Postado em 12/08/2010 às 07:56 por Redação em Política

MCCE solicita à PRE investigação de financiamento da caminhada 'Pró-Collor'

Entidade impetra hoje requerimento na PRE

Manifestações de candidatos são proibidas em frente a instituições públicas

Beto Macário

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) impetra, nesta quinta-feira (12), um requerimento na Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), pedindo para que se investigue o financiamento da caminhada “Pró-Collor”, que levou tensão ao centro de Maceió – quando ganhou as ruas em disputa com o Ato “Fora Collor”.

De acordo com o coordenador-geral do Movimento, Antônio Fernando dos Santos, as informações que circulavam, nos bastidores, se concretizaram. “Sabíamos que cada pessoa da caminhada recebeu R$ 50 para sair às ruas. Eles vieram em seis ônibus do interior do estado” explica.

Como fundamento para a denúncia, ele utiliza o reconhecimento de dois ativistas – que foram detidos – afirmando que receberam a quantia de R$ 20 para provocar os insultos. “Está mais que provado a caracterização de crime eleitoral. É preciso que a Justiça Eleitoral apure os casos e tome uma posição com rigor”, diz, esperançoso, Antônio Fernando.

O coordenador-geral chama a atenção para o fato de que o assessor do candidato Fernando Collor (PTB), Anderson Xavier, estaria conduzindo a caminhada. “Eu tenho, inclusive, releases assinados por ele divulgando material de campanha do ex-presidente. Eles estão apelando, inclusive querendo queimar a imagem de nós que fazemos o MCCE”, concluiu.

Caminhada infringe legislação eleitoral

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já se posiciona sobre a infração da Legislação Eleitoral por parte da Caminhada, por não permitir qualquer manifesto de candidato – que seja – a menos de 200 metros de uma instituição pública.

Postado em 12/08/2010 às 07:27 por Redação em Política

Prefeito, vereadores e lideranças de Maribondo abraçam reeleição de Renan

Renan agradeceu apoio e disse que continuará trabalhando para o crescimento

Divulgação

Nem mesmo a noite gelada afastou centenas de pessoas que se concentraram, na noite desta quarta-feira, 11, na fazenda Zé Durval, no município de Marinbondo. Elas foram convocadas pelo prefeito Zé Márcio para discutir os projetos relacionados aos municípios e ao Estado e a continuidade do senador Renan Calheiros no Congresso Nacional.

Todos os discursos foram unânimes ao apoio a Renan pelos serviços que o parlamentar vem prestando aos municípios alagoanos. Um dos mais efusivos foi da presidente do PT municipal, Nete da Gajuruna, que deu as boas vindas aos convidados. “Sabemos do empenho do senador para o crescimento do Alagoas e seu prestigio junto ao governo Lula tem rendido grandes obras como nunca vistas em nosso Estado”, ressaltou Nete.

Em nome da população maribondense, o médico-prefeito Zé Márcio disse que está empenhado e vai andar de casa em casa para mostrar o quanto Renan trabalha por Alagoas. Ele disse que graças a uma das emendas do senador, Maribondo vai se transformar numa das mais bonitas cidades de Alagoas quando receber a revitalização do calçadão.

Renan Calheiros agradeceu o apoio de todos e disse que continuará trabalhando para o crescimento e desenvolvimento do Estado. Ao final dos discursos, o senador foi carinhosamente abraçado e cumprimentado por todos. Os candidatos a deputado federal Alexandre Toledo e estadual Carlos Cavalcante também participaram do evento.

Postado em 11/08/2010 às 18:23 por Redação em Política

"Eu tenho muita saúde, ninguém é vice comigo achando que eu não vou concluir mandato"

Serra alfinetou a adversária petista

O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, aproveitou para entrevista no "Jornal Nacional", da Rede Globo, para alfinetar a adversária petista Dilma Rousseff ao dizer que o presidente não pode governar na garupa. Segundo ele, Lula não é mais candidato.

"As pessoas estão preocupadas com o futuro. Quem tem mais condições de tocar o Brasil para frente", disse o tucano, na noite desta quarta-feira na entrevista com pouco mais de 12 minutos na bancada do jornal, com Willian Bonner e Fátima Bernardes.

O candidato conduto cometeu uma gafe ao defender seu vice, Indio da Costa,ele disse que tem muita saúde e ninguém é vice com ele pensando em assumir o mandato.

