A revelação do presidente Lula, de que não se sentiu à vontade na eleição em Alagoas, confirma o que a Folha de São Paulo já havia dito sobre a preferência do presidente da República para o governo do Estado.
- “Infelizmente, ele (Téo) está em outro partido” – sustentou Lula.
Dizem que o presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff não vieram a Alagoas para não serem filmados ao lado do senador Fernando Collor, mas não é só por isso. Lula disse que só aceitou gravar pedindo voto para Ronaldo Lessa “por dever de ofício”.
E a opção do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), pela candidatura de Téo Vilela foi combinada com o presidente Lula.
Lula lembrou que perdeu a eleição em Alagoas, no primeiro e no segundo turno, quando Lessa foi governador. E Dilma venceu a eleição no primeiro turno, com o governador Téo Vilela.
É verdade: na eleição este ano o eleitor não deve jamais votar na mudança, pois mudar significa dá ré.
O vereador Moises Machado levantou a suspeita sobre o consumo excessivo de combustível pela Prefeitura de Arapiraca, no período que antecedeu a eleição no primeiro turno e, especialmente, dois dias antes do pleito.
O consumo cresceu num volume tão grande, que não pode ser explicado em tempo de paz – só em tempo de guerra.
Como Arapiraca não está em guerra – ou está? – então esse combustível 0800 está vazando ou enchendo o tanque dos carros dos cabos e tenentes eleitorais – que, em troca, devem pagar com votos.
Na verdade, quem paga a farra é o contribuinte; o pobre do contribuinte arapiraquense vai ser esfolado mais a frente, porque a Prefeitura não fica no prejuízo.
Eu conversei com um assessor do prefeito Luciano Barbosa, que negou a farra e garantiu estar tudo dentro dos conformes, e disse mais que a denúncia se trata de “intriga da oposição”.
Ocorre que o vereador Moises Machado é do mesmo partido do prefeito Luciano Barbosa – que é do PMDB.
O assessor negou também que a farra de combustível em Arapiraca tem se estendida a Maceió, onde pelo menos um posto está autorizado a distribuir gasolina, álcool ou diesel 0800 a quem apresentar o “salvo-conduto” eleitoral.
Para o feliz contemplado exige-se apenas que coloque o adesivo do candidato indicado e saia por aí catando eleitor.
No mais é: bi-bi fon-fon. Buzinou, tá no tanque.
Pense na confusão que o vereador Moises Machado provocou com a denúncia! Tem nego fazendo campana e montando esquema para flagrar a farra.
- “Se a oposição ganhar, nós vamos ter imenso retrocesso”.
A frase foi dita pelo teólogo Leonardo Boff e se refere à disputa presidencial – ele apóia a candidata Dilma Rousseff – mas, pode e deve servir de alerta ao eleitorado em alguns Estados onde haverá segundo turno e, entre eles, Alagoas.
A oposição alagoana já foi governo e sabe-se muito bem o que fez de errado. Falar que criou emprego e que geriu o Estado com responsabilidade é menosprezar a inteligência alheia.
Pior: é demonstrar que não tem nenhum constrangimento e que está disposta a repetir os mesmos erros do passado recente – quando Alagoas não podia receber dinheiro federal, porque o Estado não pagava a ninguém, ou seja, estava sujo com a viúva federal; quando a polícia alagoana estava entregue à politicagem e convivia com assaltos a bancos, roubos de cargas e seqüestros impunes.
O que o amigo internauta acha da sabia advertência de Leonardo Boff: votar na oposição é defender o retrocesso? É ou não é?
Antes, estava tudo como o Diabo gosta no Brasil e em Alagoas. Não havia perspectiva e, em Alagoas, a esperança de emprego se resumia à Fábrica de Picolé Caicó – que, obviamente, não podia absorver a todos.
No Brasil, a opção pela aquisição de bens de capital produzidos fora do País levava à indústria brasileira à falência. O setor mais afetado foi a indústria naval, pois o País não fabricava sequer chalanas.
