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Alagoas, 22 de março de 2010

Sururu de Aquário / Últimos Posts

04/11/2009 07:25

 

PÊSAMES! >>"Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele"

É com tristeza que transcrevo trechos do que escreveu o poeta carioca, Luiz Fernando Prôa. Seu filho, viciado em crack, matou uma amiga que queria ajudá-lo.

 


          "Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele”. Essa sentença define bem quem foi Claude Lévi-Strauss (28/11/1908--03/11/2009). O sociólogo e antropólogo francês, autor de Tristes Trópicos, morreu domingo passado, aos 101 anos de idade.
É com tristeza, também, que transcrevo trechos do que escreveu o poeta carioca, Luiz Fernando Prôa, que está vivendo uma dor que não desejo nem mesmo aos mais perversos dos seres. Seu filho, viciado em crack, matou uma amiga que queria ajudá-lo.

No maisss, MÚSICAEMSUAVIDA!!!
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Caros amigos, os antigos e os que chegaram agora,

Gostaria de agradecer o apoio de todos numa hora tão difícil como esta. Precisou acontecer um fato chocante, um abalo que não atingiu apenas as famílias envolvidas, para que a sociedade se mostrasse perplexa e comovida perante a tragédia diária que vivemos em todos os cantos do país. Não tive tempo para acompanhar nada do que saiu nos noticiários, mas, segundo ouço falar, há um clima de indignação generalizado. O acontecimento lamentável do sábado, dia 24 de outubro (quando meu filho viciado em crack matou a amiga que tentava ajudá-lo a largar as drogas), fez emergir questões difíceis do dia-a-dia, que todos nós enfrentamos e já não aguentamos. Vocês não me verão mais lamentando os eventos que passaram, isso agora fica na minha esfera pessoal. Só me interessa olhar para frente e fazer alguma coisa.

Dentro dessas questões, o crack é um deles. De uma cracolândia em São Paulo se multiplicaram centenas pelo país. Daqui a um ano serão milhares! A cola de sapateiro foi substituída pela pedra maldita, o consumo disseminado entre todas as classes e o combate intensificado contra o crime organizado transformou o Rio de Janeiro num teatro de guerra, perdida, e que será maquiado para as Olimpíadas de 2016. Mas essa guerra não é só aqui, está espalhada e em expansão por todas as capitais, periferias e áreas pobres principalmente, no interior e nas cidades de fronteira.

O poder público, apesar da boa vontade de alguns setores, se mostra incapaz de deter a marcha vertiginosa das coisas. Há dinheiro para o FMI, para submarino nuclear, para aviões militares sofisticados, para Angra 3 e até para o Haiti, mas o que vemos aqui é a estrutura complemente falida, seja na área da saúde, da segurança pública, na defesa do meio ambiente, apesar dos esforços valorosos do ministro Carlos Minc, e em outras áreas.

Não podemos continuar a ser esmagados e acuados pela falta de recursos, pelo poderio de grandes grupos econômicos, como o setor privado de saúde e a poderosa indústria da bebida, que sabemos ser uma droga pesada, apesar de lícita. Dois exemplos são emblemáticos. O primeiro é a aliciação através da propaganda de cervejas e similares sem nenhum controle, em nome da democracia – a deles, é claro – e do direito de informação. Chega a me doer ver atletas se prestando a isso, por dinheiro.

 Esta semana foi a pior que já tive na vida! Contudo, houve fatos positivos e que me surpreenderam. A imprensa, muitas vezes criticada, teve um papel importantíssimo neste debate que se desenrolou, cobrando das autoridades ação. A população a “cada esquina” debateu entre si a sua indignação. Os que têm alguma voz na mídia se pronunciaram. E até um pai ousou falar em humanidade.Por isso me dirijo aos amigos e aos inconformados com este estado de coisas, para agradecer e alertar.

A imprensa e as pessoas comuns seguraram em minhas mãos nestes dias, mas nenhuma autoridade se dirigiu a mim nem me ofereceu qualquer apoio, não sei se por falta de jeito ou com o intuito de não querer ouvir alguém que grita em seu ouvido.Não posso gritar sozinho. É muito fácil tirar de cena quem aponta o dedo para setores tão poderosos. Mas se formos milhões a gritar, a apontar o dedo, a coisa fica bem diferente.

