Conversei esta manhã, pelo telefone, com o deputado federal e agora senador Benedito de Lira (PP), que está em Brasília. Ele se reuniu com a candidata a presidenta da República, Dilma Rousseff (PT), e reafirmou seu compromisso em nível federal – mas, em nível estadual o candidato é outro.
Felicíssimo, Benedito de Lira lembra que muitos o chamaram de “louco” quando anunciou que iria disputar o Senado.
- “Disseram que eu estava doido por trocar a reeleição certa para a Câmara Federal, pela candidatura de senador” – lembrou desdenhando dos conselhos que lhe deram para desistir.
- Pode-se dizer que o senhor é o homem de um milhão de votos. E agora? - perguntei
- E agora, eu vou cuidar da eleição do meu governador – respondeu o senador mais votado de Alagoas.
E o candidato a governador de Benedito de Lira é Téo Vilela, que deve ter também o apoio da ex-prefeita de Arapiraca e agora deputada federal Célia Rocha.
A disputa pelo espólio de votos de Collor dá vantagem a Téo Vilela por uma razão simples, mas importantíssima: em 2014, Téo não pode mais disputar o governo do Estado.
Isso, sem falar no perfil do eleitor e da base de Collor – que está muito mais próxima de Téo que de Ronaldo Lessa.
O que o amigo internauta acha?
Eleito senador com a maior votação, Benedito de Lira suplantou o senador Renan Calheiros – que era apontado nas pesquisas como o mais votado – e, também, igualou-se no feito – igual a Renan, o Benedito também elegeu o filho para a Câmara Federal.
Pela primeira vez na história política de Alagoas, pai e filho estarão juntos no Congresso Nacional.
Pensando bem, Benedito é o grande vitorioso dessa eleição majoritária; imagine que saiu candidato na desvantagem e, se não fosse exímio jogador na política, não teria feito a opção certa de se aliar ao governador Téo Vilela.
Antes da campanha eleitoral, eu e o jornalista Carlos Melo, diretor do Cada Minuto, conversamos com o senador Renan Calheiros – que achava ter sido a opção de Benedito errada; Renan nos disse que era melhor para o Biu ficar junto dele.
A conversa com Renan foi tema de postagem do blog, à época. Pois bem; Biu estava certo, pois se ficasse na mesma coligação de Renan viraria sombra deste, ou seja, não teria vida própria.
Nesta eleição uma coisa é certa: o Biu fez a diferença e é o “fiel” da balança no segundo turno – afinal, obteve quase 1 milhão de votos!
Votos que ele, igual a ninguém, sabe catar um por um. Ele e o “Cabeça”.
Votação de Marina Silva levou eleição de presidente da República da o segundo turno
(Atualizado às 2h20min)
O governador Téo Vilela (PSDB) festeja a vitória em Arapiraca como se fosse a final da decisão, e tem motivos de sobra. Téo derrotou Ronaldo Lessa (PDT), que teve o apoio maciço do prefeito Luciano Basbosa, e derrotou Fernando Collor, que teve o apoio da ex-prefeita Célia Rocha (PTB).
Téo também derrotou Lessa e Collor em Maceió, Penedo e Rio Largo; e só perdeu em Palmeira dos Indios e União dos Palmares, ainda assim por diferença ínfima.
O segundo turno em Alagoas se transformou também na disputa presidencial e Téo, se precisar, terá o apoio da senadora Marina Silva (PV), cuja votação impediu a candidata do PT, Dilma Rousseff, de vencer a eleição no primeiro turno.
Foi isso o que ouvi de um dirigente do PSDB.
O peso do Ciço, a dança do Biu e o jeito Téo de ser
Quem menosprezou o poder de Benedito de Lira amarga agora o dissabor do erro fatal. Mais diretamente, o dissabor maior cabe à candidata Heloísa Helena – que, aliás, fez de tudo para perder a eleição.
Heloísa recusou a filiação de Pinto de Luna ao Psol; se recusou a fazer acordos e brigou com o candidato do partido à presidência da República. O estereótipo de briguenta pesou-lhe negativamente e Benedito de Lira soube explorar muito bem.
Some-se também ao sucesso de Biu a participação do prefeito Cícero Almeida – que levou Biu para a periferia e conteve-lhe a rejeição.
Almeida também foi importante para o governador Téo Vilela; a tradição do eleitorado da Capital é de oposição e a periferia está dividida em “feudos oposicionistas” – ou “currais” da direita clientelista.
Imaginem que o governador Téo Vilela, que no inicio aparecia nas pesquisas em terceiro lugar, chegou em primeiro.
Nessa eleição, além da Internet, tivemos o peso do Ciço, a dança do Biu e o jeito Téo de ser – que, tal qual o tucano, só alça vôo para o galho certo.
São três grandes nomes disputando o governo do Estado, este ano, em Alagoas. O governador Téo Vilela tenta a reeleição enfrentando o ex-presidente da República, Fernando Collor, e o ex-governador Ronaldo Lessa.
