Postado em 13/04/2010 às 12:37

Cota para negros admite o negro inferior. Que acham?

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A lei das cotas para negros nas universidades públicas é inócua do ponto de vista jurídico e humilhante do ponto de vista social.

Quem se sentir prejudicado é só ingressar na Justiça, que a sentença favorável é líquida e certa – a lei das cotas para negros é inconstitucional. Fere causas pétreas.

Na condição de negro também sou contra; a lei das cotas discrimina ainda mais o negro e os chamados afrodescendentes – que chegam à universidade sob dúvida: foi por competência ou pelas cotas?

Dir-se-á sempre que foi pelas cotas. É preciso levar em consideração que não é apenas o negro, que está fora da universidade, mas o branco pobre também. Aliás, sempre foi assim; lembremos que o movimento no Quilombo dos Palmares havia também brancos pobres e índios.

No afã de reparar as injustiças que, sem duvida, praticaram contra os negros, os cientistas sociais exageraram e tornaram a emenda pior que o soneto.

Quando o paciente se deparar com um médico negro ficará a dúvida sob a sua capacidade. É isto o que a lei das cotas garante; a prática desmonta o discurso panfletário.

O negro e o branco pobre não chegam à universidade porque são pobres e não porque são negros ou brancos. O Estado que o mantém segregados quer agora remediá-los com cotas – e isto aguçou a discriminação: o branco chega à universidade pela capacidade e o negros pelas cotas.

Sou contra a cota para negros até porque é inócua; quem se sentir prejudicado entra na Justiça e derruba as cotas.

Ou então, a universidade é obrigada a garantir também a cota do branco.
 

Postado em 13/04/2010 às 00:51

Silêncio de Collor deixa o PT nervoso

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Da última vez que se encontraram o presidente estadual do PT, Joaquim Brito, perguntou ao senador Fernando Collor (PTB) se ele era candidato ao governo do Estado. Collor respondeu que não.

O encontro foi em Brasília e, apesar da resposta, a dúvida permanece e agora aumentada com o mergulho de Collor – que não fala nada sobre a sucessão estadual; não se ouviu dele declaração de apoio à candidatura de Ronaldo Lessa.

Essa posição de Collor está deixando o PT nervoso e Lessa agoniado. Tem gente apostando que ele vai se lançar candidato ao governo do Estado; outros sustentam que tal possibilidade depende do entendimento do PTB em nível nacional, ou seja, se o partido não apoiar José Serra.

O silêncio de Collor deixa Lessa agoniado e com razão. Mas, na possibilidade de sair três candidatos ao governo, ele (Lessa) pode se beneficiar da polarização e repetir a eleição para prefeito de Maceió.

Tem gente apostando nisso para tranqüilizar Lessa. Outros, tocam fogo no circo achando que Lessa pode estar entrando numa roubada, ou seja, no frigir dos ovos nem Governo, nem Senado, nem Câmara Federal.

Será que o Collor é candidato ao governo do Estado e Lessa vai dançar de novo?
 

Postado em 12/04/2010 às 20:57

Quando morre um homem apaga-se uma estrela

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A morte de Geraldo Sampaio significa uma estrela que se apagou no Universo. O doutor Geraldo, o Geraldão, tinha o coração maior que o corpo. Foi traído e não traiu jamais; para ele a amizade era sentimento nobre.

Quando ainda era complicado ser oposição, ele abriu as portas da TV Alagoas para servir de palanque à luta pela redemocratização do País. Era um sonhador atropelado pelo tempo em que a carência de homens na política faz a diferença.

Ajudou a eleger vereador, deputado, prefeito e governador. Não teve a reciprocidade merecida, mas nem por isso se deixou amargurar-se; ele parecia resignado com a fraqueza de caráter dos que tudo lhe deviam e, no entanto, o esnobavam.

Viveu intensamente. Foi um homem correto, que se foi com a consciência de quem nunca traiu nem perseguiu ninguém – um coração sem ódio e sem rancor.

Tive a oportunidade de conviver com ele, e a honra de adentrar em sua residência, privar da sua amizade. Soa-me ainda nítido o pedido dele à secretária para que me trouxesse a cerveja.

- Traz uma cerveja para o Roberto!

E ficávamos conversando; eu puxando pela história e ele querendo fazer a nova história política de Alagoas. O doutor Geraldo era um idealista. Infelizmente, em Alagoas não existe lugar para idealistas; o Estado parece tomado pelos oportunistas.

Vá em paz, doutor Geraldo.

 


 

Postado em 11/04/2010 às 12:12

Alvíssaras! Encontrei o bom alagoano

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Segui o rastro dos maus alagoanos e conclui que eles existem e fazem mal, ó, há anos e anos. Assim, é melhor procurar os bons alagoanos – que são poucos e, sendo poucos, fáceis de serem localizados.

Claro que nos referimos àqueles alagoanos que exerceram poder de mando; que foram incumbidos pelo voto popular ou por delegação para cuidarem do povo, do erário e dos bens públicos.

Exemplo de bom alagoano que encontrei foi o major Luiz Cavalcante – que se elegeu governador em 1961 e governou o Estado até 1965.

Para se ter idéia do tamanho da destruição causada pelos maus alagoanos, basta dizer que tudo o que funciona no Estado – e o que não funciona mais, porque destruíram – foi montado no governo do major Luiz – que era general, mas ficou conhecido como major.

