Um primeiro-ministro britânico definiu três tipos de mentiras:
A mentira propriamente dita
A mentira capciosa
E a estatística.
Claro, não quis com isso desmerecer a estatística e sim mostrar que os números podem ser manipulados. E, de ordinário, os números da estatística são manipulados.
Sinceramente, não acredito no resultado das pesquisas que estão sendo apresentadas e não é só porque são realizadas de forma açodada; ouvir num dia só mais de mil pessoas é tarefa hercúlea que foge ao nosso entendimento estatístico.
Em todo caso, os números estão postos. Eu, sinceramente, não acredito neles; mas, e o amigo internauta, acredita?
Tem também o fato de o Ibope ser aquele mesmo instituto que, em 1982, manipulava os números para derrotar o Leonel Brizolla na disputa pelo governo do Rio de Janeiro. Se não fosse o saudoso Jornal do Brasil, que descobriu a trama, o Brizolla tinha perdido a eleição para os números do Ibope.
Daí, ao me lembrar da trama contra Brizolla, eu me lembro também da definição do primeiro-ministro inglês acerca da mentira.
Quem acredita em pesquisa eleitoral levante a mão!
Ih...quase ninguém levantou a mão.
Pois então lá vai: quem foi entrevistado nessas pesquisas levante a mão!
Ih...
Em tempo: por mais ruim que seja o governo ele terá sempre 30% dos votos. Numa pesquisa, quando o percenual se aproxima de 40% para um dos candidatos, o candidato à reeleição jamais terá menos de 20% dos votos. A não ser que...
Enquanto o candidato a senador, Benedito de Lira (PP), dança no palanque – literalmente – o governador Téo Vilela (PSDB), candidato à reeleição, tira o maior sarro com os adversários no programa eleitoral tucano.
Para ilustrar a denúncia de que, antes do governo dele, nenhuma indústria se instalou em Alagoas, Téo faz a ressalva e entra em cena o picolé Caicó – que é a exceção; a única indústria que se instalou em Alagoas foi mesmo o Picolé Caicó.
Pior que é verdade; o que poderia ser apenas exagero da campanha eleitoral passa a ser a dura realidade vivida pelo Estado onde o projeto de governo parece se confundir com plano de assalto ao erário.
A década de 90 foi perdida; além de não atrair investimentos industriais, Alagoas ainda perdeu a Comesa – que o Grupo Gerdau dividiu em duas para ampliar suas unidades no Ceará e em Pernambuco.
Também perdeu a cervejaria para Sergipe e a fábrica de helicóptero foi quimera de uma noite tenebrosa.
A dança do Biu pode não levá-lo ao Senado, mas, somado à estratégia de Heloísa Helena pregando o segundo voto nela mesa deve mexer muito com os números finais.
Já fizemos aqui a projeção e cabe repetir: imaginemos que Heloísa Helena tenha 200 mil e que a metade dos seus eleitores votou nela duas vezes – e isto daria 100 mil votos, que não iriam para ela, é verdade. Mas, também não iriam para ninguém; seriam 100 mil votos retirados da concorrência.
Captaram a mensagem?
Aí, com a dança do Biu e o picolé do Téo a campanha eleitoral finalmente encontrou o tom. Afinal, o que dá pra chorar também dá pra sorrir.
Literalmente.
O Ibope concluiu neste domingo a pesquisa de intenção de votos para o governo de Alagoas. O resultado será divulgado terça-feira à noite.
Mas, a bisbilhotice humana produz ti-ti-ti e ti-ti-ti leva a especulações – que podem ser para mais ou para menos.
Daí, o ti-ti-ti diz que o candidato A continua A, mas o candidato que era C pulou o B. Outros dizem que o C encostou no B.
O que o amigo internauta acha?
1) O candidato A continua A
2) O candidato que era B agora é C
3) O candidato que era C agora é B
4) O candidato B é agora igual ao C
SAUDADES DO JORNAL DO BRASIL
No dia 5 de fevereiro de 1977, quatro dias antes de completar 26 anos de idade, eu desembarquei no Rio de Janeiro e estava ansioso; mais que isto, eu estava nervoso.
