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Postado em 12/08/2009 às 17:17

Polícia Civil vai entrar em greve. Óxente! E a polícia está trabalhando?

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Ao ouvir pelo rádio que a Polícia Civil vai entrar em greve, um cidadão teve a reação que merece ser destacada porque serve para medir o grau de satisfação da sociedade em relação à polícia.

- Óxente! E a polícia está trabalhando?!

Os policiais civis querem receber salário de R$ 3,5 mil mensais. É muito para quem tem feito tão pouco, e seria pouco se a polícia estivesse fazendo muito em defesa da sociedade.

Interessante é que, antes, alegava-se o desvio de função para explicar a inoperância; diziam que não podiam investigar nem combater os crimes, porque estavam servindo de carcereiros nas delegacias.

As delegacias foram esvaziadas, não tem mais presos para serem vigiados nem policiais servindo de carcereiros. Seria o momento de a polícia mostrar serviço, mas, aí, vem a greve e fica tudo como antes.

E fica mesmo. Na madrugada desta quarta-feira assaltaram um ônibus (mais um) da Itapemirim, com destino a São Paulo. O local do assalto é o mesmo de sempre – a BR 101 entre Messias e Rio Largo.

Coisa antiga, muito antiga, que a polícia não dá jeito porque ninguém investiga nada. Coisa tão antiga que, em 1500, se Pedro Álvares Cabral tivesse mesmo aportado em Alagoas e penetrasse até Rio Largo teria descoberto também os assaltos a ônibus por ali.

Os passageiros da São Geraldo e da Itapemirim com destino a São Paulo, procedentes de João Pessoa e Natal, são alertados para esconderem dinheiro e jóias quando se aproximam da divisa com Alagoas.

Sendo assim, a greve pode não servir para garantir o salário de R$ 3,5 mil. Mas, servirá para mostrar que tanto faz como tanto fez – ou seja: não faz diferença se a Polícia Civil está ou não em greve.

 

Postado em 12/08/2009 às 16:21

No Senado o PSDB recuou, porque sujo não pode falar de mal-lavado

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O senador Tasso Jereissati (CE), na sessão de terça-feira no Senado, não parecia o senador Tasso Jereissati da semana passada – que bateu-boca com o senador Renan Calheiros. No discurso apaziguador da terça-feira, ele até pediu desculpas a Renan pelo destempero da semana passada.

O que houve para o recuo?

Não foi auto-crítica, porque não é do feitio do coronel cearense se auto-avaliar; não foi mea-culpa, porque não é do feitio do coronel cearense penitenciar-se. Então, foi o quê?

Trata-se de seguir o conselho sobre o mal-lavado, que não deve falar do sujo, e vice-versa. A crise fabricada pelo PSDB no Senado – e eu escrevi várias vezes aqui sobre a falta de sinceridade nesse embate – não tem nada de preocupação com os bons costumes na política.

De ordinário, criam-se crises no parlamento em toda véspera de eleição majoritária. Faz parte do show para iludir o eleitor incauto – que vai na onda da mídia de aluguel.

O PSDB tinha ido longe demais para quem padece dos mesmos pecados, para quem pratica os mesmos crimes. É que, às vezes, eles perdem a noção da realidade e acreditam que são santos. Deixam-se levar pelos holofotes e se sentem honestos, melhores que os outros e capazes de fazerem a diferença. Agora façam!

O PSDB recuou porque o tiro dado em Sarney, para acertar Lula, saiu pela culatra e atingiu o atirador tucano.

Não me vanglorio pela comprovação do que escrevemos, porquanto isto significa que não temos os políticos que gostaríamos de ter, mas, permitam-me o desabafo: eu não disse que não havia diferença entre Sarney, Collor e Renan para Agripino Maia, Pedro Simon e Arthur Virgílio?!

Pois é, não existe mesmo. E a crise no Senado era apenas o ardil por onde o PSDB queria empurrar a candidatura do partido à sucessão de Lula. Nada mais que isso.

Sabe por que o PSDB recuou? Porque o senador Arthur Virgílio é réu dos crimes que denuncia nos outros. No popular: é o sujo falando do mal-lavado.