 Não pretendo me promover nem me candidatar a nada. Estou muito feliz sendo escritor e promotor de cultura na Internet. Tenho certeza de que ninguém gostaria de estar na minha pele neste momento. Mas não vou me omitir. Saí do armário e espero que outros façam o mesmo.
Chega de hipocrisia! Precisamos de ação, paz e um pouco de HUMANIDADE!
Obrigado!
Luiz Fernando Prôa
 

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01/11/2009 10:26

 

CANETA DE AQUILES >>De bem com a bossa nova e com o Leblon

De bem com a bossa nova e com o Leblon

 

      Conforme o prometido, aqui vai mais um texto do Aquiles (MPB4) que será publicado também no Diário do Comércio (SP), Meio Norte (Teresina), A Gazeta (Cuiabá), Jornal da Cidade (Poços de Caldas), A Gazeta (Macapá) e no Brazilian Voice (uma publicação voltada para os brasileiros residentes em toda Costa Leste dos EUA).   

No maisssss, MÚSICAEMSUAVIDA!!!

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                                              De bem com a bossa nova e com o Leblon

       Ainda que ao gravar seus autorais CD e DVD De Bem Com a Vida (Dabliú) Alberto Rozenblit estivesse longe de supor que depois o Rio de Janeiro seria escolhido como sede das Olimpíadas de 2016, eles são uma ode à cidade tão maravilhosa quanto conflituosa.


          Tendo como referências a bossa nova e a zona sul do Rio de Janeiro, o pianista, arranjador e compositor carioca se esmerou em homenagens ao gênero e elegeu como palco não a Copacabana dos anos 1960, mas o Leblon dos anos 2000.

 
           Com exceção de “Pororoca”, faixa instrumental que fecha o álbum e que é só dele, Alberto Rozenblit deu melodias para parceiros versejarem o amor às belezas do Rio que tem a baía de Guanabara banhando-lhe os pés, a serra do Mar a lhe proteger a vista e o céu com vocação para ser ensolarado.


           São parcerias com Paulinho Tapajós (“Dia a Dia”, “Pixinguinha Morreu de Rir” e “Beco das Garrafas”), Luiz Fernando Gonçalves (“Toada da Vida”, “De Bem Com a Vida” e “Na Rua Sol Maior”), Joyce (“Esperei”), José Carlos Costa Neto (“Leblon”), Xico Chaves (“Corações Riscados”) e Ricardo Brito (“Quero Ver Você Feliz”).

 
          Para cada uma, um intérprete a lhe acrescentar emoção e reverência: Ivan Lins; o grupo vocal integrado por Maurício Maestro, Claudio Nucci, David Tygel e Vicente Nucci; Mônica Vasconcelos; Ney Matogrosso; Joyce; Zé Renato; Zélia Duncan; Celso Fonseca; Leila Pinheiro; Arranco de Varsóvia e Lenine. Todos fazendo de De Bem Com a Vida um disco de músicas bem cantadas (destaques para Mônica em “Dia a Dia”, Leila Pinheiro em “Corações Riscados” e Zé Renato em “Na Rua Sol Maior”) e de melodias que, simples ou complicadas, vêm embaladas por harmonias muito bem elaboradas.


           Alberto Rozenblit arregimentou uma grande orquestra de cordas (doze violinos, quatro violas e quatro cellos) e com ela toca em quatro músicas. Mas a sonoridade de cada uma das faixas do CD não se repete, graças a uma cozinha plena de mestres: Roberto Menescal, Claudio Jorge, Joyce e Lula Galvão no violão; Marcos Zama, Paulinho da Aba, Celsinho Silva e Pirulito na percussão; Jorge Helder e Sergio Barroso no contrabaixo; André Tandeta, Tuti Moreno, Jurim Moreira, Paulo Braga e Marcelo Costa na bateria. E ainda flauta, trombone, clarinete, violão de sete, trompete e flugelhorn. Todos, mais o piano impecável de Alberto Rozenblit, criando musica boa de se ouvir.