São pesos pesados que ninguém pode negar.
Mas, e o que está fazendo a diferença em prol do Téo? Anotem aí:
1) Se veio dinheiro federal para Alagoas é porque o Estado, hoje, não é mais “ficha suja”. Antes era.
2) Nunca se viu tantos investimentos nos setores secundários e terciários da economia.
3) Nunca se viu a segurança pública entregue a profissionais. Antes, quem comandava a segurança pública eram os políticos.
4) Desde 1998, nunca se viu uma eleição sem assaltos a bancos. E nunca se viu tantos assaltantes de bancos e ladrões de cargas presos.
E sendo assim, o erro dos adversários de Téo foi negar essa realidade que está explicita com muita nitidez. O discurso de que os investimentos em Alagoas são do governo federal só ajuda a elevar o conceito de Téo, ou seja, o efeito foi o contrário do que seus adversários calculavam.
E isso, por um motivo simples: o governo federal não libera dinheiro para o Estado governado irresponsavelmente.
E, se o dinheiro não veio antes, foi porque o Estado não tinha crédito.
(Atualizado às 18h40min)
A assessoria do candidato a senador Benedito de Lira (PP) informou ao blog que as cinco inserções da candidata ao Senado Heloísa Helena, no guia eleitoral de quarta-feira, foram "generosidades" da coligação que tem o senador Renan Calheiros (PMDB) como candidato à reeleição.
Renan e Heloísa são adversários; mais que isso, eles estão de mal e não se falam há anos. E o que levou Renan a ceder o espaço a adversária e, mais que isso, sua critica ferrenha?
A resposta está no post abaixo, quando afirmamos que a eleição para o Senado está indefinida e a subida de Benedito de Lira nas pesquisas não preocupa apenas Heloísa Helena - daí, a velha máxima: para derrotar o inimigo comum, junta-se os interesses comuns.
Heloísa, que tem o menor tempo no guia eleitoral, aproveitou a generosidade dos espaços para espinafrar o Biu. E foi para isso que lhe cederam os espaços.
Mas, será que a dança do Biu vai fazer mesmo alguém dançar nas urnas?
ELEIÇÃO PARA O SENADO EM ALAGOAS ESTÁ INDEFINIDA
Apesar de o senador Renan Calheiros (PMDB) liderar a disputa pelo Senado, a eleição não está definida. Foi isso o que me confirmou o dono de um instituto de pesquisa – que ouviu eleitores esta semana numa pesquisa restrita.
Os números não podem ser revelados porque a pesquisa não foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral, mas a afirmativa de que a eleição para senador está indefinida se baseia no elevado número de indecisos – que é de 50 por cento.
Eu já tinha ouvido isto bem antes, numa conversa com o senador e candidato a governador Fernando Collor (PTB).
Na ocasião, Collor me disse que nem Renan nem Heloísa Helena poderiam se julgar eleitos e estava certo porque tudo pode sair das urnas de domingo e surpreender quem se sentia bem na fita.
A candidatura de Benedito de Lira cresceu muito e cresceu tanto que, em Marechal Deodoro, na semana passada, deu para sentir uma “pontinha de ciúmes” de Renan diante da reação da população chamando Biu para dançar.
- “Biu! Dança comigo.” – gritavam as eleitoras ouriçadas.
A questão do segundo voto é complicada; quem vota em Renan não vota em Heloísa Helena e a recíproca é verdadeira. E muito dos eleitores do Biu não votam em Renan e Heloísa.
E o amigo internauta vota em quem para o Senado?
Ele andava meio macambúzio e, de repente, pegou ar. Mas, não pensem que foi milagre do pastor R.R Soares, com quem está assim, ó!
O ex-deputado federal João Caldas, que é candidato a recuperar a vaga na Câmara Federal pelo PSDB, pegou embalo e anda a mil por hora fechando acordos que lhe garantam no mínimo 100 mil votos.
Já fechou doze acordos com prefeitos e outros com deputados estaduais de curral fechado. E conseguiu arrancar do governador Téo Vilela a declaração de apoio explícito no guia eleitoral.
Eu vou contrariar os especialistas e arriscar dizer que a coligação do governador Téo Vilela (PSDB) pode fazer quatro deputados federais, das nove vagas existentes.
Que acham?
Por exemplo: Givaldo Carimbão (PSB) e Artur Lira (PP) estão eleitos. Certo? Aí vem Rui Palmeira, João Caldas e Alexandre Toledo, os três do PSDB – e eu acho que o PSDB vai eleger dois deles.
Se for assim, sobram cinco vagas paras as coligações dos candidatos Fernando Collor e Ronaldo Lessa.
Na coligação de Collor, ninguém duvida da eleição de João Lyra e Célia Rocha, ambos do PTB.
E, na coligação de Lessa, também ninguém duvida da eleição de Joaquim Beltrão e Renan Filho.
Sobra uma vaga para Rosinha da Adefal, Chamariz, Paulão, Pinto de Luna, Maurício Quintela e Francisco Tenório.
Concordam?
Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.