Postado em 12/08/2009 às 15:09

Remédio pra dor de mulher

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Até o começo da década de 60 comprava-se maconha livremente no mercado público de Maceió, com o sugestivo nome de remédio pra dor de mulher. Receitava-se o chá da maconha para aliviar os incômodos da Tensão Pré-Menstrual – a famosa TPM. Era uma prática muito antiga – que é incapaz de se definir quando começou.

Mas, veio a repressão policial disseminada em todos os níveis. Era de se esperar que, com tantas polícias caçando maconha, a planta seria exterminada e a droga banida do País. Qual o quê?! Deu-se o pior; o que antes era só maconha hoje é maconha, cocaína, heroína, LSD, ecstase, merla e, Ave-Maria, Ave-Maria, o crack – a droga mais devastadora já inventada até hoje.

Isto, sem falar no Rivotril, Gardenal 010, Rophynol, Citoplégico – que são drogas lícitas vendidas em farmácias, que apropriadamente também se chamam drogarias.

Apesar da repressão policial, a produção aumentou porque o consumo cresceu; apesar da repressão policial, o consumo cresceu estabelecendo a diversificação da produção – da maconha ao crack e daí só o Diabo sabe até onde.

Essa situação não é peculiar do Brasil. A diversificação e o aumento do consumo é registrado mundialmente. Isto significa dizer que só um País, a Holanda, está livre das conseqüências do tráfico. E se o problema é o traficante, a sociedade holandesa saiu na frente livrando-se do estorvo.

O deputado Fernando Toledo contou que ficou estarrecido em Berlim, quando desceu do metrô e ao atravessar o túnel se assustou com um grupo de jovens alemães se drogando. A diferença para os guetos da periferia das cidades brasileiras estava apenas na epiderme.

Em Boston, a cena dos veteranos da Guerra do Vietnã tornou-se comum. No final do mês, centenas deles vão ao hospital para a revisão médica. Uns mutilados, outros paranóicos fumando maconha abertamente na rua; eles invadem o hospital, as cafeterias, lojas e não estão nem aí. No Vietnã o exército dos Estados Unidos permitiu o uso da maconha, porque lúcido não dá para encarar a guerra.

E agora surgiu a droga mais devastadora que a humanidade já produziu – que é o crack. É uma droga tão devastadora, que nem os traficantes do Rio de Janeiro conseguiram barrá-la. E os traficantes cariocas fizeram de tudo para impedir a entrada do crack no Rio, porque é um tipo de droga de consumo compulsivo, atrai problemas para a área e atrapalha outros negócios.

Na década de 80, deu-se o fenômeno das latas grandes de Leite Ninho cheias de maconha – que deram costa nas praias cariocas, para alegria da rapaziada. O genial Gilberto Gil compôs a música Novidade, para registrar o fenômeno, e a imprensa divulgava a versão policial errada – que dizia terem sido as latas atiradas ao mar por um navio fugindo ao flagrante.

Nada disso; as latas de Leite Ninho cheias da maconha foi a última tentativa dos traficantes cariocas para impedirem a entrada do crack no Rio. Eles imaginavam que, fazendo o derrame, abarrotaria o mercado e desviaria o interesse pelo crack. Não deu certo e o crack de estabeleceu.

Na semana passada, dois fatos marcaram profundamente o combate às drogas. Um se deu nos Estados Unidos, quando a mais importante Organização Não-Governamental norte-americana para o combate às drogas jogou a toalha e recomendou ao presidente Barack Obama legalizar o comércio. A conclusão da ONG é ainda mais contundente: só os esquimós não produzem maconha.

O outro fato deu-se no Brasil, com a revelação da pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB) e encomenda pelo Ministério da Justiça. A pesquisa concluiu que 77% dos presos condenados como traficantes, na verdade, não são traficantes.

O mais grave é que esses presos primários, que não tem nenhuma relação com os verdadeiros traficantes, se especializam na cadeia em outros crimes; se organizam e, aí sim, passam a agir como traficantes, pois foram graduados e pós-graduados pelo Estado.

O pensamento do ator Wagner Moura, que fez o papel do capitão Nascimento no filme Tropa de Elite, é cada vez mais real. Ele disse que a legalização não acaba com as drogas, mas acaba com o tráfico – e todo o problema é o traficante.

