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Postado em 28/01/2012 às 10:22

Vou danado pra Piranhas, antes do Biu

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O imperador Pedro II era um homem dedicado às ciências e atualizado; ele se correspondia com cientistas e foi assim que surpreendeu o presidente dos Estados Unidos, que o convidou para uma feira industrial na Filadélfia, e viu a intimidade do imperador brasileiro com Gran Bell – que alguns rotulavam de louco por anunciar um aparelho “que falava e ouvia” à distância.

Ao avistar Pedro II, o “louco” do Gran Bell sugeriu que ele testasse o aparelho – que era o telefone. E vem daí a célebre frase do imperador brasileiro, em inglês fluente:

- My God! Its take! ( Meu Deus! Isso fala! )

O Brasil deve a Pedro II a Botânica, a Comunicação e Telefonia, a Metalurgia, as Artes Plásticas, a Economia, enfim, deve o protótipo de nação.

Pois bem; este homem que numa feira industrial nos Estados Unidos se transformou na primeira autoridade a atender uma ligação telefônica no mundo, e ainda mais feita pelo inventor do telefone, também era capaz de estar em Piranhas, no alto Sertão alagoano.

E isto no século 19!

Nos contatos com os cientistas com os quais se correspondia em vários idiomas, o imperador Pedro II soube dos projetos de geração de energia elétrica a partir de cachoeiras dragadas nos rios. Uma delas, especificamente para o Nordeste, era a cachoeira de Paulo Afonso Viveiros – o nome do dono das terras naquela região entre Alagoas, Bahia e Pernambuco.

Lá, sô o esmo da caatinga. Nada havia para acomodar o imperador e mesmo assim ele foi. Saiu do Rio de Janeiro, passou por Maceió, entrou no Rio São Francisco na direção de Penedo e seguiu até Piranhas – que é o ponto final da navegabilidade do São Francisco, a partir da foz.

Entre Piranhas e Petrolândia-PE, que se chamava na época Jatobá, não dá para navegar pelo São Francisco e o imperador Pedro II autorizou a construção de uma ferrovia ligando as duas cidades e, conseqüentemente, os dois estados.

A ferrovia, com 100 quilômetros, foi construída em 1 ano. Depois de tanto tempo operando, em 1964 foi desativada sob a alegação de que dava prejuízo, e pode voltar a receber o trem, hoje, porque a obra foi bem feita.

Hoje, quando se comemora em Piranhas a possibilidade da volta da ferrovia, ainda que com finalidade turística, é o momento de reverenciar a memória daquele que foi mais que um brasileiro ilustre. Foi também um visionário.

Viva o Imperador Pedro II!
 

Postado em 26/01/2012 às 18:20

Com medo do fantasma, Célia pode disputar a prefeitura em Arapiraca

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Em nome do sossego dela e da família, evidentemente, a deputada federal Célia Rocha tem tudo mesmo para ser a candidata à Prefeitura de Arapiraca e, uma vez eleita, ela sepulta o fantasma que lhe assombra desde o dia do resultado da eleição – quando se elegeu à Câmara Federal.

Ser deputada federal era tudo o que Célia queria, mas na condição em que se encontra ela só tem ouvido conselhos sobre cuidados com a segurança – e, quem a conhece, sabe que Célia é de sair às ruas cumprimentando o eleitor, sem se preocupar com quem está em volta.

O impasse continua sendo Rogério Teófilo, que lhe cobra o compromisso de apoiá-lo em compensação pelo apoio que ele deu à candidatura dela à Câmara Federal. Rogério insiste em que a vez é dele e exige o compromisso de Célia.

A sucessão em Arapiraca está nesse pé; Célia não quer contrariar o prefeito Luciano Barbosa, mas ainda não teve coragem de dizer a Rogério que o acordo furou. E Rogério, fazendo de conta que de nada sabe, mantém a candidatura.

O grande sonho de Célia é atrair o governador Téo Vilela para o seu grupo, repetindo o que vai se passar em Palmeira dos Índios, com o governador e o senador Renan Calheiros juntos na tentativa de reeleger o prefeito James Ribeiro.