Já conhecia a cidade, mas, naquele dia 7 eu desembarquei no Rio para me apresentar no Jornal do Brasil; eu fui indicado pelo saudoso Freitas Neto e pelo grande Márcio Canuto – grande na estatura, no talento e no caráter.
O jornalista e professor da PUC-RJ, Juarez Bahia, era editor de Nacional do JB e ligou para o Márcio Canuto, que era editor-geral da Gazeta, pedindo para ele indicar um repórter para fazer o teste no JB; se passasse seria contratado como repórter.
O Márcio Canuto e o Freitas Neto, que era correspondente do “Estadão”, me indicaram. Numa tarde, quando cheguei à redação da Gazeta – que era na Rua do Comércio – o Márcio Canuto me mandou passar na Dreamar Turismo e pegar a passagem com o saudoso Ilmar Caldas, para o primeiro avião no dia seguinte.
Desembarquei no Rio extasiado. Era um sonho; imagine entrar na redação do JB, no prédio novo lá em São Cristóvão (Avenida Brasil, 500) e encontrar Paulo Henrique Amorim, Dora Krammer, Jorge Pontual, Roberto Benevides, Villas Boas-Correia, Marco Sá Correia, Willams Wack (correspondente do JB na Alemanha), Oldemário Touguinhó, Hedyl Valle Jr., Gilberto Paoletti, Arthur Xexéu e tantos outros cobras.
Fui me apresentar ao Juarez Bahia e me surpreendi; no birô dele estava um exemplar da Gazeta com a matéria que eu e o repórter fotográfico Helder Monteiro (irmão do Dárcio) fizemos contando sobre os últimos dias de Lampião.
- Essa matéria é sua?
- É
- Resuma tudo isso numa lauda. Pode pegar aquela máquina ali.
Gelei. Era uma página e resumir tudo numa lauda, que tem 25 linhas, me parecia impossível. Realmente, eu demorei muito e quando consegui o Juarez pegou o texto e me disse:
- Leia o manual de Redação.
No manual de Redação do JB estava escrito que o bom lead tem trinta palavras e o lead excelente tem vinte e cinco.
Mas, com vinte e cinco ou com trinta palavras, no lead tem de constar as respostas às cinco perguntas kimplinianas. Não é fácil. Mas, apesar das observações do Juarez, que vetou o texto e mandou que eu redigisse outro, e depois outro até aceitá-lo, eu passei no teste.
Não acreditei quando peguei a Carteira de Trabalho e conferi o registro: Repórter II. Como Repórter II, se todos começam como Repórter III?
Não sei; só sei que fiquei doze anos no JB. De fevereiro de 1977 a outubro de 1989! Foi minha maior escola.
Na semana passada conversei pelo telefone com o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), que foi meu colega na Ufal. Ele me perguntou se eu tinha guardado “aquela matéria sobre Lampião” e eu respondi que não; que não tinha nenhum exemplar.
- Aquela matéria era para você ganhar o Prêmio Esso – disse-me o Aldo.
Bondade do companheiro Aldo Rebelo; eu nunca escrevi nada para o Prêmio Esso. Em compensação, com aquela matéria eu ganhei o emprego no Jornal do Brasil.
NR - Na conversa com o deputado federal Aldo Rebelo ele lembrou a época da Ufal e a "Equipe Mao Tse Tung", das aulas de Sociologia do saudoso professor Salomão de Barros Lima. Disse que, naquela época (1975) "quem tinha juízo tinha medo. E a gente tinha medo, mas não tinha juízo". E perguntou pelo Alberto Casado e o Péricles Gama; disse-me que da turma só encontrava mesmo como o Beto Jucá - que é assessor e primo do governador Téo Vilela. Pois bem; li na coluna do competente jornalista Flávio Gomes de Barros que, nesta segunda-feira, será a missa de sétimo dia da morte do Péricles - que era promotor aposentado. A missa será na Igreja Menino Jesus de Praga, no Jardim das Acácia. Meus pêsames à família.
