A toada se reproduz se despedindo da tarde – que cai em Maceió sob o agito de uma cidade que já foi acanhada. Diz lá a toada:
O Téo é 45
É nele que vou votar
É nosso governador
Deixem ele trabalhar.
Reproduzida em decibéis compatíveis por uma Kombi com alto falante, que segue em marcha lenta beirando o meio-fio da orla marítima, a toada parece um afago.
E alguém logo identifica: essa é a voz do Cícero Almeida, o prefeito afinado. E é mesmo.
Uma eleição se ganha com votos, é claro, mas começa a ser ganha quando existe essa interação com o público. Evidente que o candidato não pode ser um desastrado; evidente que o candidato tem de ter trabalho reconhecido.
É o caso do governador Téo Vilela. Nunca, na história política deste País, e do Mundo, um candidato com mais de 70% de aprovação perdeu eleição.
O governador Téo Vilela tem 75% de aprovação e venceu no primeiro turno em 68 dos 102 municípios disputando contra dois fortíssimos candidatos – e, onde perdeu, ele perdeu por pouco.
Pois é; vejo agora o número das pesquisas do Ibope e do Ibrape – que se aproximam da realidade; e vejo a pesquisa do Gape – que se afasta da realidade.
São números frios, que não sei onde eles arranjam.
Pelo que sinto, nesta eleição tem alguém mais que vai perder: são os institutos de pesquisas, que trabalham com números irracionais.
(ATUALIZADO ÀS 20h15min)
A Polícia Federal está procurando os ex-governadores Ronaldo Lessa e Manoel Gomes de Barros, e o dono da empreiteira Gautama, Zuleido Veras, para trazê-los à força para depor no inquérito da "Operação Navalha" - que apura o superfaturamento da obra da macrodrenagem do Tabuleiro do Martins.
Eles foram convocados para depor nesta terça-feira, 19, mas não compareceram à PF.
No caso de Lessa, o problema é que ele assinou o aditivo no valor de R$ 14 milhões em favor da Gautamo. O superintendente da PF em Alagoas, delegado Amaro Vieira, disse que Lessa foi intimado três vezes e não pode alegar desconhecer a convocação para depor.
O candidato a governador pela "Frente de Oposição" está em lugar incerto; a assesoria dele diz que Lessa está em Brasília, mas não permite contato telefônico com ele. O jornalista Beto Macário, do Cada MInuto, insistiu para conversar com Lessa, mas um assessor identificado como Marcos disse que ele estava numa reunião e não poderia atender.
Gente! O que é que é isso?
Lessa pode se apresentar voluntariamente e, pelo que nos foi informado, ele deve ir à PF pela madrugada para evitar a imprensa. O problema é que tem cinegrafista de plantão nas imediações da PF e se o plano for esse é melhor não arriscar.
Mas, se não se apresentar pode ser trazido à força para depor - é o que diz o Artigo 260 do Código Penal.
(ATUALIZADO ÀS 14h40MIN)
Se não aparecer para justificar a ausência no depoimento que foi marcado para a manhã desta terça-feira, 19 - ele ou o advogado de defesa - o candidato a governador Ronaldo Lessa será enquadrado no Artigo 260 do Código de Processo Penal - advertiu a Polícia Federal, através da Assessoria de Comunicação.
Ninguém sabe onde Lessa se encontra; a assessoria dele informou que Lessa está em Brasília para gravar para o "guia eleitoral" ao lado do presidente Lula, mas o presidente viajou para o Sul de Goiás. No final da manhã, surgiu a informação de que Lessa estaria em Coruripe aguardando o desfecho favorável a ele - que não quer depor na PF temendo ser filmado e fotografado, ou mesmo indiciado no inquérito da "Operação Navalha".
A PF também informou que o advogado José Fragoso, que defende Lessa, recebeu sim a intimação para Lessa depor e isso se deu mais de uma vez - a última intimação, de acordo com a PF, foi assinada por Fragoso no sábado, 16.
(ATUALIZADO ÀS 11H45MIN)
O candidato a governador Ronaldo Lessa viajou a Brasilia para tentar impedir o seu depoimento na Polícioa Federal antes da eleição de 31 de outubro. A versão de que foi gravar com o presidente Lula para o "guia eleitoral" é o ardil usado pela assessoria - o presidente Lula está no município de Catalão, interior de Goiás.
Lessa ficou preocupado com a repercussão negativa, quando fosse filmado e fotografado entrando ou saindo da sede da Polícia Federal. E, o pior, é que ele soube que sairia da PF indiciado no inquérito da "Operação Navalha" - que apura irregularidades no contrato com a empreiteira Gautama para obras em Alagoas.
Lessa tenta em Brasília adiar o depoimento para depois da eleição, e isto mediante convencimento, e, se não conseguir vai apelar para um mandado de segurança que o desobrigue do depoimento antes da eleição no segundo turno.
POLÍCIA FEDERAL CONFIRMA DEPOIMENTO DE LESSA
A Polícia Federal confirmou o depoimento do ex-governador Ronaldo Lessa, na manhã desta terça-feira, 19, no inquérito da “Operação Navalha” – que apura o superfaturamento da obra de macro-drenagem no Tabuleiro do Martins.
Mas, a assessoria de Lessa disse que ele está em Brasília e que não vai depor porque não recebeu a intimação da PF – o que não é verdade; os advogados dele receberam a intimação feita por dois agentes federais na sexta-feira, 15.