É bom lembrar que Dilma Roussef teve um cancer, e que ela teve que se submeter a quimioterapia.

Questionado sobre a aliança com o PTB, legenda envolvida no mensalão, Serra afirmou que os partidos são heterogêneos.

Ele lembrou que o partido em São Paulo sempre esteve com o PSDB. "Os personagens principais do mensalão nem foram do PTB, mas do PT', disse.

O candidato também não quis fazer uma avaliação sobre o ex-deputado Roberto Jefferson, que denunciou o mensalão. "O Roberto Jefferson, presidente do PTB, não é candidato. Eu não fico julgando e não tenho compromisso com nenhum erro."

Jefferson já repercutiu a entrevista no Twitter. "William Bonner e Fátima Bernardes facilitaram para o meu candidato. Foram mais amenos com ele."

 

Nos agradecimentos, Serra lembrou sua "origem modesta" e disse que deve aos pais estar no "Jornal Nacional", pela segunda vez, falando como candidato

Na terça-feira, a entrevista pelo telejornal foi com Dilma Rousseff e, ontem, com Marina Silva (PV). O candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, também será entrevistado por 3 minutos.

Postado em 11/08/2010 às 15:27 por Redação em Política

Além de Jingle, Frente Popular tenta impedir Collor de até citar Lula e Dilma

“Não se trata de censura e sim de cumprir a Lei” diz Marcelo Brabo

O pleno do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas confirmou hoje decisão tomada pelo juiz Carlos Gouveia que impedia a coligação O povo no governo, do candidato Fernando Collor, de fazer menção ao presidente Lula e à ministra Dilma Roussef (PT) no jingle de campanha.

“O candidato pertence a uma coligação que apóia outro candidato à presidência e não pode associar seu nome ao de Dilma”, disse Marcelo Brabo, advogado da coligação Frente Popular por Alagoas que solicitou a interdição.

Segundo ainda Brabo, a decisão do TRE-AL pode ser aplicada a outras manifestações da coligação, como cartazes, folders e até mesmo gravações.

“Não se trata de censura e sim de cumprir a Lei”, afirmou Marcelo Brabo. Com isso, Collor poderia ficar impedido de citar Lula e Dilma em pronunciamentos.

Os aliados do candidato Fernando Collor de Mello (PTB) confirmaram que a decisão da Justiça, que proíbe a referência de Dilma Rousseff (PT) – na campanha do senador -, foi recebida com tranquilidade pela Chapa. “Afinal, a própria Dilma declarou que o apoio a Collor é bem vindo”, declarou Carlos Mendonça, assessor do ex-presidente.

Em declaração ao Cadaminuto o senador Fernando Collor falou sobre a polêmica do jingle e  explicou:

“Eles tem que entender que a Dilma e o Lula tem dois palanques em Alagoas, isto faz parte do processo democrático e o próprio presidente se disse satisfeito por ter duas candidaturas fortes apoiando seu nome” explicou Collor.

A atual música do senador que circula nas ruas excluiu o nome de Lula e Dilma pela frase. "O povo sabe quem apoia quem"

Postado em 11/08/2010 às 15:22 por Redação em Política

Filha de Cicero Almeida e lideranças do Transporte Alternativo fecham com Téo Vilela

Assessoria

O governador e candidato à reeleição Teotonio Vilela Filho da Frente pelo Bem de Alagoas (PSDB, PP, DEM, PSB, PPS, PSC) participou de encontro, nessa quarta-feira (11), promovido pelas lideranças do transporte complementar do estado, e associações do setor dos 102 municípios alagoanos.

Teotonio estava acompanhado do candidato ao senado Benedito de Lira (PP), do candidato a deputado federal João Caldas (PSDB), e dos candidatos a deputado estadual Fernando Toledo, Marcos Ferreira, Nelito Gomes e Edval Gaia.

Fim da burocracia

Entre os principais avanços destacados da categoria no governo Teotonio, o coordenador da Federação dos Transportes Alternativos, Francisco Rolim, destacou a legalização do arrendamento de veículos, a emissão e autorização da carteira para motoristas substitutos, desburocratização da documentação para os motoristas, a aceleração do processo de licitação dos veículos dos transportadores, a autorização para embarcar e desembarcar passageiros no terminal rodoviário João Paulo II, na capital.

Rolim ainda falou sobre dois projetos de lei que legalizaram a profissão dos transportadores e a instituição da data 02 de março, como o dia do profissional alternativo.

