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Postado em 09/03/2012 às 09:35

O bando de salteadores que deixou todos de banda

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Apesar dos chiliques de alguns, que veem “o fim do mundo” nas ações de bandos de salteadores no interior do estado, a verdade é que isto sempre existiu.

O município de Colônia Leopoldina, por exemplo, surgiu de uma base militar construída para combater os bandos que assaltavam e matavam na região do Litoral Norte do Estado.

Na região que compreende os municípios sertanejos de Mata Grande, Água Branca, Canapi, Santana do Ipanema, etc., vários grupos de salteadores atacavam fazendas e sítios; o transeunte incauto também ficava só de cuecas se trafegasse pelas veredas da caatinga.

Até o começo do século 20 eram conhecidos “os Pequenos”, “os Moraes”, grupos de salteadores famosos que atuavam até Inajá e Tacaratu, em Pernambuco.

Daí, o noticiário sobre a existência de novos grupos de delinquentes não é novidade. A novidade é que, no caso do bando apresentado pela polícia como responsável pelo atentado ao filho do deputado Antônio Albuquerque e o ataque à casa da prefeita Renilde Bulhões, ele (o bando) age com uma ousadia extrema.

Ou então, age pela certeza da impunidade.

Imagine que, mesmo sabendo que estava sendo caçado pela polícia; mesmo sabendo das prisões de familiares, o bando permaneceu atuando na área.

Não é, pois, o crime que assusta, mas a ousadia de quem o pratica.
 

Postado em 08/03/2012 às 08:34

Deus é mulher e o homem é o Gabriel

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Antes do negro e do índio, a mulher foi o primeiro ser humano a ser explorado e discriminado. Não sei o porquê, só sei que foi assim:

Nos personagens bíblicos, Joaquim e Ana pelejaram para ter um filho homem; para o judeu é desfeita não ter filho do sexo masculino.

Joaquim mandou a mulher, Ana, se internar para tratamento com os sacerdotes e depois de certo tempo Ana voltou para casa e engravidou; e novamente era mulher, a quem o casal deu o nome de Maria.

Mas, esta filha de nome Maria iria se tornar a mãe de Jesus e fazer os pais famosos – que são conhecidos hoje como São Joaquim e Santa Ana.

Imagine que Maria não precisava ter ido a Nazaré para fazer o recenseamento convocado pelo imperador romano, porque na época mulher não se contava; mulher não era sequer número, de modo que só os homens eram recenseados.

Maria foi assim mesmo, grávida, acompanhando o marido, José, que não engoliu de bom grado a versão da gravidez do Espirito Santo e ameaçava deixá-la.

Imagine Maria, carregando Jesus no ventre, e enfrentando um marido que se sentia traído. Dizem que depois foi convencido e também virou santo. São José.

Tem ainda Madalena, que os Evangelhos de Felipe e Tomé apontam como “namorada” de Jesus – que a chegava a beijar na boca. Madalena ficou na história como a prostituta, mas, aqui para nós, eu prefiro o Evangelho de Madalena.

Por dar voz e voto a Madalena, e por defendê-la com contundência, Jesus se indispôs com os outros apóstolos. Com a vez que dava à mulher, o que contrariava os padrões da época, Jesus também se mostrava diferente do padrão geral – lembrem-se: a mulher sequer era número, pois não participava do recenseamento.

O homem dizia quantos camelos tinha, mas não precisava dizer ao recenseador quantas mulheres havia em sua casa.

Pense na luta da mulher! Até hoje ainda existe arestas a serem quebradas, embora já se possa comemorar muita coisa.

Na década de 1960, o exército de Israel precisava de "mão-de-obra para brigar" e foi o primeiro a recrutar mulher para suas fileiras; a decisão foi tão espantosa na época, que no Carnaval brasileiro compuseram uma marchinha de muito sucesso dizendo que “dona Sara” era sargento e Raquel, coronel.

Para chegar até aqui a luta da mulher foi muito dura, com sangue, suor e lágrimas. Que viva, pois sim, as mulheres do mundo inteiro – porque só a mulher foi feita à semelhança de Deus, porquanto só a ela foi dado o poder da criação.

O homem foi feito à semelhança do Anjo Gabriel – que chega pelo telhado.

Viva a mulher!
 

Postado em 07/03/2012 às 09:23

Conhece-se as piabas, mas cadê o tubarão?