É imperioso que a sociedade discuta o problema das drogas a partir desses dados concretos, especialmente o que se refere à inoperância e ineficiência dos métodos utilizados até agora na repressão – que não conseguiram atingir o objetivo e ainda levaram ao aumento do consumo e à diversificação.

É preciso entender que a droga é tão antiga quanto a Bíblia. Nabucodonossor, personagem bíblico que libertou os judeus do cativeiro na Babilônia, fumava uma erva (maconha) e, em êxtase, rastejava se dizendo serpente. Washington, a capital dos Estados Unidos, foi construída em duas grandes fazendas de maconha, que pertenciam a Thomas Jefferson e George Washington; na Carolina do Norte existe o movimento Vote Hemp (Vote Maconha); no Canadá, o governo está estimulando o plantio de maconha para substituir o milho na produção de etanol.

Entre os que reagem à legalização estão quatro tipos:

1) Os que são contrários por desinformação.

2) Os religiosos, que são contrários para preservarem os dogmas da igreja.

3) A autoridade corrupta, que fatura em cima do comércio.

4) O profissional preocupado com a restrição ao mercado de trabalho, uma vez que o traficante é um ativo valioso no Processo Penal.

Se existe outra saída para a questão da droga, diferente da que foi proposta pela ONG ao presidente do Estados Unidos, que alguém apresente.

Postado em 11/08/2009 às 16:56

O prefeito de R$ 5 milhões na conta, contra o vereador sem votos

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O prefeito Cícero Almeida anda irritado demais e isto é mau sinal. Dizem que, pelo grito do Mateus, é que se vê se o guerreiro está bem ensaiado.

Pela reação do prefeito contra o vereador Ricardo Barbosa, a dedução é que Cícero Almeida está muito, mas muito mesmo, preocupado. Preocupadíssimo, por sinal.

E não é para menos; a perícia da Polícia Federal descobriu a movimentação de R$ 5 milhões na conta bancária do prefeito – que, atordoado, pôs mais culpa contra si no cartório; Almeida explicou que o dinheiro foi doação de campanha.

Endoidou ou decidiu ser réu confesso?

A lei proíbe o candidato depositar dinheiro de doação para campanha na conta particular – e o prefeito admitiu publicamente ter contrariado a lei.

A emenda ficou pior que o soneto, porque o prefeito deveria retificar e em vez disso preferiu ridicularizar o vereador Ricardo Barbosa – que não tem culpa da legislação consagrar a legenda, em detrimento do candidato.

E, sendo assim, goste ou não o prefeito que obteve mais de 80% dos votos, ele está agora encurralado pelo vereador sem votos. E terá de engoli-lo. Isto, sem falar no risco de o vereador sem votos derrubar o prefeito abarrotado nas urnas.

E o pior, para Cícero Almeida, é que o ainda pior está para acontecer. O prefeito está blindado na Câmara, com a maioria sob controle rígido, mas não pode impedir a candidata Solange Jurema de entrar com uma ação baseada na confissão do réu de que burlou a lei.

Doação de campanha deve ir para o fundo partidário e não para a conta bancária do candidato. Se eu fosse o prefeito Cícero Almeida tratava de desdizer tudo o que disse antes – e isto, se ainda houver tempo.

 

Tags: Cícero Almeida, Ricardo Barbosa,
Postado em 11/08/2009 às 14:55

O Sergipe pagou pelo empate do CSA? Quanto custou o mico?

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A questão não é o mico que os jogadores do CSA pagaram quando caíram no conto do empate e comemoraram a classificação na Série D. A questão é a especulação que leva à dúvida atroz: quanto o Sergipe pagou pelo mico e quem recebeu o dinheiro?

Todos sabem que a CBF mudou o critério para desempate nas suas competições; antes era pelo saldo de gols e agora é pelo número de vitórias – o que é mais justo.

É inacreditável que um dirigente de futebol, ou alguém que viva diariamente o futebol, e entre esses se incluem profissionais de imprensa, não saibam o regulamento de uma competição.

