O senador Fernando Collor (PTB) está gostando demais de saber que dizem por aí que ele é candidato a governador este ano, e que alguns acreditam.
Para uns ele nega, para outros manda dizer que é candidato. E dificilmente será candidato, mas em tese é bom para ele que se espalhe a notícia.
E é bom por quê?
É bom porque mantém o processo sucessório sobre controle; é bom porque valoriza a adesão mais à frente e é bom porque seu nome fica em evidência até quando é sem ser.
Mas, na prática não é bom que dispute outra eleição majoritária – ainda que na condição de franco atirador.
E não é bom porque sua candidatura nacionalizaria a disputa caeté; não é bom porque ele está num momento de recuperação de espaços em nível nacional e não é bom porque uma derrota significa transformar em pesadelo o sonho de voltar a disputar a presidência da República.
Todavia, o amigo internauta pode fazer a diferença; afinal, o Collor deve ou não disputar o governo do Estado?
Há duas semanas eu conversei com ele, por telefone; ele estava em Brasília. Disse-me que jamais apoiou o governo em troca de algo – qualquer que fosse.
E desandou a citar nomes: Suruagy, Guilherne, Suruagy, Zé Tavares...
Ele me disse que apoiou todos eles e nada pediu em troca. Assim, ele desmentiu que estivesse se passando para o lado do governo em troca do DETRAN.
Prometeu-me uma entrevista sem o intermediário inventado por Gran Bell; uma entrevista olho-no-olho para repetir o termo que ele mesmo usou.
Na manhã desta terça-feira eu recebi uma ligação telefônica às 6 horas e 46 minutos; era a fonte dando-me as novas.
A fonte me disse que as novas da política é que ele está se aliando ao governo em troca de duas secretarias, um cargo de diretor de segundo escalão na Seinfra e a derrubada do projeto que reduz o tempo para licitação em ano eleitoral.
As duas Secretarias seriam a Agricultura e a Ação Social, mas a derrubada do projeto que reduz o prazo para o governo licitar obras é importante para fechar o negócio - afinal, não adianta o pote cheio sem se poder esvaziá-lo. Não é?
Se for assim, para se juntar ao governo ele alveja o deputado Rui Palmeira – que é candidato a deputado federal. Rui é o autor do projeto quando era da oposição, mas agora é do PSDB e não pode mais defendê-lo. Ele chega ao governo derrubando uma palmeira. Pense!
Eu tentei falar com ele, mas no telefone que conversamos há duas semanas não foi possível localizá-lo. Mas, como os amigos dele e até o prefeito já anunciaram que ele vai mesmo para o lado do governo, só me resta perguntar:
Quem é ele? Será o Benedito?
O prefeito Cícero Almeida (PP) espera o senador Fernando Collor (PTB) anunciar que é candidato ao governo do Estado, como se comenta com mais intensidade nos últimos dias, para também pular fora do chapão.
A condição sine qua non para Almeida permanecer no chapão é se o compromisso do primeiro instante for mantido; e no primeiro instante Collor disse que abriria mão da candidatura ao governo do Estado.
O prefeito tem razão.
Na primeira reunião que fizeram Collor disse que tinha mais quatro anos de mandato para cumprir no Senado e abriria mão da candidatura ao governo; disse que apoiaria o senador Renan Calheiros à reeleição, como primeiro voto para o Senado.
Almeida, que estava bem nas pesquisas, também falou para dizer que tinha mais três anos de mandato como prefeito e também abriria mão da candidatura de governador; disse que seu primeiro voto para o Senado seria para Benedito de Lira.
Depois dessas declarações, o ex-governador Ronaldo Lessa perguntou e respondeu ao mesmo tempo:
- Então o que sobra para mim? É o governo do Estado.
E todos concordaram; e todos se comprometeram a ajudar Lessa lançando-o candidato na frente de apoio à candidatura de Dilma Rouseff à presidência da República. Participaram dessa primeira reunião o deputado federal Augusto Farias e o empresário João Lyra.
O prefeito Cícero Almeida tem confidenciado que não aceita outra composição para governo do Estado, que não seja essa definida na primeira reunião do grupo. Ou seja: se Collor lançar a candidatura ao governo do Estado, ele pula fora do barco.