“Temos 726 carros circulando em todo Estado. Agora nós somos legalizados e temos um dia especial para comemorar. Por tantos benefícios, estamos com Teotonio para o que der e vier”, destacou o advogado, arrancando aplausos da platéia lotada de motoristas.

De pai para filha

O café da manhã também foi prestigiado pela liderança feminina jovem do Partido Progressista, Jaqueline Almeida, filha do prefeito de Maceió, Cícero Almeida.

Na oportunidade, Jaqueline agradeceu a Teotonio todas as ações que beneficiaram os motoristas complementares, em especial a lei permitindo que viúvas assumam o veículo, em caso de falecimento dos motoristas.

“Sou Teotonio por que nunca vi meu estado crescer tanto. Queremos continuar trilhando o caminho do bem, por isso conte com meu voto”, frisou.

Teotonio agradece apoio

Teotonio agradeceu a disposição dos motoristas, que deixaram de estar nas ruas para ouvi-lo. Enquanto discursava, o governador caminhou entre as mesas, fitando os profissionais, destacando que são os motoristas de transporte alternativo que conhecem de perto a realidade dos alagoanos.

“Vocês são os maiores confidentes das pessoas que carregam. Ai de Alagoas se não existissem esses profissionais”, salientou. Teotonio ainda se comprometeu a continuar ajudando a buscar recursos para ampliar a rede de transportes em Alagoas, bem como continuar melhorando as rodovias do Estado.

 

Postado em 11/08/2010 às 08:46 por Redação em Política

Manobra? Ato "Fora Collor" é surpreendido por caminhada "Pró-candidato"

PM evitou confronto entre as partes; candidato garantiu não saber de ato a seu favor

Beto Macário - CadaMinuto

Alagoas volta a surpreender o país com o seu processo eleitoral. O candidato ao Governo do Estado, Fernando Collor de Melo (PTB), tirou o brilho do ato promovido – por entidades da sociedade civil organizada – contra a sua candidatura. Enquanto o ‘Ato Fora Collor’ se concentrava – no centro da cidade – uma caminhada a favor do candidato apontou no início da avenida e ‘desbotou’ o que seria contra o postulante.

A imprensa nacional estava presente. Todos ansiosos para cobrir o evento. No entanto, o que se viu, foi a manobra de um candidato em campanha - contra um Ato que poderia manchar a sua candidatura. Ao apontar no início da praça Sinimbú, as atenções se voltaram para o grupo que desfilava, de forma provocativa, abafando os gritos: ‘Xô Collor!’ e ‘Collor nunca mais!’.

O clima ficou tenso. O risco de haver conflito era eminente. A Polícia Militar (PM) de Alagoas foi acionada para garantir a segurança dos dois manifestos. Enquanto isso, as provocações continuavam – dos dois lados. O enfrentamento, das duas partes, passou dominar o ambiente. Faixas davam a conotação de confronto, mas sem agressões – físicas ou verbais.

A atuação da PM, juntamente com o pelotão da Rádio Patrulha (RP), foi necessária. Eles recolheram faixas do Movimento Pró-Collor e dispersaram a multidão que se aglomerava. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) se manifestou, indignado, por conta do grupo infringir um item da Lei Eleitoral, que não permite qualquer manifesto de candidato – que seja – a menos de 200 metros de uma instituição pública.

Mas, como diria o escritor, enquanto os cães ladram a caravana passa. Longe do local, o alvo das atenções dava uma entrevista ao radialista França Moura. Ao ser informado do acontecido, Collor lamentou – em tom sarcástico – a morte prematura do Movimento. “É uma pena o movimento ter perdido o seu brilho. Isso é sinal de que as coisas estão bem”, respondeu sorrindo.

O candidato se deu por satisfeito e diz que a situação faz parte do processo democrático. “Eu lamento, inclusive, que este Ato contra mim não tenha tido um número tão grande de adeptos”, concluiu, afirmando que não tinha conhecimento da caminhada a favor de sua candidatura.

Postado em 11/08/2010 às 03:50 por Redação em Política

Maioria do TSE vota contra 'verticalização' de propaganda eleitoral

A maioria dos ministros do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) votou nesta terça feira contra a chamada "verticalização" da propaganda eleitoral, recuando de uma decisão tomada no final de junho.

