Esta semana encontramos o senador Renan Calheiros (PMDB) e a primeira pergunta não poderia ser outra.
- O que o senhor acha do governo Téo?
Renan acha o governo confuso e cita o caso do pedido de empréstimo ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), cuja justificativa foi para fazer obras que estavam sendo financiadas pelo governo federal.
Para quem começou o governo com um decreto confuso contra o servidor público, terminá-lo em semelhante confusão parece demonstrar que a lição foi perdida.
Renan aproveita:
- Ora, como é que você pega um empréstimo no Banco Mundial (195 milhões de dólares) e depois pede um empréstimo ao BNDES dizendo que é para fazer obras que o governo federal já está fazendo?
Com isso, Renan procurou desautorizar as críticas negativas sobre a suspensão do envio de recursos financeiros para o Estado.
Mas, o senador garante estar fazendo a sua parte e citou que na audiência com a ministra do Meio-Ambiente para discutir o licenciamento ambiental para o estaleiro de Coruripe, ele chegou a indagar se era aquilo mesmo (que foi definido) o que o governador queria.
Sobre o vice-governador José Wanderley, que se mantém filiado ao PMDB, Renan rasgou elogios:
- É um homem de bem, um parceiro de longas datas, que tem o meu apoio.
Da amiga Mônica, ex-funcionária do Banco do Brasil que reside hoje na Holanda, recebi o e-mail que reproduzo para os amigos internautas.
Trata-se de algo consistente e que me chama atenção por ter sido enviado para fora do País; a Mónica, paulista e filha de alagoanos de Água Branca, mora na Holanda há 15 anos, mas está sempre ligada nas coisas do Brasil.
Na íntegra, o e-mail:
Zummm...Uma mosca zumbideira zumbizou em meu ouvido um zunzunzum que de novo campeia nos corredores do Planalto:
Dizem que o presidente Lula anda desacorçoado com o desempenho de sua pupila na campanha. A continuar assim periga dela naufragar já no primeiro turno! Daí que poderia estar sendo articulado um plano B, uma manobra salvadora para os petistas:
Lula renunciaria a seu cargo para se lançar candidato a vice de Dilma, e assim poder acompanhá-la em tudo que é palanque . Crêem os "grandes pensadores" do PT que com esta alavancada Dilma obterá os votos suficientes para eleger-se presidenta.
Mas a estória não termina aí. Depois de eleita, Dilma cumpriria um breve estágio e em seguida renunciaria por motivo de saúde. Afinal já houve um "histórico" de nfermidade, não é?
E assim, Lula assumiria legalmente a presidência e poderia ficar mais oito anos. A mosca zumbideira arremata o zunzunzum com este raciocínio mais do que lógico: zummm...
Veja bem você, todas as peças se encaixam quando lembramos que Alencar desistiu de concorrer ao Senado e Meirelles aceitou permanecer no Banco Central, ambos abrindo mão de projetos pessoais e à troco de que? De nada?
Agora confira: os artigos constitucionais que tratam da eleição não impedem que o presidente se candidate a vice, desde que se afaste do cargo seis meses antes do pleito.
Pelo menos é isso que se entende da Constituição nos parágrafos 5 e 6 do Artigo 14, que trata dos direitos políticos. Portanto, se for para acontecer esta trama está para estourar, pois de maio a outubro são exatamente 6 meses.
Seria a concretização do sonho petista do terceiro e até do quarto mandato, claro, sempre respeitando a Constituição....à moda democrática do PT.
Zummmmmmmmmmm...
Caros internautas: o que acham disso? De minha parte não será surpresa se acontecer.
Se dependesse do ex-deputado federal José Thomaz Nonô (DEM) a candidatura do governador Téo Vilela (PSDB) à reeleição já estaria nas ruas.
Aliado de primeira hora dos tucanos, Nonô ainda não definiu se abdica da candidatura a deputado federal para coordenar a campanha presidencial de José Serra no Nordeste, mas se mostra insatisfeito com o comportamento de Téo – que parece alheio à disputa.
- É preciso colocar o bloco na rua e assumir logo a candidatura – recomendou.
O jeito Téo de ser é assim e Nonô se sente incomodado porque precisa de uma definição quanto ao candidato a vice-governador. Seu nome já foi comentado para vice de Téo.
Nonô critica a desorganização e a frieza do governador, que reage diferente do convencional; Téo não disse ainda que é candidato à reeleição, nem autorizou ninguém a dizer.
Para Nonô, não basta o eleitor imaginar que Téo é candidato à reeleição; é importante que ele diga e, mais que isso, já comece a trabalhar as alianças e a formação da chapa.
Nem mesmo o fato de a última pesquisa colocá-lo à frente da disputa, seja contra Ronaldo Lessa ou Fernando Collor, foi suficiente para embalar Téo.
PS - Quero agradecer aos companheiros jornalistas Volnei Malta, Deraldo Francisco, França Moura, Carlos Melo, aos amigos Romero Baía, Paulão, enfim, à toda redação de O Jornal pela acolhida e o apoio que recebemos. Informamos aos amigos internautas que nos honram com a participação em nosso blog, que agora estamos assinando a coluna Contexto em O Jornal e esperamos contar com o apoio, criticas e sugestões de todos.
O empurrão da sociedade levou à solução do impasse com o licenciamento para instalação do estaleiro em Coruripe.
Depois do parecer estapafúrdio dos técnicos do IBAMA, a sociedade entendeu que havia sim algo de estranho emperrando o negócio.
Foi assim com a termelétrica; a diferença é que, com a termelétrica, pode-se desviar a atenção e enganar a sociedade com a UPGN – Unidade de Processamento de Gás Natural.