Admite-se a desinformação do torcedor e do jogador, mas do dirigente nunca! No mínimo, o dirigente pecou pela irresponsabilidade de assumir uma função para a qual não tem competência. Seria um simplório, um inocente pueril, o que não dá para acreditar.

O mico em pleno Estádio do Arruda, com a desculpa esfarrapada, fez-me lembrar o Paranhos, ex-zagueiro do CSA, do São Paulo, da Seleção Paulista (1974) e do Santa Cruz. O Paranhos me contou que, no Santa Cruz, recebeu a proposta para amolecer o jogo contra o Íbis e provocar a zebra na loteria esportiva. Recusou com veemência.

A proposta foi feita pelo goleiro e o quarto-zagueiro, ambos conhecidos e que não citarei os nomes porque a conversa com o Paranhos foi reservada.

Pois bem; apesar da reação do Paranhos, o quarto-zagueiro combinado com o goleiro atrasou uma bola; o goleiro fingiu ter escorregado e Paranhos deu aquele pique e evitou, no carrinho, o gol da zebra. A torcida aplaudiu o esforço, sem saber que no vestiário quase houve uma briga de dois contra um.

Esse submundo do futebol é que me deixa com a pulga atrás da orelha – e a dúvida atroz: será que foi assim mesmo como dizem que foi ou será que o Sergipe pagou pelo empate?

Os jogadores do CSA contaram que faltavam ainda 20 minutos para terminar o jogo quando receberam ordem para segurar o empate – que beneficiou o Sergipe.

Postado em 10/08/2009 às 10:30

Eles agora querem pegar a Dilma Roussef!

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Em 2002, participei de um seminário sobre energia alternativa em Salvador e lá conheci a hoje ministra e candidata a presidenta da República Dilma Roussef. Ela foi uma das conferencistas, na condição de secretária estadual de Energia do Rio Grande do Sul, e eu já a conhecia de nome – ela foi uma das mulheres heroínas que seguraram no rabo-de-foguete, durante o regime militar. Foi guerrilheira.

No intervalo para o lanche eu me aproximei dela e disse-lhe que Alagoas produzia 2,5 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Ela respondeu:

- Se o seu Estado produz isso mesmo de gás natural e não tem uma termoelétrica, desculpe-me, mas é um Estado de otários.

Eu registrei isto. Na época eu estava na Gazeta e escrevia a coluna Fatos e Notícias; quem quiser comprovar é só consultar a coleção do segundo trimestre de 2002.

Confesso que fiquei impressionado com a franqueza, ainda que discorde da definição – não somos um Estado de otários, mas de maus políticos. A termoelétrica que deveria ser instalada em Alagoas está sendo instalada em Pernambuco – que não produz gás; o gás que vai mover a termoelétrica pernambucana é de Alagoas.

O pior é que esse desamor por Alagoas é antigo; na década de 60 o senador sergipano Lourival Batista conseguiu tirar o escritório da Petrobrás de Maceió e instalá-lo em Aracaju. Diziam que, em compensação, teríamos a Salgema – que hoje é Braskem e pertence à Bahia. E o governo alagoano, bonzinho, isentou a Braskem de pagar o ICMS sobre a energia elétrica que consome – e que é igual ao consumo diário de toda Maceió.

A ministra Dilma Roussef é candidata à sucessão do presidente Lula e seria muito bom que o brasileiro experimentasse uma mulher na presidência da República, mas não pelo fato de ser mulher. Não é qualquer mulher, mas uma Dilma. Por que não?

Ocorre que estão preparando para Dilma Roussef o mesmo golpe que, em 2002, sepultou escandalosamente a candidatura de Roseane Sarney. Lembram-se? Então, o que é do inquérito sobre o dinheiro apreendido no escritório de Jorge Murad – que é marido duas vezes de Roseane? Lembram-se do bafafafá? Era tudo armação, só para a Roseane desistir. Como não desistiu por bem, ou seja, não atendeu aos pedidos, colocaram a polícia em cima.

O mesmo estão querendo fazer com Dilma Roussef; na crise fabricada pelo PSDB no Senado, o fim justifica os meios. Porque o otário acredita no que Tasso Jeireissati, Arthur Virgílio e Agripino Maia dizem.

Blog do Bob

Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.