Brasília – Foi aprovada a Comissão da Verdade, destinada a levantar os acontecimentos políticos à margem da lei no período de 1946 a 1988.
Por ironia, a Comissão da Verdade começa com uma mentira; na verdade, não vai apurar nada de ilegal e imoral, sobretudo torturas, que ocorreram antes de 1964 – a Comissão da Verdade é apenas para o pós golpe-militar de 64.
Tudo bem.
Não ficará tudo bem se a Comissão da Verdade for de meias-verdades, como tudo indica. Por exemplo: não será apurada a verdade para saber se alguns pilantras que receberam indenização milionária da nação são, de verdade, vítimas da ditadura.
Alguns não são.
Começando com uma mentira, a Comissão da Verdade tem tudo para ser mais um engodo. Ou pior: tem tudo para ser mais um biombo pelo qual os “Zés da Guerrilhas” vão se esconder para arrancar dinheiro da nação com pensões e indenizações.
De certeza mesmo é que a Comissão da Verdade não vai comprovar muitas informações passadas por falsas vítimas da ditadura, ou seja, os guerrilheiros que nunca foram à guerrilha e os assaltantes de bancos que não agiam em prol da causa da revolução.
E será que a Comissão da Verdade vai desmoralizar os falsos mitos? Duvido.
Sendo assim, a Comissão da Verdade tem tudo para ser mais uma Comissão de Mentiras. Mas, afinal, o que seria da verdade se não houvesse a mentira?
Uma coisa completa a outra, é ou não é?
Brasília – O senador Benedito de Lira (PP) disse-me que estava “brincando” com a deputada federal Célia Rocha (PP) quando afirmou que o filho dela seria o candidato a vice-prefeito na chapa de Ricardo Teófilo, que é apoiado pelo prefeito Luciano Barbosa.
O filho de Célia é o vereador Daniel Rocha.
- “Não tenho nada com a eleição em Arapiraca. Eu apenas quis testar. Joguei aquela do menino (o filho de Célia) ser o candidato a vice-prefeito. Mas foi uma brincadeira no momento”, explicou o senador.
Tudo bem; o vereador Daniel Rocha pode até não ser o candidato a vice-prefeito, mas que o candidato a prefeito do grupo liderado pelo prefeito Luciano Barbosa e a deputada federal Célia Rocha já está definido, isto, ó, já está.
Os mais próximos do prefeito Luciano Barbosa já sabem que o candidato dele é Ricardo Teófilo, e os mais distantes vão saber já, já.
E Célia diz que não tem mais nada a fazer.
Brasília – Encontrei-me no Ministério dos Transportes com o senador Benedito de Lira (PP), a deputada federal Célia Rocha (PTB) e o secretário de Articulação do Governo, Rogério Teófilo (PSDB).
E obviamente, o encontro motivou-me a pergunta sobre a sucessão em Arapiraca e o que pude concluir é que a deputada Célia Rocha “lavou as mãos” e o candidato do grupo será mesmo Ricardo Teófilo.
- “Nem um nem outro quer ceder. Estou numa sinuca de bico danada. Interessante é que eu gosto do Rogério, mas minha afinidade é maior com o Ricardo, que foi meu vice-prefeito, foi meu secretário. Mas, eles que são irmãos é que terão de decidir” – disse-me a deputada Célia Rocha.
E o senador Benedito de Lira me disse que o vereador Daniel Rocha, filho de Célia, será o candidato a vice-prefeito de Ricardo.
A deputada Célia Rocha fez aquele ar de espanto e desabafou:
- “A mãe é a última a saber. Se ele (Daniel) é candidato, isto ele não me disse ainda” – sustentou a deputada.
Duas coisas chamaram a atenção de Célia Rocha nessa disputa pela Prefeitura de Arapiraca:
1) O prefeito Luciano Barbosa transfere 80% dos votos para o candidato que apoiar, de acordo com as pesquisas.
2) Ricardo Teófilo surpreendeu com o desempenho positivo junto ao eleitorado. “O Ricardo é muito bem aceito pela população” – destacou Célia.
Sendo assim, a mesa está posta em Arapiraca: Ricardo Teófilo prefeito e Daniel Rocha vice. Se Rogério vai levar adiante a candidatura, isto é outros 500. Se levar, pela primeira vez na história política do município – e do Estado – dois irmãos vão disputar uma prefeitura numa mesma eleição.
Brasília –- Daqui conversei pelo telefone com um amigo em Maceió, que me disse o seguinte: o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Luiz Eustáquio Toledo, tem a chance agora de se livrar do diretor Financeiro e do diretor de Recursos Humanos – que ele “engoliu” por imposição do acordo que o levou novamente à presidência do TC.
O conselheiro Luiz Eustáquio não queria manter Dêvis de Melo e José Pereira Barbosa, mas recuou diante da imposição do acordo para se eleger presidente. Não se sabe se o conselheiro já tinha conhecimento das traquinagens da dupla, mas a verdade é que Luiz Eustáquio não desejava manter Dêvis deMelo e José Pereira.
Disse-me o amigo que os manteve – repetimos – devido ao acordo para se eleger presidente do TC numa eleição de consenso geral. Esse amigo, que é o Tribunal de Contas e acompanha os bastidores do órgão, garantiu-me que o conselheiro Luiz Eustáquio “é bem intencionado”, mas esbarra numa estrutura viciada e, sabe-se agora, corrupta que há tempo tomou de assalto a burocracia financeira do TC.