A UPGN não representa nada em comparação com a termelétrica, até porque os 28 mil litros de gasolina que extrai com o processamento do gás são levados para refino na Bahia e ficam por lá mesmo.
Alagoas possui a maior reserva de gás natural dissociado do petróleo, do país. Produz 2 milhões de metros cúbicos por dia, mas fica com a menor parte. Quem se beneficia mesmo do gás alagoano é a Bahia, Sergipe e Pernambuco.
Imagine que Pernambuco não produz gás, mas tomou a termelétrica de Alagoas; a termelétrica pernambucana funciona com o gás alagoano – que segue por dutos até Cabo de Santo Agostinho.
Alagoas é a vaca leiteira, cujo dono não tem direito ao queijo e à manteiga.
Com o estaleiro de Coruripe parecia se repetir o filme da termelétrica, até mesmo com o personagem principal, que é o ex-deputado federal João Caldas.
Caldas lutou sozinho pela termelétrica; e foi João Caldas que convenceu o empresário German Efromovich a instalar o estaleiro em Alagoas.
Finalmente, a luz verde acendeu; na reunião em Brasília ficou acertado que o IBAMA vai conceder licença provisória de instalação para não atrasar a obra. É que, sem a licença, não se pode fazer as licitações para aquisição do material.
E sem material a obra não anda.
O escândalo com os padres e ex-coroinhas em Arapiraca pega a Igreja Católica nas suas contradições. O celibato é uma exigência econômica; o Vaticano impede o padre de se casar para não arcar com o ônus social com a esposa e a prole dele.
É só por isso.
E condena o homossexualismo, mas, claro que isso é apenas em tese porque o celibato não detém o desejo sexual.
Antes não era assim; em 1551, quando o missionário Manoel da Nóbrega desembarcou na Bahia, se assustou com o número de padres com amantes e filhos. Nóbrega escreveu a dom João III pedindo que mandasse urgentemente mais padres - e na leva seguinte veio o padre Anchieta.
Também pediu que mandasse noivas, geralmente órfãs de pais militares que morreram na guerra para conquistar as Índias, porque na falta delas os brancos estavam se amancebando com negras e índias, e gerando filhos.
O tempo mudou e os padres também. E o tempo mudou para se contrapor às teses caducas que a Igreja Católica insiste em manter como dogmas; o tempo mudou para mostrar que o homossexualismo é apenas uma opção que se coaduna com o sétimo enigma da humanidade – que é exatamente a questão do livre arbítrio.
Ninguém até hoje foi capaz de definir a origem da vida, a origem do movimento e o livre arbítrio – logo, qualquer conjectura sobre homossexualidade é falsa.
O escândalo com os padres em Arapiraca tornou-se espetáculo; uns pareciam ter chegado ao orgasmo com mais esse erro do catolicismo. Em um dos comentários na matéria do Cada Minuto, alguém muito eufórico citou Martinho Lutero quando apregoou que o Catolicismo era a ruína.
Ora, não sei se o frei Martinho Lutero era pedófilo ou depravado, mas sei que era ambicioso e gostava de dinheiro. Ele virou protestante porque a ordem dele não foi escolhida para arrecadar o dinheiro da campanha lançada pelo Vaticano – que trocou pecado por dinheiro.
De fato, a ordem do frei Lutero era a mais credenciada para arrecadar o dinheiro; era a mais organizada, mas, a fama de esperto levou o papa a escolher outra ordem.
Não vamos, pois, fazer ilações nem querer santificar quem não é santo; vamos entender que, se o papa tivesse escolhido a ordem do frei Lutero para recolher o dinheiro, ele não teria protestado.
Certo?
Claro que o escândalo dos padres em Arapiraca é lamentável, mas há algo igualmente grave que ainda não foi discutido – sequer comentado na imprensa. Trata-se da extorsão – que aconteceu e foi paga.
Tudo indica que o escândalo só veio à tona porque alguém se sentiu no prejuízo moral e financeiro. Esse alguém armou o flagrante com a filmagem da relação homossexual do monsenhor com a intenção de extorqui-lo.
Primeiro pediram 5 milhões de reais para destruir a fita e o monsenhor fechou o negócio em 32 mil reais, que foram entregues...que foram entregues a quem?
Pois é; esse é o outro lado da moeda.
Outra pergunta: por que não entregaram a fita de vídeo à polícia ou ao Ministério Público, ou a própria CPI da Pedofilia?
Por que optaram pela imprensa?
A experiência ensina que, nesse caso, ao optar pela imprensa esse alguém estava movido pelo ódio de quem se sente ludibriado; de quem se sente no prejuízo financeiro e moral, e quis ir à forra com o escândalo que só a imprensa poderia provocar.
Tudo leva a crer que existe algo de mais podre nesse escândalo em Arapiraca.
O senador Renan Calheiros (PMDB) avisou ao deputado federal Benedito de Lira (PP) que só aceita fazer dobradinha com ele, caso não se junte ao governador Téo Vilela (PSDB).
Para Renan é questão de princípio; se ficar do lado de lá não tem como fazer acordo. Renan está empenhado na eleição de Dilma Rouseff para presidenta da República e Ronaldo Lessa para o governo do Estado.
Foi isto o que foi combinado e como o combinado não é caro, Renan cobra de Benedito fidelidade integral.
O processo eleitoral este ano colocou Benedito está numa sinuca de bico; a saída para ele será o PP se coligar com o PSDB e indicar o vice de José Serra – e aí ele terá a desculpa convincente de que foi arrastado por via de conseqüência.
Mesmo assim, Renan avisou que fará dobradinha com o candidato a senador da coligação à qual está integrado, ou seja, a que apóia Lessa para governador.
Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.