Os ministros Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, Aldir Passarinho e Marcelo Ribeiro entendem que um candidato a presidência e o próprio presidente Lula podem participar dos programas de rádio e TV de candidatos a governador e senador de seu partido, mesmo que eles estejam unidos regionalmente com partidos que são rivais em nível nacional.

O julgamento, porém, foi interrompido por um pedido de vista do ministro José Antonio Dias Toffoli e deve ser retomado na próxima quinta feira.

No final de junho, o TSE havia tomado uma decisão que impediria a maioria dos candidatos a governador e senador de usar em suas propagandas as imagens dos candidatos à Presidência e do próprio Lula, criando uma espécie de verticalização na propaganda eleitoral.

Exemplo: um candidato a governador do PT que tivesse em sua coligação um partido comprometido com outra candidatura presidencial que não a do PT ficaria impedido de usar em sua propaganda a imagem de Dilma Rousseff (PT) ou de Lula.

No caso do Rio, por exemplo, o PSDB apoia o candidato do PV, Fernando Gabeira, sendo que ambos os partidos tem candidato a presidência: José Serra e Marina Silva. Por aquela decisão, eles não poderiam participar dos programas de Gabeira.

Até agora, 4 dos 7 ministros do TSE entendem de forma contrária. Marcelo Ribeiro, porém, fez uma ressalva. Para ele, no caso de Gabeira, somente Marina poderia participar de sua propaganda, por também ser do PV.

Postado em 11/08/2010 às 02:43 por Redação em Política

Vídeo: "Eu tenho a vida limpa, coisa que alguns no pleno do TRE não têm" dispara Lessa

“Téo e Collor representam a elite do Estado”

Beto Macário

O candidato ao Governo de Alagoas, Ronaldo Lessa (PDT), revelou a que veio nesta eleição. Em entrevista concedida ao jornalista Plínio Lins, no programa Conversa de Botequim, ele conta que tem como meta traçada – para o 1º turno - acabar com o candidato do Governo, Teotonio Vilela Filho (PSDB), e decidir seu retorno, ao Palácio República dos Palmares, contra o candidato Fernando Collor de Melo (PTB).

Sem mandato, Lessa não acredita que haja muita diferença entre seus opositores.

“Teoricamente, os dois levam vantagens: por terem mandatos. No entanto, eles diferem em pouca coisa. Eles representam a elite da econômica e social. Por isso não posso me dar ao luxo de escolher com quem quero disputar um provável segundo turno. Acredito que o Fernando Collor difere um pouco do outro, mas é superficial”, dispara.

Tal confiança se dá na convicção de sua elegibilidade. Mesmo com a derrota no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), o ex-governador não se abala. “Preocupa-me afirmar que já esperava o resultado. Se a minha candidatura é legítima, se está claro que acredito na minha absolvição – junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) –, não dá para esperar um parecer desfavorável: isso gera desconfiança”, reconsiderou.

Para isso, Ronaldo Lessa cobra dos responsáveis que ‘a Justiça seja a expressão da Justiça’. Ele fundamenta o seu argumento explanando que em ‘todos os estados que julgaram casos semelhantes, eles optaram pela elegibilidade.

“A aplicação da Lei Ficha Limpa em Alagoas foi uma interpretação isolada. Em estados como o Piauí e o Rio Grande do Sul, os TREs optaram por não aplicar a Lei, desconsiderando a retroatividade”, explica.
Ele interpreta o julgamento do pleno como a condenação mais gozada que já teve.

“Eles estão rasgando a Constituição, sobre a resposta de uma falsa moral” exalta o candidato. A contrariedade foi tamanha a ponto de ele colocar em cheque a idoneidade do Pleno: “eu tenho a Ficha Limpa, a vida limpa, coisa que muitos deles não têm”, disparou.

Em nenhum momento o ex-governador deixou subentendido que seja contrário à nova Lei. O que ele cobra é a aplicação com serenidade, com calma. “Só assim, será possível limpar muito da podridão que existe por aí”, suplica. A partir deste ponto, o candidato começa a se referir ao governador Téo Vilela. De acordo com o candidato, o seu opositor tem contas a acertar com a Justiça.


 

Postado em 10/08/2010 às 21:09 por Redação em Política

Vídeo: Veja e leia íntegra da entrevista de Marina ao Jornal Nacional

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, foi entrevistada ao vivo nesta terça-feira (10) no Jornal Nacional pelos apresentadores William Bonner e Fátima Bernardes. A presidenciável Dilma Rousseff (PT) foi entrevistada na segunda-feira (9) e José Serra (PSDB) será ouvido na quarta-feira (11). A ordem das entrevistas foi definida em sorteio.