Pensando bem, do ponto de vista político seria o melhor negócio que o prefeito Cícero Almeida poderia fazer – que seria acompanhar Benedito de Lira e juntar o PP ao PSDB.
Seria o melhor negócio, claro, se Almeida conseguisse emplacar o candidato a vice-governador de Téo Vilela e se este for mesmo candidato ao Senado, em 2014.
Nesse caso, o vice indicado por Almeida concluiria o mandato e trabalharia para ele a candidatura de governador.
Como se vê, Collor pode provocar verdadeiro terremoto se se lançar candidato ao governo do Estado. Pense num chute no taboleiro de dama, quando o cara se prepara para chegar ao carreirão!
Não está sendo fácil à frente de oposição convencer os prefeitos a apoiarem Ronaldo Lessa à sucessão do governador Téo Vilela.
Ressabiados com o tratamento recebido no governo de Lessa (1999-2006), os prefeitos reeleitos em 2008 comparam o tratamento recebido no governo Téo – que tem sido muitíssimo melhor.
Os prefeitos se queixam de que, no governo Lessa, tinham dificuldade de conversar com o governador, mas o pior é a questão do ICMS dos municípios – que não era repassado.
Com o governador Téo Vilela a relação se inverteu; além de melhorar a acessibilidade, Téo já repassou cerca de 40 milhões de reais de ICMS retidos no governo Lessa.
Um prefeito ouvido pelo blogueiro e ligado ao senador Renan Calheiros disse que esse é o principal entrave no apoio à candidatura de Lessa.
Eleito em 2004 para um importante município do Agreste, esse prefeito disse-me que somente à Prefeitura dele o governo Lessa deixou de repassar mais de 2 milhões de reais.
- E não adiantava cobrar - disparou.
Em seguida, completou:
- Eu disse ao Renan que muita gente ainda não separou ele do Téo por isso (atraso no repasse do ICMS).
Para a frente de oposição, o pior é que a reação dos prefeitos veteranos, ou sejam, no segundo mandato, está contaminando os mais novos – que se elegeram em 2008.
Na semana passada, eu e o jornalista Carlos Melo, diretor do Cada Minuto, conversamos com o senador Renan Calheiros sobre isso. Renan admitiu essa dificuldade, mas tratou de minimizá-la.
Renan disse que, em compensação, o governo Lessa está muito bem na avaliação do funcionalismo público.
- É verdade que existe isso (a reação dos prefeitos), mas não é nada que não se possa reverter. Uma conversa franca, olho no olho, pode reverter isso. Em compensação, o Lessa está muito bem na avaliação de outros segmentos, como o funcionalismo público, onde o governo Téo está muito mal avaliado – disse Renan.
Mas, fica a dúvida na reação dos prefeitos: quem confia que tudo será diferente, num terceiro governo Lessa?
A entrevista dos generais Leônidas Pires e Newton Cruz ao jornalista Geneton Moraes Neto coloca a esquerda brasileira no lixo.
Eu já sabia que era isso mesmo: comunistas entregando comunistas, traindo a causa, se locupletando com o dinheiro dos assaltos a bancos, o cofre da amante de Ademar de Barros e as ajudas externas para instalação da guerrilha no País – que não passou de bravata no Araguaia.
O general Leônidas Pires disse que o governo militar pagou para um comunista dedurar os dirigentes do Partido Comunista Brasileiro – que foram presos em São Paulo e mortos, e entre eles supõe-se esteja o alagoano Jaime Miranda.
Eu digo que já sabia por ter sido testemunha de algo semelhante em Alagoas. Em 1970 eu estava servindo ao Exército ( antigo 20º BC) sob o comando do coronel José de Barros Paes e com o capitão José Ribamar Zamith no S-2, o Serviço Secreto.
O coronel Paes e o capitão Zamith integram a lista de torturadores do livro Tortura Nunca Mais, mas o que posso dizer deles é que são dois brasileiros íntegros; no tempo em que passei no quartel só tive exemplos de dignidade de ambos.
O coronel Paes é alagoano e o capitão Zamith é carioca, e tem um histórico polêmico – ele foi punido com a transferência para Alagoas e impedido de chegar a major. Sabem por que o capitão Zamith foi punido?