É um sonho que parece impossível, porque da última vez que Célia esteve com o governador Téo Vilela ouviu dele que o candidato do governo é Rogério Teófilo.

Os arapiraquenses se dividiram também em relação à candidatura de Célia. Uns acham que ela vai ficar mal perante o eleitorado se trair Rogério Teófilo; outros atacam Rogério dizendo que ele vai “estancar” a administração e atrasar Arapiraca devido a seu jeito de ser indeciso e demorado nas decisões.

E o que o amigo acha?
 

Postado em 25/01/2012 às 11:43

Quem apura os crimes da "ruafobia"?

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Era 1, eram 2, eram 100! E agora são exatos 337 contados pelos órgãos públicos criados só para contá-los, porquanto existem há tanto tempo e não conseguiram resolver o problema nem conter o avanço.

Era 1, eram 2, eram 100! São números que se multiplicam e diminui na mesma velocidade, diante da “guerra das ruas”, onde ninguém é de ninguém.

Talvez alguém pense que os moradores de rua vieram de outra Galáxia; talvez alguém pense que os moradores de rua são personagens urbanas inevitáveis, que afloram em todos os cantos do mundo e cada um com a experiência que se confunde no final – que é o consumo de drogas.

Na reportagem da jornalista Michelle Farias, aqui no Cada Minuto, um internauta identificado como Wilson comentou sobre a morte de 60 moradores de rua sob o prisma da realidade cruel – que transforma a desgraça em lucro.

Refere-se, o internauta Wilson, que daqui a pouco vai se chamar a morte de moradores de rua de “ruafobia”. Não duvido, pois existe sim um grande negócio por trás dessa miséria urbana, seja entre eles mesmos – os moradores de rua; seja entre entidades que “trabalham com os moradores de rua” e têm de mantê-los na rua, senão o trabalho perde o sentido e o lucro.

Entre eles mesmos, os moradores de rua, o negócio gira entre drogas, especialmente o “crack”, a divisão de “lucros” dos pequenos furtos e roubos, os pontos e “as minas”.

Pergunta: 337 não é um número assim tão elevado, que não possa ser absorvido pelo poder público. E por que não se absorve?

Ah, aí é que o carro atola. Primeiro, sem o morador de rua não tem discurso e sem discurso não tem dinheiro; como uma ONG que cuida de morador de rua vai se manter, se não há mais morador na rua?

Segundo, há negócios entre os próprios moradores de rua que os atraem à rua e não adianta apenas tirá-los da rua.

Para muitos, a rua é um negócio. E o pior é que o morador de rua é, ao mesmo tempo, a mercadoria para uns e o consumidor para outros.
 

Postado em 23/01/2012 às 14:30

Greta Garbo quem diria foi parar em Irajá.

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Quando comecei no jornalismo, em meados de década de 1970, as previsões para o Ano Novo eram feitas por um conhecido vidente alagoano, já falecido, chamado Odu Tenório.

Quem quiser pode consultar as edições antigas da Gazeta, a partir de 1973, que nelas constam as previsões de Odu Tenório às vésperas da passagem do ano.

Ele não era pai de santo nem jogava búzios; ele fazia um mapa astral cheio de coordenadas que os leigos, iguais a mim, não entendiam, mas uma coisa hoje me chama a atenção: o Odu Tenório traçava o mapa astral do Brasil – não confundir com o mapa geográfico – e dizia que o “touro” que se projetava nos desenhos “era o futuro promissor do Brasil”.

- “O Brasil será o celeiro do mundo” – dizia Odu Tenório.

Isto dito em 1973, convenhamos, coincidia com o ufanismo do governo militar sobre o “milagre brasileiro” da época do “Brasil, ame-o ou deixe-o”.

Mas, Odu Tenório fazia questão de apontar para o futuro.

Hoje, ao ver os Estados Unidos adotarem medidas para facilitar as visitas de brasileiros; ao ver o Brasil emprestando dinheiro para o FMI e exigindo mais espaço nas decisões do FMI, eu me lembrei das previsões – e do “touro” – de Odu Tenório.