Na verdade, Lessa está preocupado em ser fotografado e filmado chegando ou saindo da sede da PF ou, o que é ainda pior, sair de lá indiciado por conta do aditivo que assinou no valor de R$ 14 milhões em favor da empreiteira Gautama, do empresário Zuleido Veras – que também tem depoimento marcado para esta terça-feira.
Lessa e Zuleido Veras devem se encontrar na ante-sala do delegado federal, que vai ouvir os dois. E tudo indica que os dois sairão da PF indiciados porque, além desse, tem outro inquérito do Ministério Público Federal, de número 000313925/2009, que enquadra Lessa por formação de quadrilha e corrupção, e também se relaciona à “Operação Navalha”.
Esse segundo processo contra Lessa tramita na 4ª Vara da Justiça Federal.
O post dizendo que o candidato a governador Ronaldo Lessa vai depor no inquérito da “Operação Navalha”, porque assinou o aditivo contratual no valor de 14 milhões de reais para a obra da macro-drenagem no Tabuleiro do Martins foi censurado mediante liminar.
Tô bege! Censurar a verdade?
Pois é; se eu tivesse praticado o crime de calúnia e difamação, eu estaria enquadrado no Código Penal por crime de calúnia e difamação. Mas não; eu fui punido e obrigado a retirar o ar – retirar do portal Cada Minuto – a verdade.
Não entendi. Quer dizer que a verdade é crime?
Tô bege!
Então, agora vou dizer que Ronaldo Lessa não vai depor na “Operação Navalha” devido ao aditivo que assinou no valor de 14 milhões de reais, porque Ronaldo Lessa nunca foi governador de Alagoas.
Ou foi?
Não; não foi. Era outro Ronaldo Lessa; o Ronaldo Lessa enrolado na “Operação Navalha” e mais outros 32 inquéritos no Ministério Público, inclusive por corrupção e prevaricação, é outro – não é o Ronaldo Lessa candidato a governador pela primeira vez. O outro Ronaldo Lessa trouxe para Alagoas, além da Fábrica de Picolé Caicó, a Fábrica de Helicópteros - lembram-se?
Ah, bom. Aí tá certo. Desculpe aí.
O vereador Luiz Pedro (PMN), que o governador Téo Vilela (PSDB) demitiu da Polícia Civil na semana passada, declarou apoio incondicional ao candidato a governador Ronaldo Lessa (PDT).
Acusado por homicídio e denunciado para ir a júri popular, Luiz Pedro era agente da Polícia Civil licenciado. O Conselho Superior de Polícia sugeriu a sua demissão do serviço público e o governador Téo Vilela acatou de imediato.
Luiz Pedro agora vai trabalhar para eleger Ronaldo Lessa; ele quer “mudança”.
Lessa não comentou o apoio de Luiz Pedro, mas voltou a citar o apoio do senador Fernando Collor (PTB) e desta vez foi mais contundente:
- “Collor e eu nos unimos contra o neoliberalismo, que não pode voltar ao Brasil” – disse Lessa.
O que o amigo internauta acha do apoio de Luiz Pedro a Lessa? Ou melhor: qual a mudança que se pode esperar caso Lessa se eleja governador?
Para Luiz Pedro a mudança é certa; ele espera que Lessa “mude” a decisão do governador Téo Vilela, que o demitiu da Polícia Civil.
Tá certíssimo; apoio é apoio e uma mão lava a outra. É ou não é?
A campanha no segundo turno começou em Alagoas e não parece; nada empolgou até agora e o marasmo do eleitor deixa isso muito evidente.
Mas, o marasmo na eleição este ano não é exclusividade de Alagoas; ele se deu também em nível nacional.
O que esquentou a disputa presidencial no segundo turno foi o debate na TV Bandeirantes – e isto deveu-se a nova metodologia, com os candidatos à vontade para as perguntas.
E as respostas provocantes.
Em Alagoas está faltando alguma coisa; acha que está faltando o “Cabeça” – que acham?
Nesse segundo turno “o Cabeça” pode fazer a diferença transformando em humor as tragédias que se prenunciam.
As alianças políticas e suas conseqüências são temas que “o Cabeça” iria explorar para o deleite do eleitor; inspiração para o humor não falta e disto tenho certeza.
Vamos, então, em nome do fim do marasmo no guia eleitoral pedir a volta do Cabeça.
O candidato a presidente da República pelo PSDB, José Serra, confirmou que visitará Alagoas – só falta marcar a data.
Já a candidata a presidenta da República pelo PT, Dilma Rousseff, ainda não decidiu se também visitará Alagoas.
A pressão para que o presidente Lula e a candidata dele visitem o Estado é grande; para a candidatura de Ronaldo Lessa, a visita dos dois é o único trunfo de que dispõe contra o governador Téo Vilela – que não pode exibir Lula como totem eleitoral.
Em compensação, Serra vem com Aécio Neves – ex-governador eleito senador, neto do lendário Tancredo Neves.
Serra e Aécio vão dar um giro pelo Estado; além de Maceió, a caravana tucana vai visitar Arapiraca, Palmeira dos Índios, Santana do Ipanema, Delmiro Gouveia e Penedo.
As visitas ilustres anunciadas pelos dois candidatos podem dar a trégua que se vai esperar caso se concretize o que estão dizendo por aí , quanto à baixaria no “guia eleitoral”.
Para o telefonema grampeado flagrando uma negociação para pagamento de propina tem um vídeo de uma briga entre namorados – que abalou a estrutura de um conhecido restaurante.
Se for ao ar...
E sendo assim, Lula e Dilma; Serra e Aécio podem ser a paz na refrega.
Mas, sinceramente, eu não vejo como a visita das duplas podem influenciar a eleição no Estado. Que acham?
Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.