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(Atualizado às16h50min)

Todos os que foram presos até agora pela “Operação Espectro” não teriam feito o que fizeram se não contassem com a conivência dos “agentes públicos”. Logo, esses – os “agentes públicos” – são o “xis” da questão e é de se estranhar que não estejam presos também – pior: sequer tiveram os nomes divulgados.

O Jornal divulgou com chamada de primeira página as patentes dos “agentes públicos” e circula à boca miúda os nomes dos responsáveis pelo golpe que lesou o Estado em R$ 300 milhões. Até aqui em Brasília já se sabe os nomes dos “agentes públicos”- mas, a sociedade alagoana não sabe.

São todos culpados, mas os que foram presos até agora são os menos culpados – ainda que a ideia do golpe contra o erário tenha partido deles.

Essa superproteção para os “agentes públicos” culpados deixa a sociedade desconfiada e, ao mesmo tempo, insatisfeita com a operação que resultou na prisão – apenas – dos menos culpados. Trata-se de quando a emenda fica pior que o soneto e o “Espectro” é apenas “Espectro” e não revela a história por inteiro.

Se não era para mostrar todos os culpados, a sociedade agradece mas dispensa a “meia-história” porque já sabe quem tramou o golpe e quer agora saber quem, no serviço público, o aceitou, concordou, autorizou e pagou.

Os empresários e os contadores presos são piabas no mar de tubarão – que permanece intocável e protegido, pelo menos até que se revelem nos mínimos detalhes. Na “Operação Espectro” está faltando um pedaço grande – que é o tubarão.

As piabas, essas, já estão fervendo na brasa. Mas, por dever de justiça, não devem pagar o pato sozinhas.

RECEITA DE UM GOLPE FATAL

Não sei; só sei que é assim: uma ideia, um cúmplice e está posta a receita para se desviar dinheiro público; a engenhosidade humana chega às raias do absurdo, mas o absurdo fica maior quando o cúmplice é o agente público pago para impedir exatamente o que crime que ele praticou.

Mas, isto não é coisa recente no serviço público brasileiro tão vulnerável a golpes no erário. O músico satírico Juca Chaves compôs na década de 1960 uma música que diz assim:

Vamos fazer contrabando/ Contrabando de café
Vou montar um novo bando/ Vou dizer como é que é
Basta ser homem de idade/ Do ex-Distrito Federal
Frequentar a sociedade/ E a coluna social
Brasileiro de malícia/ Tem que ser contrabandista
Quem apanha da polícia/ É estudante e comunista

Juca Chaves foi preso várias vezes e teve shows cancelados à força; Juca Chaves envelheceu, quase não se houve mais falar dele – reside em Salvador – mas a prática permanece com novos personagens, novos bandos e novos golpes.

No caso da operação do Ministério Público, que investiga o desvio de R$ 300 milhões mediante fraudes em licitações da Secretaria de Defesa Social, o golpe tomou dimensões porque a sociedade tem em conta de que está sendo protegida por quem ela paga para proteger.

E não está. Já não se sabe mais de que lado vem o crime.

Esses golpes, em si, parecem naturais; as operações policiais parecem rotinas que robustecem o noticiário da mídia e depois somem da mesma forma como apareceram – de repente; de supetão.

Diz-se que o ex-secretário Paulo Rubim, depois de denunciar o golpe e descobrir os “agentes públicos” envolvidos, optou por se demitir – afinal, está aposentado e não é daqui, de Alagoas, para encarar a barra.

Já se sabia que o melhor contrato com o Estado é para fornecer alimentos para os presos – que são “clientes” sem direito a escolher: ou come o que tem ou fica sem comer. Só não se sabia era que o alimento vendido ao Estado, mulitas vezes, era fictício.

Uma “ilusão de prato”, que permitiu à “ilusão de ótica” aceitar contratos de empresas fornecedoras fantasmas.
 

Postado em 05/03/2012 às 08:14

Lessa é candidato de qualquer maneira

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O ex-governador Ronaldo Lessa é candidato a prefeito de Maceió com ou sem o apoio do grupo que ele sonha reunir e no qual se inclui os senadores Renan Calheiros e Fernando Collor, e o prefeito Cícero Almeida.

Não é fácil reunir o grupo e Lessa sabe disso, mas tenta porque não custa nada tentar. Numa conversa com o prefeito Cícero Almeida, o ex-governador ouviu dele (Almeida) que tem o compromisso com o deputado federal João Lyra.