Gente! Greta Garbo, quem diria, foi parar em Irajá.

E, gostem ou não, o “milagre” da evolução brasileira tem vários santos: dois Fernandos – o Collor e o Henrique Cardoso – e um Luiz de Garanhuns.

O Collor porque abriu a economia nacional obrigando o empresariado brasileiro a ser competitivo; o FHC pelo plano econômico lastreado em delírios reais e o Lula porque não complicou nada e facilitou tudo.

É ou não é?
 

Postado em 21/01/2012 às 10:23

Quem tem medo do ENEM?

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A melhor proposta até hoje para substituir o sistema antigo do vestibular para acesso à universidade, o ENEM vem sendo bombardeado e penso que numa campanha nacional com o fito de desmoralizá-lo.

Vazam-se informações; vazam-se provas e até a campanha cansar e desistir, ou o ENEM se ajustar, todo ano será assim porque tem alguém boicotando o ENEM.

O Exame Nacional de Ensino Médio está atrapalhando e prejudicando alguém que teme perder dinheiro e poder, com o ENEM.

Quem será esse alguém?

É fácil identificar. O ENEM é também um sistema intrínseco de medição da capacidade e eficiência das escolas particulares e, nesse particular, a mula manca.

Verdadeiras minas de ouro que já produziram à balde, as escolas particulares entram em pânico todos os anos às vésperas do ENEM.

Ou seja: para manter o “status quo” as escolas particulares precisam se sair bem no ENEM. Nenhum pai vai manter o filho numa escola que não tenha desempenho satisfatório no ENEM, de modo que o ENEM virou o “vestibular” das escolas particulares – e isso está incomodando.

É fácil boicotar o ENEM com a ajuda de funcionários públicos corruptos – que vazam informações. E assim tem sido.

Daí, quando o Ministério Público e a Justiça entram no caso e decidem contra o ENEM fazem a festa das escolas particulares.

Enquanto isso falta justiça para os pais explorados, que são tolhidos do direito de saber se a escola particular que pagam (caro) para os filhos vale à pena.

Ou se é apenas mais uma indústria de pó de giz.
 

Postado em 18/01/2012 às 13:08

Caso Cecy e a dúvida que vai ficar para sempre

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Qualquer que seja o resultado do julgamento sobre o assassinato da deputada federal Cecy Cunha e dos parentes dela, a dúvida vai ficar para sempre.

Fez-se justiça? Eis a questão.

E tudo isso porque o inquérito policial contém “omissões” que comprometem ou, no mínimo, servem para alimentar a dúvida.

Para entornar o caldo da dúvida, uma testemunha-chave de acusação negou ter dado a entrevista que ela deu realmente, e gravada, à Rádio Difusora.

Na época, a testemunha disse que não reconheceu os pistoleiros. Inquirida pelo juiz André Granja, agora no julgamento, a testemunha negou ter concedido a entrevista gravada.

No que se refere ao inquérito, não foi quebrado o sigilo bancário e telefônico da ex-deputada. Assim, ficou impossível saber se é verdade ou não a informação na época de que Cecy teria recebido 2 milhões de reais para desistir da candidatura à reeleição e disputar a eleição como vice-governadora.

E mais: que teria colocado o médico Geraldo Cajueiro, então vice-prefeito de Arapiraca, para guardar a sua vaga na disputa pela reeleição à Câmara Federal.

De fato, no último dia do prazo para troca de candidatura, a irmã de Cecy apareceu no Tribunal Regional Eleitoral com duas procurações: uma, de Geraldo Cajueiro, desistindo da candidatura a deputado federal e outra, de Cecy, assumindo a candidatura à Câmara Federal no lugar de Cajueiro.

Todos esses detalhes, infelizmente, ficaram à margem do inquérito o que contribui para essa dúvida eterna que ficará seja qual for o resultado do julgamento.

O Talvane Albuquerque mandou mesmo matar a deputada Cecy Cunha?
 

Blog do Bob

Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.