
Por enquanto.
Mas, Lessa respondeu ao ex-superintendente da Polícia Federal, José Pinto de Luna, um tanto atrasado, claro, mas optando por atacá-lo.
Pinto de Luna disse na semana passada que só o Lessa ouviu o presidente Lula dizer que ele (Lessa) era o candidato dele (Lula).
Pior é que é verdade; outras pessoas consultadas também disseram que Lula não se referiu assim tão diretamente ao apoio à candidatura de Lessa.
Pelo andar da carruagem e pelo que o presidente do PTB veio costurar nas composições em Alagoas, tudo indica que a candidatura de Lessa ao governo do Estado está mesmo minguando.
Primeiro foi a saída do PP, com o deputado federal Benedito de Lira, e agora a saída do PTB, com o senador Fernando Collor.
E tem mais: a candidatura do deputado federal Olavo Calheiros (PMDB) como vice-governador de Lessa é tão provável quanto a candidatura do papa a Rei do Candomblé.
O que o internauta acha? Lessa vai manter a candidatura a governador ou já dançou e não sabe?
Ou melhor: a quem interessa a extinção da 17ª Vara? Será que é porque não se pode mais "advinhar" o que vai sair da cabeça do juiz?
Todos são iguais perante a lei. Certo?
Errado.
No Brasil tem uma casta de bandidos privilegiados, com direito a tratamento vip, qualquer que seja o crime – inclusive os mais graves: homicídio, pedofilia, roubo...
Tem direito ao chamado foro privilegiado, que trata diferente os criminosos iguais na índole e na gravidade do crime.
Isso não é inconstitucional, considerando-se que a Constituição Brasileira consagra a igualdade de todos diante da lei?
Eu acho que é; o foro privilegiado desmente o princípio constitucional da igualdade.
Lembro-me o que contou o saudoso professor Nabuco Lopes – que foi reitor da Ufal. Médico, Nabuco Lopes era general da reserva do Exército e contou o episódio ocorrido com ele, nos Estados Unidos.
Quando era capitão, ele foi fazer um curso de especialização ministrado pelo exército norte-americano e lá fez amizade com um oficial – que lhe serviu de cicerone.
Num dia de folga saiu para passear por Nova Iorque com o amigo oficial-médico do exército norte-americano, que lhe mostrava a cidade e descuidou-se parando o carro sobre a faixa de pedestre.
Enquanto o guarda se dirigia para multá-lo, o professor Nabuco sugeriu que ele se apresentasse como oficial do exército. O amigo norte-americano recusou a proposta de pronto.
- É pior. Se eu disser que sou autoridade é pior. Uma autoridade não pode parar o carro sobre a faixa de pedestre!
Foi a lição que o saudoso professor Nabuco Lopes passava para exemplificar o que é realmente Direito e Dever.
Discute-se agora a extinção da 17ª Vara e eu pergunto: a quem interessa extinguir a 17ª Vara?
À Constituição Federal?
Com certeza não interessa à sociedade e, se não interessa a sociedade, então veio-me a dúvida atroz:
Será que interessa somente aos que sobrevivem do crime direta ou indiretamente; aos que estão preocupados porque a decisão colegiada na 17ª Vara protege o sigilo da sentença – logo, não se pode mais avisar o delinqüente vip para ele fugir antes de a polícia chegar; ou será que o pedido de extinção é apenas lamentável engano?
É importante dizer que a criação da 17ª Vara é uma contribuição de Alagoas, que o resto do País deveria imitar.
Para se ter idéia, o governo italiano só conseguiu pegar a máfia depois que fez a reforma acabando com as sentenças solitárias. Na Itália, para o crime que aqui chamamos de organizado, a sentença sai por algo semelhante a 17ª Vara alagoana.
Deveria orgulhar o mundo do Direito, mas, o que se vê é a reação contrária ao que está dando certo. A idéia da 17ª Vara é a maior contribuição ao Direito Penal e Processual em toda a história do Direito brasileiro.
A extinção da 17ª Vara será a vitória do crime; será a vitória do mal contra o bem. O que o amigo internauta acha?
Com todos os políticos influentes com quem conversei, e não apenas eu, mas outros companheiros também, a impressão é uma só: o senador Fernando Collor (PTB) quer fechar um acordo para 2014.
Sua candidatura ao governo do Estado depende desse acordo – que, se for fechado, implica na retirada da candidatura.
O colega Elias Ferreira, da Educativa FM, entrevistou o deputado federal Benedito de Lira (PP) e ouviu dele que Collor quer fechar esse acordo; o colega Sérgio Lucio, gerente Comercial do Cadaminuto, ouviu isso em Arapiraca e também da boca de um influente integrante do PSDB.
Collor indicaria o candidato a vice-governador na chapa do governador Téo Vilela, que disputaria o Senado em 2014 e Collor disputaria o governo do Estado evitando que se confrontassem – o mandato de Collor termina em 2014, quando se disputa apenas uma vaga de senador.
O vice-governador indicado por Collor assumiria o governo em abril de 2014 para concluir o mandato de Téo, com o compromisso de apoiá-lo para o Senado.
Na lógica da política esse seria o acordo ideal, mas o influente integrante do PSDB, com quem o colega Sérgio Lúcio conversou apresentou o lado positivo e negativo do acordo.
O positivo é que Téo renovaria a esperança de se reeleger logo no primeiro turno e o lado negativo da aliança com Collor é que aumenta a rejeição a Téo.
Mas, até julho tudo pode acontecer. Só uma coisa é certa: a candidatura de Collor leva a sucessão estadual para o segundo turno.
O PT tem até quinta-feira, 27, para dizer aquilo ao ex-superintendente da Polícia Federal, José Pinto de Luna.
Nos bastidores do PT a conversa é dissimulada, para evitar que Pinto de Luna perceba a trama contra a candidatura dele ao Senado e, especialmente, identifique os algozes.
É besteira se esconder; o policial experiente tem faro de doberman e sabe muito bem quem está na trama.
É possível que não cumpram o prazo; é possível que empurrem com a barriga a decisão de dizer aquilo a Pinto de Luna, mas, é melhor cumprirem o prazo.
Ficará ainda mais chato Pinto de Luna saber pela boca do ministro dos Esportes, Orlando Silva, que o candidato a senador em dobradinha com o senador Renan Calheiros será do PCdoB.
O ministro vem aqui, na quinta-feira, para isso.
Daí, já que não agiram 100% com decência em relação a Pinto de Luna; já que aceitaram a sua filiação e a candidatura, e agora vão puxar o tapete – que puxem com decência e diga aquilo ao Pinto de Luna.
Digam assim:
- Pinto de Luna, eu estava mentindo. Você nunca foi o nosso candidato a senador. Não é nada contra você, mas porque a gente não depende da gente. Agora, se você quiser sair para deputado federal, a gente dá um jeito.
Caros internautas: a esta altura até mesmo a candidatura à Câmara Federal é problema dentro do PT, porque comprometeria e muito a candidatura do Paulão.
Bom mesmo seria para a Assembléia Legislativa; o PT poderia eleger três deputados estaduais.
Mas, Pinto de Luna insiste na candidatura ao Senado; e a direção do PT insiste em relutar lhe contar aquilo.
Até aquilo explodir!
Bummmmmmm...
Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.