A semana será decisiva para se definir a instalação do estaleiro em Coruripe. Dos 43 itens necessários à implantação do estaleiro, o Estado atendeu a 42 – está faltando a licença do IBAMA.
E por que o IBAMA está demorando tanto para dar a licença, se em Pernambuco destruíram 350 hectares de mangue e já estão construindo o segundo estaleiro?
O estaleiro alagoano tornou-se um imbróglio jurídico de competência, ou a falta dela, para se decidir. O IBAMA diz que o Mar é nacional e a competência para dar a licença é dele. Tudo bem: mas por que em Pernambuco a licença foi dada com celeridade?
Aqui pra nós, eu acho que tem alguém trabalhando contra o estaleiro em Coruripe e esse alguém está muito próximo do Estado – é o “inimigo íntimo”.
A aliança do PDT e do PT com o prefeito Cícero Almeida (PP) tornou-se espúria antes da eleição, quando o prefeito declarou apoio ao governador Téo Vilela. As razões para o apoio de Almeida a Téo são técnicas – o governador não pode mais disputar a reeleição.
O PDT e o PT deveriam ter desfeito a aliança, mas optaram por agir como hospedeiros e tentar tirar proveito do mau negócio, porquanto a política é assim – segundo Laing.
Perderam e agora querem desfazer a aliança, mas é tarde demais – pelo menos para o PDT, cujos integrantes de primeiro escalão optaram em ficar com o prefeito. Claro, pesa decisivamente o vencimento de 17 mil reais mensais.
O PDT também é hospedeiro do governo federal, mas não sabe até onde poderá sugar. Na dúvida, os secretários Pedro Alves e Arnóbio Cavalcante preferiram 17 mil reais na mão, do que dois cargos federais voando.
O próprio Ronaldo Lessa precisa se arrumar e, de preferência, num cargo capaz de blindá-lo contra eventuais investidas do Ministério Público.
Interessante é que, com a decisão do Superior Tribunal de Justiça mantendo a condenação imposta pelo Tribunal de Justiça, Lessa vai enfrentar novos problemas com a lei do “Ficha Limpa” nas próximas eleições.
E o PT?
Bem, o PT quer reaver a vaga na Câmara Municipal e pedir ao secretário municipal de Educação, Tomaz Beltrão, para sair será suicídio. Daí, o presidente estadual Joaquim Brito passou a bola para a presidente do diretório municipal, Lenilda Lima – que ficou de pensar se manda ou não Tomaz Beltrão sair.
Para mim, ela não vai mandar. Ou seja: Tomaz Beltrão permanece secretário. Querem apostar?
A REPÚBLICA DA DOR-DE-COTOVELO
O marechal Deodoro não queria proclamar a República; o objetivo do “golpe militar” de 15 de novembro de 1889 foi destituir o gabinete liderado por Ouro Preto – que se tornou desafeto de Deodoro.
Depois da “guerra do Paraguai”, o Império sentiu necessidade de reforçar a Armada Naval e Ouro Preto defendia a extinção da força terrestre para criança de uma Marinha com Infantaria forte.
Deodoro era contra.
E a prova maior de que sua intenção não era proclamar a República é que, uma semana antes do dia 15, Deodoro editou a “ordem-do-dia”, que foi distribuída com os comandantes militares e na qual ele determinava a reação contrária ao ideal republicano.
Deodoro cunhou a frase: “Ruim com ela (Monarquia), pior sem ela”.
Mas, depois de demitir Ouro Preto, o marechal Deodoro foi surpreendido com a decisão do imperador de nomear o gaúcho Silveira Martins para substituí-lo. Dom Pedro II não sabia que havia uma rixa antiga entre Silveira Martins e Deodoro.
Deodoro disputou com Silveira Martins o amor da Baronesa de Triunfo, quando governou o Rio Grande do Sul, e perdeu.
A dor-de-cotovelo levou Deodoro a proclamar o que, uma semana antes, ele condenava em ordem expressas aos comandantes militares.
E assim, amigos internautas, a República Brasileira nasceu de uma dor-de-cotovelo.
O prefeito Cícero Almeida desconfia de que o senador Benedito de Lira, que é o dono do PP em Alagoas, é o candidato natural do partido ao governo do Estado, em 2014.
O que para o eleitor está distante quatro anos, para o postulante ao cargo está em cima da hora; ou decide agora ou corre o risco de ficar no meio do caminho.
Eleito com quase 1 milhão de votos e com oito anos de mandato, o Biu é o “franco atirador” em 2014 – ele disputa o governo do Estado sem susto, pois, se perder volta para o Senado.
Almeida já anunciou que vai conversar com o Biu e dependendo dessa conversa ele (o prefeito) decidirá se permanece ou não no PP.
