Brasília - O senador Renan Calheiros (PMDB) negou ter interferido na nomeação do ex-vice-governador e tesoureiro do partido, José Wanderley, para o cargo de secretário especial do governo Téo Vilela (PSDB). Eis a entrevista:
- Qual o objetivo da volta do ex-vice-governador José Wanderley ao governo?
Renan – Objetivo? Não sei; não tenho nada a ver com essa nomeação. Ofereceram o cargo a ele (José Wanderley) e ele aceitou, mas eu não tenho nada a ver com isso.
- Mas, não é isso o que se diz em Alagoas...
Renan – E o que é que estão dizendo?
- Que o senhor acertou a nomeação dele (José Wanderley) com o governador Téo Vilela.
Renan – (risos) Eu!? Não tenho nada a ver com isso (nomeação). A última nomeação que eu arranjei para o Wanderley foi para ele ser o ministro da Saúde no governo Lula e ele (Wanderley) não foi ministro da Saúde do Lula porque optou para ser vice-governador. Essa é a verdade.
- Mas não existe um acordo para o senhor ser o candidato a governador em 2014?
Renan – Gente, pelo amor de Deus, eu fui eleito senador agora, tenho oito anos de mandato para cumprir e eu tenho o maior respeito pelos meus eleitores. Essas especulações agora não acrescentam nada, pelo contrário, pode ficar parecendo que eu sou tarado por mandatos e não é isso. Temos muita coisa para fazer. Alagoas tem indicadores sociais negativos que precisam ser eliminados de uma vez por todas e esse é o meu papel no Senado. Tem o problema das casas das vítimas das enchentes, o problema da duplicação de rodovias, o problema do estaleiro, as obras como o Canal do Sertão que exigem a nossa presença constante junto ao governo federal para que essas obras não sofram solução de continuidade. Portanto, o meu compromisso é com Alagoas e com o meu mandato de senador.
Brasília - Mesmo se eu não tivesse lido e acompanhado a discussão sobre o novo Código Florestal Brasileiro; mesmo se o relatório do deputado federal – e hoje ministro do Esporte – Aldo Rebelo (PC do B-SP) não fosse impecável e uma peça patriótica e honesta, bastaria o fato de os Estados Unidos, a Europa, o Greenpeace, os ambientalistas brasileiros e o ex-índio Raoni serem contrários para que eu fosse favorável.
É uma questão de analogia.
Esta semana, um grupo de “inocentes úteis” que também são estudantes veio protestar no Senado contra o Código Florestal – que não agrada aos picaretas ecológicos nacionais e internacionais.
Já disse e repito que, para mim, a priori, toda ambientalista é punguista. E não conheço um só, no país inteiro, que mereça respeito, embora deva existir as exceções.
Pois bem; o brasileiro que reage contra o novo Código Florestal age pelos seguintes motivos:
1) São inocentes úteis iguais aos estudantes que protestaram esta semana no Senado.
2) São traidores da pátria, igual ao ex-índio Raoni, hoje um “peregrino” internacional que ajuda a macular com mentiras a imagem do Brasil lá fora. Está milionário com isso e não quer mais apito; Raoni agora quer dólares.
Aliás, aproveitando a oportunidade de o ex-índio Raoni ser hoje “garoto propaganda” dos Estados Unidos e da quadrilha internacional de falsos ecologistas, é bom lembrar – e alguém deve dizer isso ao ex-índio Raoni – que os Estados Unidos têm a “solução” infalível para resolver o problema do índio.
Que tal a 7ª Companhia comandada pelo general Custer? Como no Brasil não existe nenhum líder indígena da envergadura moral e da coragem do “Touro Sentado”, o general Custer desencarnado no Brasil faria a festa com a sua 7ª Companhia.
Em tempo: o governo dos Estados Unidos criou a 7ª Companhia no Exército só, e somente só, para matar índios que reagiam às ações dos brancos. É por isso que, até hoje, os índios norte-americanos vivem todos “pianinho” e segregados em suas exíguas reservas.
Viva pois, o novo Código Florestal e viva o trabalho do deputado federal Aldo Rebelo como relator.
O resto é empulhação dos “quinta-colunas”.
Brasília – Só quem já leu o livro “Cidade Partida”, do jornalista Zuenir Ventura, é que pode entender a guerra contra o tráfico no Rio de Janeiro.
