Assustado como nunca se viu, o deputado Dudu Holanda está convencido de que ia morrer no Réveillon. Só não morreu graças a patrulheiros da Polícia Rodoviária Federal, em Pernambuco, que abordaram numa blitz o pistoleiro.
Foi em Pernambuco, onde nasceu Dudu. De novo.
O plano do qual Dudu seria vítima teve no começo a participação de policiais, que teriam sido presos, e soube-se depois que não há policial algum envolvido.
Houve desmentidos; conversa vai, conversa vem, e tudo já estava se encaminhando para a normalidade quando estoura outra bomba –que é o depoimento do pistoleiro preso em Pernambuco.
O deputado Dudu Holanda leu o depoimento frio e detalhado do pistoleiro e gelou. Sua vida custa R$ 140 mil divididos em duas vezes.
Acusado como mentor do plano e o mandante do crime, o deputado Cícero Ferro reagiu sustentando que é tudo mentira.
E a polícia, que deveria clarear as coisas, apenas ajuda a colocar mais dúvidas quando não apresenta esse pistoleiro e expõe os detalhes reais do plano.
Virou, então, o samba do crioulo doido – que o deputado Dudu não quer dançar.
Dudu anunciou que vai reassumir o mandato, o que implica na saída de Cícero Ferro – que, assim, fica sem a imunidade parlamentar. A não ser que o deputado Maurício Tavares aceite “adoecer” novamente, ou então, o deputado Marcelo Victor aceite “adoecer” pela primeira vez.
O problema de Marcelo Victor é que ele é o primeiro-secretário, e é pela primeira-secretaria por onde tudo passa; o primeiro-secretário tem o poder da “carimbada” que fabrica ouro em pó para todos.
Ou não.
Como o suplente não pode assumir cargo na Mesa Diretora, Marcelo Victor seria substituído e teria de repassar o “carimbo” da “carimbada fatal”, ou seja, a chave do cofre.
A semana promete e que todos tenham um bom final de semana.
Mas, cá pra nós, vamos fazer uma consulta:
1) O deputado Dudu Holanda corre perigo?
2) O deputado Cícero Ferro é inocente?
3) A polícia ainda está devendo explicação?
A disputa pela Prefeitura de Maceió está embolada e pode protagonizar a repetição da história com desfecho inverso.
O efeito inverso da repetição da história teria – ou terá - pelo menos um dos três personagens da história antiga na disputa este ano.
Vamos explicar:
Na década de 1990, Ronaldo Lessa se elegeu prefeito se aproveitando da brecha aberta com a disputa entre Teotônio Vilela e o saudoso José Bernardes – que, na realidade, possuíam as mesmas origens políticas e bases coincidentes.
Se, na eleição este ano, acontecer de:
1) A esquerda lança dois candidatos.
2) O deputado Jeferson Moraes entra na disputa.
3) O deputado federal Rui Palmeira sai candidato.
4) O prefeito Cícero Almeida, finalmente, se decide.
As quatro combinações dos fatores ou apenas dois deles, que seria a união de Rui Palmeira com Jeferson Moraes, fariam – farão – a diferença na eleição.
Na hipótese da união de Rui com Jeferson, o resultado seria igualmente a união do eleitorado da classe média com a periferia e o maior prejudicado seria – será – Lessa.
E isto sem contar ainda com o prefeito Cícero Almeida – que ficou entre a cruz e a espada; Almeida não sabe se segue o senador Renan Calheiros ou o deputado federal João Lyra.
Aliás, Almeida ainda pensa em largar tudo e disputar a eleição para vereador porque ficar dois anos sem mandato é uma eternidade.
Chegaria à Câmara com uma votação estupenda e se elegeria presidente da Casa. Nessa condição, os dois anos até a eleição majoritária de 2014 passariam sem que sentisse.
Até o prazo para se desincompatibilizar, que é final de março, tudo pode acontecer. Só não pode é o prefeito Cícero Almeida ficar na indecisão.
É Mosart Amaral ou não é?
É, mas fale baixo que é para o deputado João Lyra não ouvir.
É João Lyra ou não é?
É, mas fale baixo para o senador Renan não ouvir.
Agindo assim Almeida está ampliando o fosso que cavou para si e que o impediu de sair candidato a governador em 2010.