Disse-me também que Dêvis de Melo é “um laranja”; que por trás dele tem uma figura com direito a “foro privilegiado” e que já está implicada em outras transações ilegais, de modo que age à sombra no Tribunal de Contas. Quem será? Ou melhor: será que isso é verdade?
O conselheiro Luiz Eustáquio tem a chance de fazer a faxina que se exige no TC, até porque ele estará vulnerável diante da ação da quadrilha instalada no órgão. Se não combater a quadrilha poderá ser acusado de omissão.
O problema é que, se combatê-la, o conselheiro Eustáquio Toledo estará comprando uma briga séria com o patrono dos “meninos”. O presidente do TC vive esse dilema.
Brasília – Não há como fugir da assertiva: quando alguém tenta se defender desmerecendo o denunciante é porque tem culpa no cartório.
No caso do ministro do Esporte, Orlando Silva, isto ficou caracterizado na tentativa vã dele de desqualificar o militante desgarrado João Dias.
Hoje desafeto, o João Dias ontem era um quadro operante; e de tão operante teve direito a fundar e lucrar com duas ONGs instaladas no “sugadouro” do Ministério.
O que aconteceu para João Dias se rebelar? Eis a questão.
Ainda que não se saiba o motivo da revolta do militante – e militar – o que se deduz é o seguinte: João Dias exigia uma blindagem para evitar a devolução de R$ 4 milhões, que ele recebeu para as suas ONGs, e não obteve. Revoltado, ele decidiu não cair sozinho e detonou o esquema. Ou seja: cuspiu no prato que comeu.
Não dá mais para sustentar o ministro Orlando Silva no cargo, mas o estranho é que a FIFA já anunciou a sua demissão; um diretor da FIFA anunciou que Orlando Silva não é mais ministro do Esporte. A FIFA anunciou a demissão do ministro antes do governo.
Em tempo: mas o Ministério do Esporte continuará na cota do PC do B.
CAVALOS MARINHOS
Que no Tribunal de Contas do Estado tem algo errado e não é de agora, todos sabem. Nada que se possa descobrir e divulgar acerca do TC alagoano surpreende; o que surpreende é exatamente quando o TC age corretamente e com lisura.
Mas, não dá para entender como o diretor Financeiro Dêvis Portela de Melo Filho fazia toda aquela trambicada na contabilidade do TC sem o “aval” do chefe-maior. Dêvis de Melo pode até assumir sozinho a bronca, mas ele não está só.
E por que não aparece o chefe-mor da quadrilha? Dizem que é para o processo não ir parar no Supremo Tribunal Federal.
Ah, bom.
Quer dizer então que ficará restrito ao Dêvis de Melo – que foi dar com os burros, digo, cavalos, n’ água?
Quem o amigo internauta acha que está realmente por trás da trambicada toda? Quem é o chefe-maior ou o “dom Ratão” dessa verdadeira fábula dos cavalos de raça?
Brasília – Para chegar ao plenário do Senado e finalmente ser votada, a proposta de pagamento dos royalties do pré-Sal exigiu paciência e inteligência em mão dupla: paciência para ter inteligência e inteligência para ter paciência.
O projeto do senador Welington Dias (PT-PI) foi a alternativa ao veto do presidente Lula ao projeto aprovado na Câmara Federal e repetiu no Senado o ineditismo de não estabelecer o confronto entre situação e oposição; entre governo e oposição.
Basta ver que o senador Welington Dias, autor do projeto, é do PT e o senador Lindemberg Farias, o maior contestador e líder da oposição ao projeto, também é do PT.
O confronto se deu basicamente entre o Rio de Janeiro e o Espirito Santo contra o restante do país. Foi um jogo de inteligência, onde não adiantava esbravejar; a questão central estava em sabiamente mover as pedras para evitar desgastes com o acirramento do confronto.
E foi aí que entrou o senador Renan Calheiros. Na condição de líder do PMDB no Senado, caberia a Renan indicar o relator do projeto e nesse particular ele se saiu – mais uma vez – muito bem nos bastidores – que é na verdade onde se faz política.
Renan indicou o senador paraibano Vital do Rego para ser o relator e, com isso, conseguiu exercer sobre o senador Lindemberg Farias um controle sutil. A tática do senador Renan deu certo e ficou evidente no embate entre Lindemberg e Vital do Rego.
Lindemberg, ainda que de forma indireta, chegou a chamar Vital do Rego de mentiroso ao se referir aos números apresentados sobre os royalties do pré-Sal e quanto cada estado iria receber.
Só para citar Alagoas, pelos números apresentados pelo senador Vital do Rego o Estado recebe hoje R$ 85 milhões de royalties do petróleo e passará a receber R$ 265 milhões.
Lindemberg duvidou da autenticidade desses números e ridicularizou a fonte apresentada por Vital do Rego – que retrucou com um argumento arrasador:
- Senador Lindemberg! A Paraíba se orgulha de tê-lo como filho e tem saudade do senhor.O senhor foi embora para o Rio de Janeiro e é lá (no Rio de Janeiro) que estão os seus votos. Mas, tenho certeza de que o senhor também tem saudade da Paraíba e quando sente saudade vai para a casa do seu tio lá em João Pessoa.
Com o argumento arrasador do senador Vital do Rego, que calou a voz mais contundente contra o projeto dos royalties, é que deu para entender a indicação do senador Renan Calheiros na escolha do relator.
A política é mesmo uma arte.
Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.