Veja ao lado a íntegra, em vídeo, da entrevista com Marina Silva. Ela respondeu a perguntas dos entrevistadores durante 12 minutos. Abaixo, leia a transcrição das perguntas e respostas.

Fátima Bernardes: O Jornal Nacional dá continuidade hoje à série de entrevistas com os principais candidatos à Presidência em que nós abordamos questões polêmicas das candidaturas e o desempenho do candidato em cargos públicos que já tenha ocupado. Também o Bom Dia Brasil e o Jornal da Globo realizarão entrevistas nas próximas semanas. O sorteio, acompanhado por assessores dos partidos, determinou para hoje a presença da candidata do PV, Marina Silva. Boa noite, candidata. Muito obrigada pela presença.

Marina Silva: Boa noite, Fátima.

Fátima Bernardes: Bom. E o nosso tempo de 12 minutos dessa entrevista começa a ser contado a partir de agora. Candidata, a sua atuação na vida pública, como ministra, como senadora, foi especificamente voltada para a área do meio ambiente. A senhora não tem uma experiência administrativa em nenhuma outra área, em nenhum outro setor. Como é que a senhora pretende convencer o eleitor de que a sua candidatura é para valer e que ela não é apenas uma candidatura para marcar posição nessa questão do meio ambiente?

Marina Silva: Em primeiro lugar, Fátima, chamando a atenção da sociedade brasileira para a relevância das coisas que a gente está vivendo hoje, e eu sempre penso da seguinte forma: até 2014, qual será a temperatura da Terra? Até 2014, quantas crianças ainda continuarão sem ter a chance de chegar sequer à oitava série? Até 2014, quantas pessoas serão soterradas pelas enchentes por falta de cuidado? E, até 2014, quantos produtos nós não perderemos em função da falta de infraestrutura? Quantas oportunidades nós não perderemos em função da falta de educação de qualidade? E então...

Fátima Bernardes: Quer dizer que a senhora acha que essa questão do meio ambiente passa por todos esses outros setores?

Marina Silva: Com certeza. A minha candidatura é para agora porque o Brasil não pode esperar. Todas essas questões que eu coloquei agora para você, Fátima, elas são uma emergência, uma emergência para o cidadão que fica na fila esperando horas e horas para poder fazer um exame, uma emergência para a mãe que quer ter dias melhores para o seu filho porque ela já não aguenta mais a vida dura que tem e uma emergência para o Brasil, que tem imensas oportunidades de se desenvolver com justiça social, de melhorar a vida das pessoas.

William Bonner: Agora, candidata, perdoe, a senhora é candidata do Partido Verde e, até este momento, apresenta-se na eleição sem o apoio de nenhum outro partido. Se a senhora não conseguiu apoio para formar uma aliança agora antes da eleição, como é que a senhora vai formar uma base de sustentação para governar o Brasil depois, dentro do Congresso Nacional?

Marina Silva: Olha só, Bonner, eu acho que para mim é até mais fácil, sabe? É mais fácil, pelo seguinte: porque eu fico olhando para a ministra Dilma e para o governador Serra e eles já estão tão comprometidos com as alianças que fizeram que eles só podem repetir mais do mesmo, do mesmo quando foi o governo do presidente Fernando Henrique, que ficou refém do fisiologismo dos Democratas. E o presidente Lula, mesmo com toda a popularidade, acabou ficando refém do fisiologismo do PMDB.

William Bonner: Mas veja o raciocínio, o raciocínio que eu proponho...

Marina Silva: Deixe só eu completar meu raciocínio, por favor...

William Bonner: É que tem a ver com isso...

Marina Silva: Não, eu sei, eu sei, só para que a gente possa concluir. É, então, como eu estou dizendo que, se ganhar, eu quero governar com os melhores e já estou dizendo que é fundamental um diálogo entre o PT e o PSDB, estou dizendo que eu quero governar com a ajuda deles. Então eu vou compor uma base de sustentação já respaldada pela sociedade com essa ideia de que nós temos que acabar com a situação pela situação e com a oposição pela oposição e trabalhando a favor do Brasil. É assim que eu quero trabalhar. É isso o que eu estou dizendo e, pode ter certeza, quem pode estabelecer um ponto de união entre essas forças que não conversam e que nos seus oito anos de oposição ou de situação se confrontaram se chama Marina Silva.