O Diabo fazia a festa com o desemprego e, em Alagoas, o excessivo número de seqüestros, roubo de carga e assaltos a bancos, especialmente em ano eleitoral, batia todos os recordes nacionais – para o deleite do Diabo, que atentava impunemente; que agia com pleno poder.
Tinha desvio de dinheiro – que o Diabo adorava; teve o contrato para compra de armas italianas – que o Estado pagou adiantado e nunca recebeu a mercadoria, porque o Diabo não deixou.
Tinha o dinheiro dos servidores com empréstimos consignados – que o Diabo descontava do salário, mas não repassava para a instituição financeira. E isso levou milhares de pessoas a terem o nome sujo na praça – para deleite do Diabo, cuja finalidade é transformar a vida de todos num Inferno.
Teve o Fernandinho Beira-Mar e, ato contínuo, o “crack” – que o Diabo gosta.
Enfim, antes o Diabo vivia no “Céu”. Na Polícia Militar subverteram os valores, de modo que sargento enquadrava coronel – em Arapiraca, por exemplo, um tenente tinha mais autoridade que o general.
Hoje, sem chance para “atanazar” e de desviar dinheiro público, o Diabo está irado e prega mudança. Gente! O Diabo quer mudança, porque o Diabo não pode sobreviver num Estado sério, enxuto e com a segunda maior taxa de crescimento de emprego do País.
O Diabo também quer mudança. Você vai ajudar o Diabo a mudar? Sim ou não?
A posição do PTB em relação à ex-prefeita e agora deputada federal Célia Rocha, é a mesma coisa que tentar cortar o vento – quanto mais se golpeia, mais ele se espalha.
É impossível fazê-la apoiar Ronaldo Lessa, e isto a direção estadual do partido sabe desde 2002; aliás, o próprio senador Fernando Collor foi beneficiário da “ojeriza” que Célia nutre em relação a Lessa – naquele ano, Collor disputou o governo com Lessa, com o apoio apenas de Célia.
Dizer que Célia não declarou publicamente que apóia o governador Téo Vilela é a tentativa vã de negar o óbvio ululante que se pode ver nas praças, nas esquinas, nos bares e nas residências de Arapiraca.
Pode-se dizer que faz parte da idiossincrasia do arapiraquense não separar jamais Téo Vilela e Célia Rocha – daí o Téo ter derrotado Collor e Lessa no primeiro turno.Claro, com o substancial apoio de Rogério Teófilo.
Além disso, Célia declarou o apoio a Téo numa entrevista no programa de rádio de maior audiência na região.
Eu digo que a posição do PTB é inútil, porque o partido pode tentar proibir Célia de dizer quem apóia para o governo do Estado; mas, não pode impedi-la de dizer quem não apóia de jeito nenhum.
E o arapiraquense já sabe quem Célia Rocha não apóia, nem mesmo sob pressão. O PTB ainda não se tocou de que, quanto mais censura Célia, mais o apoio a Téo Vilela cresce na região.
Ninguém fará Célia mudar de idéia. A Célia é uma rocha quando coloca uma coisa na cabeça.
E aconteceu finalmente o grande encontro: Ronaldo Lessa, Fernando Collor e Renan Calheiros juntos “pelo bem de Alagoas”, fizeram suas aparições públicas no paupérrimo bairro da Virgem dos Pobres – onde foi construído o “Monumento à Safadeza”, durante o governo Lessa.
O encontro foi como se previa; muitos ataques pessoais – que não levam e não levaram à nada; e a citação repetitiva dos nomes do presidente Lula e da candidata dele, Dilma Rousseff, que perdeu a eleição em Maceió no primeiro turno.
A plebe rude gostou; afinal, o Conjunto Virgem dos Pobres é o mais violento da Capital e lá quanto mais abusado, melhor – pensam eles.
Mas, deixando a profundidade de lado, uma coisa é certa: foi realmente um “grande encontro”. Quem haveria de dizer que, um dia, eles estariam no mesmo palanque: Collor, Lessa e Renan lutando por uma causa comum de três – e, ainda mais, os três falando em nome do Lula.
Não! Não pense que é sonho. Aconteceu mesmo. Se não foi eu cegue! O que o amigo internauta achou desse “grande encontro”? Não foi supimpa?
Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.