          Os arranjos e as orquestrações são de Rozenblit, com exceção de um, em que ele dividiu as funções com o cavaquinista Alceu Maia, e das interpretadas pelos dois grupos, para as quais fez os arranjos de base, e que tiveram os arranjos vocais feitos um por Maurício Maestro e o outro por Paulo “Pauleira” Malaguti.


          De Bem Com a Vida é uma homenagem feita ao Rio com músicas de qualidade, como se criadas com a “missão” de levantar o astral da cidade da qual, tão maravilhosa, ninguém tira a aura. Ainda que, diariamente, marginais e corruptos de todos os níveis tentem achincalhar e ameaçar sua paz.

Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4
 

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27/10/2009 07:24

 

PUTZPOST >>>É assim que as coisas funcionam aqui no aquário

Se o artista, após produzir seu disco, não toca nas rádios; o público não toma conhecimento da sua música

           Levando-se em consideração a nossa cena, a dificuldade para compositores e intérpretes divulgarem a música que produzem começa já no primeiro e mais importante canal de divulgação, ainda. Ou seja: o rádio. Sabemos que a produção musical, para ser bem-sucedida, depende de uma cadeia. Portanto, todas às vezes que o primeiro elo dessa cadeia é rompido, a cadeia se desfaz. Se o artista, após produzir seu disco, não toca nas rádios; o público não toma conhecimento da sua música, não compra o disco, não vai aos shows, não o capitaliza e ele não produz em tempo hábil um novo disco. Assim, passa longos anos tentando se capitalizar, por outras vias, para então produzir um novo trabalho. Nesse processo alguns enferrujam  e desistem. É assim que as coisas funcionam, aqui no aquário.
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24/10/2009 11:01

 

ESSES POETAS >>>Senhora dos Prazeres

Durante o verão do ano passado resolvi programar Senhoras dos Prazeres na Rádio Educativa FM

              Como eu havia escrito anteriormente, aqui vai mais uma tentativa de tornar menos árido este nosso espaço. Dessa vez, trago a poesia do Ronaldo de Andrade. Bem, acho que o Ronaldo dispensa apresentação. O poema Senhora dos Prazeres, mais que um poema, é uma ode à padroeira de Maceió e a nossa cultura popular. Foi um dos primeiros poemas musicados por mim, para o projeto ESSES POETAS. Ah, tem um fato curioso. Durante o verão do ano passado resolvi programar Senhora dos Prazeres, na Rádio Educativa FM, para ver qual seria a reação do público a uma canção cuja letra e arranjo estão repletos de símbolos da nossa cultura. Não deu outra. Recebemos telefonemas apenas de turistas, que queriam saber onde encontrar o disco. Foi decepcionante, porém, era algo já esperado por mim.

                                                                  SENHORA DOS PRAZERES 
                                                                                                         Poema: Ronaldo de Andrade 
                                                                                                         Música: Mácleim
Rainha de terra e mar
Senhora do azul do céu
Iara da Mundaú
Sereia das enseadas
Mãe d’água de Maceió
Sua graça é dos prazeres

Ó senhora das auroras
Estrela da madrugada
Que ilumina a cidade
Para dançar e tocarem
Bois e tambores nas ruas
De lá da Ponta da Terra
Te rendemos homenagens

Ó Iá da prosperidade
Mãe dos homens de fé
Jangadeiros, Trapicheiros
És também a flor do amor
Que adorna os terreiros
Encarnados da paixão
No Poço e no Jaraguá

Minha Mestra e Contra Mestra
Pastorinha do presépio
Diana do pastoril
Com manto faixa e coroa
E sete rosas na mão
Tanta graça, tanto mimo

Tá no badalar dos sinos
Nas torres perto de Deus
Da catedral onde moras
Ao brilho de sol e lua
Nos temporais e no estio
Encantai nossos cantores
Ó Senhora dos Prazeres.