Almeida diz que abriu mão da candidatura a governador em 2010, mas é bravata. Como ele poderia disputar o governo do Estado sem legenda? O PP já havia decidido em convenção que a disputa majoritária seria apenas para o Senado.
Logo...
O certo é que o Instituto Médico Legal sempre foi desaparelhado, numa ação dirigida com o propósito de mantê-lo sob controle do estado e não da sociedade.
Aparelhar o IML significa facilitar a descoberta de crimes que o estado – ou o aparato policial – não tem interesse em descobrir.
Não por acaso, o IML esteve atrelado à repressão no período da ditadura. E esse erro brutal é mantido porque não se muda o “status quo” sem rupturas.
A quem interessa o IML independente, desatrelado da policia e vinculado ao Ministério Público?
Interessa primordialmente à sociedade e aí está o embargo, porque a sociedade deve ser mantida sob controle. Esse é o pensamento deles.
Ora, se é o Ministério Público que defende a sociedade, como justificar que a criminalística e a perícia estejam fora do seu estrito e exclusivo controle?
Daí, os problemas no IML vêm do desaparelhamento ao uso político dos seus serviços. E esse uso político não se dá apenas em nível do escalão maior, mas também nas escalas inferiores.
Os inocentes pueris ou os coniventes acreditam que as vítimas de balas enterradas com os projeteis no corpo são apenas resultados desse descaso e desse “desaparelhamento” do IML.
As vítimas foram enterradas com as balas no corpo porque alguém tem interesse no crime e, no caso, é para proteger o criminoso.
Digamos que, no máximo, houve negligência – o que, no serviço público, é crime.
Isto porque há sim meios de se retirar a bala. Basta querer e, como eles não quiseram, lá vem o enterro voltando.
E também o sofrimento da família das vítimas, que é obrigada a sepultar o ente querido duas vezes.
Esqueci! Tem também o professor da Ufal assassinado numa falsa tentativa de assalto na rodovia entre Olho D´Agua das Flores e Santana do Ipanema.
Sobre a propalada escalada da violência em Alagoas, quatro notícias chamam a atenção pelo caráter peculiar que mostra as três faces da violência no Estado.
A primeira face:
Já não se fala mais sobre o plano para matar os deputados Maurício Tavares e Dudu Holanda; sabe-se agora que a notícia foi uma “denúncia anônima falsa”, mas, pelo sim, pelo não, os deputados decidiram reforçar a guarda e mudar radicalmente os hábitos.
Dudu nunca entra de vez com o carro na garagem – antes, os seguranças fazem a “varredura ótica” da área.
O deputado Maurício Tavares idem e também na base do “gato escaldado tem medo de água fria” ou “onde há fumaça, há fogo”.
Segunda e a terceira face da violência:
Sobre a estudante Giovana Tenório, raptada e assassinada, e o garçom Genival dos Santos, brutalmente assinado numa discussão de trânsito, eles deixam a condição de vítimas e passam a ser culpados da própria morte.
No caso Giovana, foi inventada a “estória” de um débito de 140 reais com uma tal de Manu; débito oriundo da compra de drogas – segundo as testemunhas arranjadas pela defesa. Isto quer dizer que vai sobrar pra Manu.
A Manu mandou matar a Giovana para não pagar 140 reais! É isto. É tudo mentira, uma coisa nada tem a ver com a outra, mas mentir também é arte.
Aí vem o caso do garçom Genival da Costa, que teve o infortúnio de cruzar com Arthur Fonseca, conhecido como “El Matador” – que desde 2007 vem matando gente impunemente em Maceió e todas as vítimas cruzaram seu caminho.
Os motivos dos crimes praticados por “El Matador” são todos fúteis. Mas,no caso do garçom, o acusado diz que foi agredido e que matou com a arma da vitima – que estava desarmada.
Aí vem a quarta face da violência, que é o caso do modelo covardemente assassinado em Viçosa e enterrado com os projéteis no corpo por um “descuido” (?) do médico-legista.
Interessante é que a arma do crime, uma pistola, entregue à polícia para confecção da prova material não é a mesma pistola usada pelo assassino.
Sacaram a manobra?
São três vítimas da violência praticada por criminosos que tem dinheiro para mudar a história e, ainda que sustentando uma “estória”, podem conseguir transferir a culpa para as vítimas – que não podem se defender.