Porque cumpriu a ordem do general e não poupou nem o próprio general da medida. O capitão Zamith era o oficial superior de serviço quando a esposa do general, comandante do então Primeiro Exército, tentou entrar na Vila Militar pelo portão lateral, cujo acesso o marido comandante mandou proibir.
O soldado de sentinela barrou e formou-se a maior confusão. Esbravejando contra o soldado e até o detratando, a esposa do general ultrapassava os limites quando o capitão Zamith chegou.
A mulher disse que era esposa do comandante e que iria passar; e Zamith respondeu que nem ela nem o marido dela, que deu a ordem, passariam. E não deixou mesmo. A esposa do general se sentiu ultrajada e não perdoou o capitão por tê-la trocado pelo simples soldado – que estava de sentinela e a barrou.
Chamado à presença do general, Zamith discutiu com o comandante e foi transferido para Alagoas quando estava tentando fazer o curso de Estado Maior. Esse relato eu ouvi do próprio capitão Zamith. Depois, o hoje major da reserva e dentista Ariston, irmão do publicitário Ailton Nunes e que era 2º sargento e andava com o Zamith, me confirmou.
Além de transferido, o capitão Zamith teria que morar no quartel – o que significava detenção.
Eu me aproximei dele durante as marchas; eu tinha me habilitado a operar o rádio e o capitão exigia um operador de rádio perto dele; o capitão gostava de dar ordens pelo rádio – ele andava com dificuldade; ele mancava da perna direita.
Pois bem; certo dia chegou uma figura no quartel querendo falar com o capitão Zamith. Vinha denunciar o radialista Castro Filho e o padre da Igreja do Bonfim, no Poço, como comunistas.
Não me lembro o nome do padre; sei que foi entre 1970 e 1971, quando servi. Mas, do Castro Filho não podia esquecer; era radialista polêmico que acompanhei na minha adolescência.
O tempo passou, o governo militar acabou e para a minha surpresa e estarrecimento descobri depois que essa figura de dedo-duro era comunista. Pelo menos assim se apresentava nas manifestações, nos sindicatos e, diga-se, era reconhecido pelos pares.
Portanto, eu prefiro aquele que não muda; aquele que se mantém coerente, eu prefiro o coronel Paes e o capitão Zamith; o general Leônidas e o general Newton Cruz a todo aquele que apenas seduz sem valer à pena.
A Petrobras vai abrir licitação para a construção de seis plataformas de perfuração em alto mar e duas delas serão construídas pelo estaleiro em Coruripe.
É que o Eisa detém a tecnologia. São dois tipos de plataformas: para perfuração e para extração.
Cada uma dessas plataformas contratadas pela Petrobras vai custar 3 bilhões de dólares, o que levou o ex-deputado federal João Caldas à euforia.
- São quase seis bilhões de reais! Imagine que o Canal do Sertão, uma obra monumental, vai custar em torno de um bilhão de reais. É como se você tivesse injetando na região o equivalente ao gasto com seis obras do tipo do Canal do Sertão. Isto é fantástico – comemorou Caldas.
Sobre João Caldas, um parêntesis para se fazer justiça: o estaleiro é obra dele gostem ou não. E, talvez por isso, se explique o marasmo oficial em relação ao projeto, o que se pode deduzir como ciúme de homem – que é a coisa triste de Alagoas.
Ninguém conhecia o mega-empresário bilionário German Efromovich; foi João Caldas que o trouxe para Alagoas e o apresentou às autoridades depois de convencê-lo a instalar o estaleiro em Coruripe.
E não é de agora que João Caldas tenta atrair investimentos para o Estado. Em 2004 eu estava em Brasília e ele, deputado federal e quarto secretário da Mesa Diretora da Câmara, me levou para o aniversário de um empresário amigo dele.
O aniversário foi num iate, ancorado no meio do Lago Paranoá, depois de zarpar do píer do Blue Tree. O aniversariante era um goiano, armador tupiniquim, que o Caldas tentava convencer a instalar um estaleiro em Alagoas.
Revelo isso porque não tolero injustiça.
Pois bem; o estaleiro em Coruripe vai gerar ICMS, ISS e IPI; terá uma rede de energia elétrica exclusiva partindo de Xingó e significará a transformação radical de uma região tanto tempo relegada.
Isso, se a inveja de homem e os maus alagoanos não impedirem.
Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.