Se fosse externa, já seria a terceira guerra mais longa da história da humanidade; são mais de trintas anos de confronto sem vencido nem vencedor. Igual à guerra comum, as baixas são de ambos os lados e também do terceiro lado – que é a sociedade, vítima inocente da Justiça cega.
Pelo tempo de duração e, especialmente, pelos resultados pífios, essa guerra contra o tráfico no Rio de Janeiro contraria a tese do general e pensador chinês Sun Tzu, segundo o qual toda guerra demorada enfraquece o erário.
Essa guerra contra o tráfico também contraria outra verdade de Sun Tzu, segundo o qual o objetivo de toda a guerra é a paz – e é mesmo, com exceção da guerra contra o tráfico no Rio de Janeiro.
É preciso entender que “tráfico” abrange drogas, armas, dinheiro sujo, vantagens, facilidades e o que mais couber no estatuto da criminalidade.
O livro do Zuenir Ventura conta como tudo começou e tudo começou, ó, faz tempo. O embrião vem de longe.
A propósito, eu tenho a experiência própria em 1975. O governo militar proibiu o jogo de bicho e, como se vivia num regime de exceção, os bicheiros cariocas tomaram o cuidado de não afrontar a proibição – que não valeu na prática, mas o jogo ficou menos ostensivo.
Pois bem; eu vinha pela calçada da Santa Casa de Misericórdia com um amigo (marido da minha prima) e chutei uma caixa de sapato que estava presa por um elástico ao pé de uma árvore, na esquina.
Não consegui dar cinco passos e fui seguro por dois policiais, que me abordaram aborrecidos. Eu não entendia o que eles estavam falando e só depois de muita conversa é que a ficha caiu: no fundo da caixa de sapato estava escrito o resultado do jogo do bicho; o apostador passava e olhava disfarçadamente o resultado – e eu, sem saber, chutei a caixa.
A sorte é que esse amigo, cunhado do meu primo-irmão Ailton Villanova, era médico e sargento da Aeronáutica; a gente estava caminhando exatamente na direção do QG da Aeronáutica – onde o sargento Vieira era telegrafista, quando não estava exercendo a profissão de médico.
Conclusão: em 1975, em pleno regime militar, aqueles dois policiais não estavam ali na esquina para proteger a sociedade e sim uma caixa de sapato com o resultado do jogo do bicho.
O tiro que matou o jornalista da Rede Bandeirantes, que cobria mais uma batalha inútil da polícia com os traficantes nos morros cariocas, acertou em cheio a sociedade porque foi disparado pela arma da reação à hipocrisia nacional.
O tráfico não é mais um problema da polícia; o tráfico é um problema de estado e não pode ser resolvido apenas com a força.
O tráfico é um problema típico que se ilustra na música do compositor cubano Silvio Rodrigues, “Sonho com Serpentes”, que diz assim:
- Eu mato e me aparece outra maior.
Brasília – Daqui a leitura que se faz sobre o “espetaculoso” assalto à agência do Banco do Brasil em Piaçabuçu é a seguinte:
Se a polícia não prender os assaltantes, esse assalto reabre a temporada de assaltos em ano pré-eleitoral e eleitoral em Alagoas – o que não se registrava desde 2007.
A investigação deve levar em conta o relatório da CPI da Pistolagem na Câmara Federal, que destrincha tim-tim por tim-tim o mecanismo do crime.
O relatório do deputado federal Luiz Couto (PT-PB) é contundente quando afirma que existe uma ligação para o crime entre os estados.
Na verdade é o velho Sindicato do Crime, que atua hoje remasterizado. É a volta dos que não foram.
O relatório diz que o conluio criminoso junta bandidos de Alagoas, de Pernambuco e da Paraíba e, de ordinário, tem a participação de policiais e ex-policiais.
São organizados, de modo que a “tropa” de assaltantes se alterna nas ações. A tropa de Pernambuco não atua em Pernambuco – atua na Paraíba, Alagoas...
A “tropa” de Alagoas idem.
Aliás, a “tropa” alagoana sofreu sérias baixas com a prisão dos “cabeças” do bando. Na solidariedade que une os criminosos, o assalto à agência do BB de Piaçabuçu pode ser o primeiro gesto de apoio aos “irmãos do crime” que estão em apuros.
Quem negou essa relação entre assaltos a bancos e a política em Alagoas agiu por inocência ou conivência.
Não dá para separar.
Resta saber agora qual a próxima agência do Banco do Brasil a ser assaltada. Qual será?