Sim, é verdade que mentir também é arte. Mas, quando se mente para ludibriar o processo, o resultado é sempre um culpado livre.
A tarefa dada pelo prefeito Luciano Barbosa para o seu secretário Ricardo Teófilo não está sendo fácil cumprir.
Ricardo deve convencer o irmão, Rogério, a desistir da candidatura em seu favor ( dele, Ricardo). Se conseguir terá o apoio do prefeito.
É condição “sine-qua-non”.
Para quem pergunta se é candidato, Ricardo responde à mineira:
- Vamos trabalhar, vamos trabalhar.
- O senhor vai enfrentar seu irmão, Rogério?
- Vamos trabalhar, vamos trabalhar.
- E a deputada Célia Rocha, o que diz?
- Vamos trabalhar, vamos trabalhar.
Ele sabe que tem o apoio da deputada federal Célia Rocha, de quem foi o vice-prefeito e secretário. Aliás, Célia não faz segredo:
- “Eu gosto do Rogério, mas me afino mais com o Ricardo. Ele foi o meu vice (prefeito) e secretário”.
Mas, para se desincumbir da tarefa com êxito, Ricardo tem uma carta na manga – que é garantir o apoio à candidatura do irmão à Assembléia Legislativa em 2014. O grupo fecharia com a candidatura de Rogério a deputado estadual.
Literalmente, um acordo de irmão para irmão.
Até agora, Rogério tem mantido a candidatura e isto implica no insucesso de Ricardo quanto à tarefa que recebeu. Mas, até o dia 31 ainda tem muito tempo.
Quem sabe o professor Moacir Teófilo entra em cena e, com bons conselhos, facilita a tarefa de Ricardo em nome da pacificação geral.
E da melhor chance para um Teófilo chegar a prefeitode Arapiraca .
O que tem por trás da notícia (sabe-se agora falsa) sobre o plano para matar os deputados Maurício Tavares e Dudu Holanda?
Tem de tudo.
Em primeiro lugar vamos lembrar que o “acaso” não existe; que nada se dá por acaso, porque nada se move sem que se tenha produzido trabalho ou esforço.
É a inquestionável lei da Física.
E se nada é por acaso, então essa notícia é oriunda de “algum esforço” – que tem origem e deve ser identificado; mesmo a ligação telefônica anônima deixa rastro.
O fato é que os deputados Maurício Tavares e Dudu Holanda vivem sobressaltados com a “sombra” do deputado Cícero Ferro, e não adiantam eles negarem. É o óbvio ululante, que a sociedade enxerga até na escuridão.
O revezamento que foi acordado para que um e outro se licenciem, para garantir Cícero Ferro no mandato, incomoda os dois – que não sabem o que fazer e esta é outra realidade óbvia.
Há também, por trás da notícia que se sabe agora que é alarme-falso, os interesses dos adversários do deputado Cícero Ferro ávidos por uma forra – mas sem coragem de enfrentá-lo abertamente e por isso agem na surdina.
Dizer que houve açodamento da polícia é menosprezar o princípio básico de que primeiro é preciso preservar a vida. Diante dessas conjunturas que formam o “caldo final” na relação dos três deputados, optou-se por pecar por excesso.
E como fica o deputado Cícero Ferro, acusado de tramar um plano que não existiu? Fica bem; o deputado Cícero Ferro saiu do episódio com moral.
E como ficam os deputados Maurício Tavares e Dudu Holanda? Não ficam; ou melhor: um fica e o outro sai, e assim sucessivamente até a cortina da atual Legislatura fechar.
E como fica a polícia? Fica furiosa porque, como se diz do jargão jornalístico, “deu uma tremenda barrigada” – que é quando a imprensa divulga um fato que não aconteceu.
É possível se divulgar um fato que não aconteceu? Isso existe?
Existe
Por exemplo: na década de 1970, o ex-presidente Juscelino Kubistcheck teve a morte dele anunciada quinze dias antes de acontecer de fato. A “barrigada” foi justificada – e ainda é justificada até hoje – como uma ação do governo militar para testar a reação popular, quando Juscelino morresse de fato. É por isso que levanta-se dúvida sobre o acidente automobilístico que matou JK - o automóvel onde Juscelino viajava foi abalroado numa curva por um caminhão desgovernado.
Mas, em todo caso, ufa! Era 1º de abril em janeiro.
Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.