O censo 2010 do IBGE vai revelar uma população ilegítima de brancos em Alagoas. É isso mesmo; uma das curiosidades anotadas pelos 3 mil recenseadores que já visitaram 1 terço de 1,1 milhão de domicílios é que a maioria dos entrevistados se declara de cor branca.
- Qual a cor da sua pele?
- Branca – responde o entrevistado.
E, como o recenseador é obrigado a registrar o que lhe respondem, está aí a estatística irreal do censo 2010, com Alagoas com uma população branca que não existe.
Na condição de negro, eu fico a matutar: a Hebe Camargo, que é morena e virou “galega” tem razão; numa entrevista nas páginas amarelas da Veja, Hebe disse certa vez que o próprio negro é que se discrimina.
E citou casos de negros famosos, cuja primeira preocupação é casar com mulher branca. E, de fato, os exemplos são muitos.
Na edição deste domingo de O Jornal eu abri a coluna que escrevo, “Contexto”, abordando o tema com o título: Negro, eu?
Pois é; estamos diante de dois casos sérios:
1) O censo 2010, no que se refere a definição da cor da população, não vai refletir a realidade.
2) O mais grave, é que a discriminação é do próprio negro.
Gente! Por favor: a epiderme é apenas um detalhe do corpo.
O Tribunal de Justiça comprovou que a operação das Letras Financeiras de Alagoas, lançadas no mercado em 1995, foi fraudulenta e a fraude causou prejuízo de R$ 587 milhões ao erário estadual.
Ao assumir o governo do Estado, em 2007, o governador Téo Vilela (PSDB) denunciou o rombo de R$ 480 milhões nas contas públicas.
Somando-se os dois rombos tem-se 1 bilhão de reais de rombo em 12 anos de mandatos de dois governadores, do que se deduz: é rombo demais para um Estado tão pobre.
Pobre? Sei não...
É da natureza jurídica que o Estado jamais vai falir, mas é também da natureza econômica que o Estado tem de arranjar o meio de acertar suas contas.
Em 1994 a dívida externa de Alagoas era de R$ 2,5 bilhões; em 1997, quando assumiu o governo, o Téo encontrou a dívida em R$ 7 bilhões e o Estado estava no Cadin – que o Cadastro de Inadimplente, espécie de Serasa dos Estados.
Por conta de estar no Cadin, Alagoas só tinha direito a receber bom dia, boa tarde e boa noite do governo federal.
O governo Téo Vilela colocou as contas em dia, mesmo sendo obrigado a pagar R$ 40 milhões de juros todos os meses – que é outra herança maldita deixada pelo descalabro.
É preciso dizer, por dever de justiça, que se Alagoas recebeu dinheiro federal é mérito do atual governo – que pagou a conta da irresponsabilidade alheia; que não reteve mais o dinheiro dos municípios, nem o dinheiro do funcionalismo com empréstimos consignados.
Depois de colocar ordem na desordem financeira e fiscal, se o governador Téo Vilela se reeleger vai usufruir do trabalho que produziu; e se não se reeleger vai deixar para o sucessor um Estado que deixou de ser caloteiro, corrupto, irresponsável e perdulário - como nunca se viu!
Tô certo, ou tô errado?
O que estava marcado para ser um grande debate na noite desta quinta-feira, 19, com universitários da Faculdade Tiradentes (Fits) e o candidato a governador Ronaldo Lessa (PDT) se transformou em grande frustração.
Lessa não compareceu e mandou o candidato a vice-governador, Joaquim Brito (PT), que ficou sem jeito com a vaia estrondosa que recebeu.
Não se sabe se a vaia foi para o candidato a vice-governador ou se foi após o comunicado de que Ronaldo Lessa não poderia estar presente ao debate.
Com capacidade para 150 pessoas – e o auditório estava lotado – ocorreu então o esvaziamento da platéia – que, frustrada, entendeu a ausência de Lessa como descaso.
O que o amigo internauta acha:
Foi descaso de Lessa?
Por que Lessa não compareceu?
A vaia foi para Joaquim Brito ou para Lessa?
Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.