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22/10/2009 11:18

 

Uma Noite em Tabariz >>> Sou suspeito para falar sobre o musical

Logo após o sucesso da peça A Farinhada, o Sávio me apresentou o texto de Uma Noite em Tabariz, propondo um musical

                                                         Uma Noite Em Tabariz


               É verdade que sou suspeito para falar sobre o musical Uma Noite em Tabariz. Sou suspeito, mas também sou crítico e lúcido o bastante para não ir além do que realmente penso. Sou suspeito porque se trata de mais uma parceria com o grande autor teatral Sávio de Almeida. Logo após o sucesso da peça A Farinhada, o Sávio me apresentou o texto de Uma Noite em Tabariz, propondo um musical. Foi um desafio e tanto. Porém, após a estréia do espetáculo no Arena, com casa lotada e sessões extras, percebi que valeu a pena o trabalho e o tempo de espera para a primeira montagem, pois tínhamos um bom espetáculo, pronto para ser lapidado.


               Nem sei mais quanto tempo já passou desde a primeira e real tentativa de montagem do musical, pelo Embracanto. Sem falar em tantas outras tentativas anteriores, que não passaram de reuniões desvairadas. Até que, finalmente, o grupo Cia. do Chapéu resolveu montá-lo, para o projeto Quartas no Arena. A ousadia desses jovens atores e atrizes, ao montar um musical no curto espaço de tempo decorrido entre os ensaios e a primeira apresentação, demonstra bem o ímpeto e a pouca noção de risco, inerentes à juventude. Ainda mais, levando-se em consideração que se trata de um grupo sem experiência em montagens de musicais. Talvez, torne-se desnecessário pontuar que um musical requer tempo (recentemente, o experiente autor e diretor de musicais, Osvaldo Montenegro, disse, em entrevista, que seu mais recente musical levou nove meses para ser preparado) e o envolvimento, digamos assim, multidisciplinar, de profissionais de diversas áreas. A Cia. do Chapéu levou três meses para montar e apresentar um musical absolutamente inédito. Provavelmente, deve ser um recorde mundial. Portanto, há que se louvar a garra, ousadia e o talento dessa trupe.


                A partir do que vi, na terceira apresentação do Uma Noite em Tabariz, no Tetro de Arena, ficou evidente que faltava muito a ser aprimorado, que muita estrada ainda teria que ser percorrida até se ter a musculatura inerente ao musical. A começar pelo melhor desempenho técnico de alguns dos atores-cantores, passando pelos arranjos e instrumentação (em cena), até chegar ao aproveitamento pleno de canções que foram resumidas e perderam força melódica, harmônica e emocional. Mas, isso tudo é um longo papo, coisa para uma crítica mais apurada. O importante é que atores e atrizes, corajosos, diga-se, conseguiram, em vários momentos, me emocionar. E se conseguiram emocionar a mim, que assistia com uma lupa capaz de fazer saltar, feito Gremlins, imperfeições que só eu podia ver, então, o público, livre dessas amarras, aberto para uma total fruição, será sempre capaz de sair com a certeza que eu tive: valeu a pena Uma Noite em Tabariz.


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INFORMAÇÕES BÁSICAS:


O quê: musical  Uma Noite em Tabariz


Onde: Mandala Restaurante e Café (Centro)


Quando: dias 22 (quita-feira) e 29 de outubro de 2009


Informações outras: 3223-7863 e www.mandalacafe.com.br

 

 

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22/10/2009 07:14

 

PUTZPOST >>>> Artista não é minhoca!

Será que temos, em algum outro restaurante, artistas de outro planeta se apresentando?

             Está veiculando, na Rádio Educativa FM, o comercial de um determinado restaurante que apresenta música ao vivo. Até aí, nada demais. Porém, lá pras tantas, o locutor manda essa: - “Com artistas da Terra”. Ora, será que temos, em algum outro restaurante, artistas de outro planeta se apresentando? Se ele se refere à terra,o planeta, soa tão redundante que dói. Portanto, artistas alagoanos ou não, que atuam na cena local, são artistas locais. Putz, artista não é minhoca! E tudo isso na  Educativa que, a princípio, deveria ser educativa. Taí, agora, cabe sim essa redundância.

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