- “Se o doutor João Lyra for candidato, eu vou apoiá-lo” – disse o prefeito a Lessa, que contou o que ouviu do prefeito.

E se João Lyra não for candidato, qual o plano B do prefeito Cícero Almeida?

Lessa acha que diante dessa segunda hipótese, ou seja, de João Lyra não ser candidato, há a chance de uma composição com o senador Renan Calheiros em torno do nome do secretário Mosart Amaral.

Mosart Amaral funcionaria como “marcador de Lessa” na eventualidade de uma disputa dele (Lessa) em 2014.

Se nos bastidores as conversas já estão sendo realizadas, fora dele o eleitor sente o marasmo que se dá exatamente porque a turbulência interna é grande – o que pode até parece paradoxo. São muitos caciques de olho na mesma taba e qualquer gesto em falso pode ser fatal.
 

Postado em 01/03/2012 às 11:15

Até Chico Tenório perdeu com a nomeação estapafurdia

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A nomeação do ex-deputado federal Francisco Tenório para delegado-adjunto de Acidentes teria a repercussão que teve e duvida-se que possa existir alguém pensando diferente; pensando que a nomeação seria entendida como simples ato administrativo.

Não se trata de julgar ninguém; o privilégio de julgar é exclusivo da Justiça, assim como o Ministério Público tem o privilégio exclusivo da denúncia e a polícia tem o privilégio da apuração e do inquérito.

Não se trata de discutir se o ex-deputado Chico Tenório é culpado ou não; se fez ou não; se mandou ou não mandou – isso não é da nossa conta.

Mas, é sim da nossa conta a nomeação que compromete o estado e alimenta o desgaste. Primeiro porque o ex-deputado Chico Tenório não precisava ser nomeado para isso ou aquilo, se recuperou na justiça o direito de receber seus vencimentos. Poderia ficar em disponibilidade.

No episódio da nomeação, que saiu das páginas do Diário Oficial para a mídia nacional, todos foram prejudicados – inclusive, o próprio Chico Tenório. E não se sabe agora o que é pior, se a nomeação ou a justificativa, que busca se amparar no fato de que é melhor que ele (Chico Tenório) esteja trabalhando para justificar o salário que recebe.

Não, não é. Trata-se de caso especial, onde o bom senso recomenda mantê-lo longe dos comentários que só complicam mais a sua situação. E a nomeação criou um caso nacional, que fica no inconsciente nacional, e imagine que em relação ao um estado que se diz com a terceira cidade mais violenta do mundo.

É mais um motivo de chacota e de discriminação, com o agravante de ter também a “explicação” para o caos que a violência gerou. Ora dirão: a violência em Alagoas se explica porque até delegado usa tornozeleira eletrônica.

É isso o que eles dizem, porque era nisso o que todos sabiam que iria dar a nomeação.
 

Postado em 29/02/2012 às 10:52

Amarrado no PP, Cícero Almeida só pode pedir votos para o candidato do Biu

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Todos querem o apoio do prefeito Cícero Almeida, que é mesmo o grande eleitor de Maceió, mas ninguém atentou ainda para o detalhe de que o prefeito é filiado ao PP e não pode subir no palanque de quem não estiver apoiado ou coligado com o partido do senador Benedito de Lira.

Qualquer que seja o candidato, o apoio do prefeito Cícero Almeida terá de ser discreto. Exceto se o prefeito se rebelar – mas, aí pode ser punido por infidelidade e ficar inelegível com base na lei da Ficha Limpa.

Esse pode ser o nó cego que o senador Benedito de Lira deu, ao colocar Almeida no diretório do PP – que, se lançar candidato a prefeito, terá em tese o apoio de Almeida.

O prefeito pode até não subir no palanque do candidato do PP, mas também não poderá subir no palanque – nem pedir votos – para ninguém.

Digamos que o PP se junte com o PSDB – isto significa uma amarra para Almeida. A única possibilidade de Almeida ficar livre para apoiar quem ele quiser é se o PP não participar da eleição – mas, isto está descartado; o senador Benedito de Lira já disse que o PP vai participar da eleição.

Está aí, pois, o nó apertado dessa eleição: o maior eleitor de Maceió não pode declarar o voto nem acompanhar outra candidato que não seja do PP.
 

Blog do Bob

Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.