Digamos que o prefeito deixe o PP. Mas, é preciso entender que não basta trocar de partido, porque o mais importante e decisivo é comandar o partido.
Trocando em miúdos: o prefeito tem de “adquirir” um partido, porque a legislação eleitoral exige que o candidato esteja filiado a uma agremiação partidária.
E Almeida é o único “cacique” sem tribo - e "cacique" sem tribo é igual a padre sem paróquia. Almeida é a única liderança política que não tem um partido na mão, assim como o PSDB é do governador Téo Vilela, o PMDB é do senador Renan Calheiros, o PTB é do senador Fernando Collor, o PDT é do ex-governador Ronaldo Lessa e o PP é dele, do Biu.
No PP, o prefeito Cícero Almeida é apenas o auxiliar de maquinista. E é preciso saber se o Biu vai deixar que ele dê uma voltinha em 2014...
Piuí, piuí...
Todo ano tem problema com a aplicação das provas do ENEM, o Exame Nacional de Ensino Médio – que mede a capacidade dos alunos de segundo grau e, por via de conseqüência, o nível das escolas onde estudam.
Deve estar aí o “xis” da questão, porque envolve as escolas particulares – que também são avaliadas por tabela.
No ano passado houve problemas com o sumiço de provas e, este ano, as provas ficaram sob a responsabilidade do Exército – que as guardou com zelo e eficiência; não vazou nada, mas deu-se depois o problema de erros de impressão.
A quem interessa desmoralizar o ENEM? Ou melhor: além do aluno reprovado nos testes, quem mais está sujeito a perder com a avaliação do ENEM?
Considerando-se que a escola pública nada tem a perder, porquanto todos convivem e parecem admitir resignados as deficiências do ensino público no País, então quem está se sentindo prejudicado com o ENEM?
Serão que é boicote das escolas particulares – que temem ser desmoralizadas na avaliação do ENEM?
Será?
Pela manhã ouvi estupefato alguém dizer no noticiário da televisão: “Por pouco não completamos trinta e duas mortes de moradores de rua em Maceió”...
Ai, égua...
Pronto; trata-se mesmo de um jogo. Foi por pouco, muito pouco mesmo, que não completamos 32 mortes! Passou raspando, mais precisamente, as facadas passaram raspando os órgãos vitais daquele que – para frustração da espetacularização geral – escapou de ser a trigésima segunda vítima fatal graças ao socorro da polícia e do SAMU.
Desculpem-me, mas parece um jogo.
Assisti no Fantástico as cenas que nós aqui, do Cada Minuto, e mais os lojistas que trabalham na Galeria Art Pajuçara, já nos acostumamos a ver diariamente. Quem quiser assistir fica na Rua Jangadeiros Alagoanos, onde funcionou o antigo Othon Pajuçara.
Aliás, o jornalista Wadson Correia, do Cada Minuto, foi o primeiro profissional a denunciar “a pracinha do crack”, com o flagrante dos “freqüentadores” se drogando à luz do dia.
Um deles, que ficou irado, atirou uma pedra contra a janela de vidro no banheiro. E nós somos obrigados a manter com eles uma relação de cordialidade, porque a base deles é vizinha e não adianta a polícia colocá-los para correr porque eles voltam depois.
A base é estratégica, porque a droga é adquirida à 100 metros de distância. E também porque a maioria deles levanta o dinheiro para comprar o “crack” fazendo trabalho de flanelinha na orla., ou praticando furtos e arrombamentos na vizinhança.
E entre eles tem os que são mais espertos – ou pensam que são – e passam a “fazer avião” , e não prestam contas ou porque fumaram tudo que pegaram para vender, ou porque gastaram o dinheiro apurado.
É isso o que está acontecendo. O resto é espetacularização.
A imprensa vem divulgando as mortes “misteriosas” de moradores de rua e já se chegou a levantar a suspeita da existência de um grupo de extermínio atuando em Maceió, com a deliberação de matar quem mora na rua.
Essas mortes serviram de “gancho” para noticiário eleitoreiro no período eleitoral, mas a verdade é que não existe “grupo de extermínio”. Essas mortes são acertos de conta no comércio do tráfico – que não apela para o SPC ou para o Serasa para punir os inadimplentes.
Querem porque querem encontrar esse “grupo de extermínio” e eu aviso que é melhor procurar chifre em cabeça de cavalo. E aviso também que tem mais “morador de rua”, na verdade “noeiros da rua”, na lista para morrer porque a relação de devedores é extensa.
A polícia se queixa da falta de testemunhas e vai continuar se queixando, porque quem abrir a boca e apontar o responsável pelas mortes terá igual fim.
No comércio da “nóia” o traficante não perdoa dívida de 5 reais – que é quanto tem valido a vida dessa gente.
O resto, é espetacularização da imprensa que não investiga antes de noticiar.
Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.