A Ceal, a Casal, o DER, as adutoras, a pavimentação de rodovias, o primeiro conjunto de habitação popular, o Banco do Estado, a Bacia Leiteira, enfim, tudo o que ainda hoje funciona foi montado no governo do major Luiz – que andava a pé; que saía a pé do palácio para o campo do Mutange, para assistir o CSA jogar.

Diferente do que se viu depois, havia plano de governo; no governo do major Luiz não se assaltou o erário e nem se sabia de maus alagoanos - estes vieram depois na carona do Satanás.

Ainda que os maus alagoanos existam e prejudiquem o Estado, é muito bom saber que já existiu também o bom alagoano - e que a esperança não se perdeu; é possível revivê-lo.

Postado em 09/04/2010 às 16:59

Benedito de Lira se antecipa à decisão nacional e junta PP ao PSDB

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Mesmo que não quisesse e mesmo que a união com o PSDB não fosse o melhor negócio a fazer, o deputado federal Benedito de Lira (PP) teria de ir mesmo para o palanque do governador Téo Vilela.

Motivo: o PP vai se coligar com o PSDB na disputa presidencial e indicará o vice-presidente de José Serra.

Esse é o desenho em nível nacional, com repercussão nos estados, porquanto a coligação na majoritária implica no comprometimento das demais candidaturas. O nome do PP para vice de José Serra é do ex-ministro Francisco Dorneles – que é tio do governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

Benedito de Lira ainda não assumiu publicamente a união com o PSDB para não se antecipar à decisão nacional – e isto do ponto de vista oficial, porque na prática ele já está no palanque de Téo.

Conversei com o deputado por telefone e ele jurou não ter pedido nada em troca para apoiar o governador Téo Vilela. Fala-se que teria direito a uma secretaria e ao DETRAN, mas ele repeliu com veemência a informação.

- Nunca pedi nada em troca para apoiar ninguém – disse-me.

No chapão as chances de Benedito de Lira seriam remotíssimas e tanto para ele, quanto para o filho, Artur – que ele quer eleger deputado federal. São nove vagas para a Câmara Federal e pelos cálculos o chapão elege cinco deputados. São eles: Célia Rocha e João Lyra, pelo PTB; Olavo Calheiros e Joaquim Beltrão, pelo PMDB; e Maurício Quintella, pelo PR.

A saída para ele é mesmo o lado de lá, ou seja, o lado do governador Téo Vilela – que não tem candidato declarado para o Senado e, para a Câmara Federal, o quadro é menos complicado para Artur Lira.

Ou seja, é pegar ou perder a aleição.

 

 


 

Postado em 09/04/2010 às 00:38

Onde o imperador fez xixi. Ou: vai chover urubu?

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Seria cômico, se não fosse trágico; o relatório contrário à implantação do estaleiro em Coruripe é uma peça humorística e, ao mesmo tempo, preocupante.

É humorística pela conclusão estapafúrdia e preocupante porque, como alguém tem coragem de assinar semelhante disparate?

Essa é a preocupação, pois quem sabe amanhã quererão revogar a Lei da Gravidade – quem sabe? Tudo é possível.

Imagine que o relatório conclui que gerar emprego e renda atrai miséria. Tal conclusão agride até mesmo Marx. Nunca, na história da humanidade, alguém cometeu semelhante desatino.

E por que cometeu?

Pois é; esse é o problema e eu preferi dizer que são coisas de Alagoas, o único Estado que não foi conquistado ou desmembrado, mas outorgado. Somos inferiores, deve ser isso.

Alguns historiadores afirmam que o Estado surgiria independente da outorga, como reconhecimento ao crescimento do Sul da Capitania (Pernambuco), mas é argumento falho, como se pode comprovar:

1) O que se refere ao Sul de Pernambuco é o que hoje se chama Alagoas – e o Estado é paupérrimo.

2) Se o desenvolvimento do Sul das Províncias resultasse na emancipação, o Sul da Bahia e o Sul de Minas também teriam se emancipado.

Mas, Alagoas surgiu mesmo como premio à subserviência de um grupo de pernambucanos, liderados por Antônio Ferreira Batalha , que resistiram à revolta republicana em Pernambuco, em 1817.

O interessante é que, após criarem o Estado de Alagoas, quem comandou a política foi o Visconde de Sinimbu – que era filho da heroína alagoana, que participou da revolta republicana.

Coisas de Alagoas, pois não.

No dia 23 de fevereiro, ou seja, há um mês e meio, o post do blog exclamava no título::Êita! Eu acho que Pernambuco vai levar o estaleiro de Coruripe.

Não sei se Pernambuco ou outro Estado, mas alguém está levando o estaleiro de Coruripe. É estranho o silêncio de quem deveria estar na linha de frente questionando e exigindo a obra.

O relatório contrário ao estaleiro em Coruripe é algo tão absurdo, que é difícil acreditar que tenha sido mesmo produzido; que exista.

E ninguém se pronuncia com contundência? Sei não...

Acho que foi em Alagoas que o imperador fez xixi.

Vai chover urubu?

Vai e muito. Começa nesse final de semana e prepare-se porque a partir da segunda quinzena do mês até meados de maio será de muita chuva. A não ser que o relatório contrário ao estaleiro em Coruripe  também conclua pela revogação da Lei da Gravidade!

Em Alagoas, tudo é possivel  se a comissão for de 20 por cento.

No mínimo, claro.

 


 

Blog do Bob

Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.