Brasília – Depois do PSD, a novidade agora é o partido que a ex-senadora Marina Silva quer criar e ainda não tem nome.
O movimento que ela lançou e que propõe “uma nova política” é na verdade o embrião desse novo partido que surgirá com o rótulo de esquerda.
Esquerda da esquerda, pois não, porque existe o vácuo causado pela esquerda adesista – que virou governista; e a esquerda não-adesista, mas que perdeu a identidade.
Marina quer atrair a vereadora Heloísa Helena, para juntas saírem por aí deitando falação contra o governo. Para Marina, a vereadora Heloísa Helena é a voz grave e contundente que ela não tem na discussão com o governo.
Marina não é nenhuma “alma rara” na política e tem lá os mesmos defeitos, mas, sem dúvida, ela consegue angariar a simpatia de uma parte do eleitorado que ainda acredita na pureza do sistema.
Heloísa garante apoio a Marina, mas diz que não deixará o PSOL. É uma situação complicada, pois como vai apoiar uma pessoa de partido diferente sem entrar em atrito – novamente – com a direção nacional do PSOL?
Essa é uma questão série, mas como está longe de ser colocada sobre a mesa, a vereadora Heloísa Helena segue a sua caminhada.
E se apressar os passos, junto com Marina Silva, em 2012 Heloísa pode arrastar uns dois com a votação dela à Câmara Municipal.
Brasília - Em relação à Copa do Mundo de Futebol no Brasil, só duas coisas até agora são certas – iguais a beiço de bode – e vão acontecer inapelavelmente. São elas:
1) A seleção brasileira será campeã jogando a final contra o Uruguai, no Maracanã.
2) No mínimo 20% dos R$ 50 bilhões de reais destinados à realização da Copa do Mundo serão desviados.
Essas são duas certezas absolutas e não há quem possa alterar essa ordem, de modo que ninguém precisa temer nada porque a seleção brasileira será campeã. O brasileiro só precisa mesmo ficar atento é para o desvio de dinheiro – que está estimado, por ora, em 20% mas pode ser mais.
Há, em torno do Ministério do Esporte, uma movimentação jamais vista. A cobiça é tamanha, que o novo ministro Aldo Rebelo sequer se sentou na cadeira e já recebeu uma flechada.
Eu conheço o Aldo Rebelo; foi meu colega na Ufal quando a Área III ainda funcionava onde hoje é o Detran e se chamava “Campus Tamandaré”. Era o ano de 1975, quando fomos aprovados no vestibular.
Era a época de chumbo, com a vigência do famigerado Decreto-Lei 477 feito sob medida para enquadrar universitário e professor que se metesse em política.
Deputado federal pelo PC do B de São Paulo, Aldo Rebelo é um nome respeitado no Congresso Nacional e não poderia ser diferente. Desde a época da Ufal já se revelava um líder, íntegro e decente.
Aliás, eu contei uma passagem com o Aldo na aula de Sociologia ministrada pelo saudoso professor Salomão de Barros Lima – que costumava dividir a turma em equipe, cada equipe com um patrono.
O professor Salomão perguntou quem era o patrono da nossa equipe e o Aldo gritou na sala: equipe Mao Tse Tung! O Salomão arregalou os olhos e se aproximou da gente – eu, o Aldo, o Alberto Casado, o saudoso Péricles Gama e o Beto Jucá – e repetiu a pergunta, e desta vez em toma baixo, e o Aldo reforçou:
- Equipe Mao Tse Tunga!
Ao relembrar o fato, outro dia, numa conversa com o deputado federal Aldo Rebelo, ele me disse o seguinte:
Naquela época quem tinha juízo tinha medo. A gente tinha medo, mas não tinha juízo.
Pois hoje, ao assumir o Ministério do Esporte, o deputado Aldo Rebelo, que tem muito juízo, deve ter também medo porque a FIFA e a CBF estão de olho no Ministério do Esporte.
E tudo por causa da grana da Copa. O inimigo, nesse caso, não é mais evidente nem está caracterizado no Decreto Lei 477. O inimigo é oculto e age sorrateiro.
Roberto Villanova Começou no Jornalismo em 1973. Foi repórter II do Jornal do Brasil (1977/88) atuando como correspondente do JB em Alagoas e na Paraíba. Redator de Política do Jornal de Brasília (1992/93) e atualmente colunista político de O Jornal, onde assina a coluna Contexto. Primeiro blogueiro da imprensa alagoana.