William Bonner: A questão que eu ia colocar é a seguinte: se a senhora não conseguiu formar essa base de apoio agora, depois da eleição, uma base de apoio que se forme depois da eleição, não tem uma tendência maior ao tal fisiologismo que a senhora mesmo está criticando?

Marina Silva: Não tem, não tem...

William Bonner: Uma barganha de cargos federais...

Marina Silva: Não tem, Bonner, não tem. Sabe por quê? Porque existe muita gente boa em todos os partidos.

Fátima Bernardes: A senhora olhando para o seu partido, a senhora considera que o PV, ele tem quadros, olhando para os seus colegas, para governar o Brasil?

Marina Silva: Ele tem alguns quadros. Mas quem foi que disse que para governar você tem que governar apenas com os quadros de seu partido?

Fátima Bernardes: Não, eu estou perguntando porque ainda não há um acordo estabelecendo outras alianças.

Marina Silva: O presidente Lula teve de governar, inclusive, com quadros do PSDB. O PSDB trouxe quadros da socidade, da academia. Eu, quando estava no ministério do Meio Ambiente, por exemplo, eu peguei as melhores pessoas que estavam na academia, que já estavam na gestão pública, que estavam dentro, enfim, de ONGs, sim, mas as pessoas mais competentes. E quando precisei, toda vez que precisei, Bonner, de aprovar leis no Congresso, a Lei de Gestão de Florestas Públicas, por exemplo, fundamental para o desenvolvimento sustentável da Amazônia, eu consegui aprovar os meus projetos com o apoio de todos os partidos, conversando com todos os partidos. É isso que o Brasil precisa. O Brasil precisa de um olhar que coloque em primeiro lugar as necesssidades dos brasileiros, da saúde, da educação, da segurança pública, da infraestrutura.

William Bonner: Ok.

Marina Silva: O nosso país não pode mais esperar e perder tempo com essa briga que não nos leva a lugar nenhum.

William Bonner: Candidata, vamos falar então... A senhora mencionou a questão, o papel do partido político. A senhora declarou já em algumas entrevistas que deixou o governo Lula e deixou o PT porque discordava da maneira como era conduzida a política ambiental no governo. No entanto, se nós voltarmos no tempo até aquele período do escândalo do mensalão, a senhora não veio a público para fazer uma condenação veemente daquele desvio moral de alguns integrantes do PT. A pergunta que eu lhe faço é a seguinte: o seu silêncio naquela ocasião não pode ser interpretado de uma certa maneira como uma conivência com aqueles desmandos?

Marina Silva: Não, Bonner, não foi conivência, e também não foi silêncio. É que, lamentavelmente, todas as vezes em que eu me pronunciava eu não tinha ninguém para me dar audiência e potencializar a minha voz. Mas eu falava.

William Bonner: A senhora diz dentro do governo?

Marina Silva: Dentro, fora.

William Bonner: Dentro do partido?

Marina Silva: Publicamente, nas palestras que eu dava, eu sempre dizia que aquilo era condenável, que deveria ser investigado, e que deveriam ser punidos todos os que praticaram irregularidades.

William Bonner: Mas, ministra...

Marina Silva: Agora, o que eu dizia sempre, Bonner, era uma coisa, é o seguinte: é que nem todos praticaram erros. E eu não pratiquei. Conheço milhares de pessoas que não praticaram o mesmo erro. E dentro do PT tinha muita gente que combatia junto comigo. Agora, para combater contra a falta de prioridade para as questões ambientais, aí eu era uma minoria. E foi por isso que eu saí. Eu saí porque não encontrava o apoio necessário para as políticas de meio ambiente que façam esse encontro entre desenvolver e proteger as riquezas naturais.

William Bonner: No entanto, o seu desconforto, vamos dizer assim, o seu desconforto ético com o mensalão não foi suficientemente forte para levá-la a deixar o cargo de ministra.

Marina Silva: Foi forte, sim, mas eu sabia que eu estava combatendo por dentro. E que conseguiria ser vitoriosa. Primeiro porque eu não tinha praticado nenhuma irregularidade. Agora, para continuar lutando pelas ideias que eu defendia, isso eu achava que não tinha mais tempo.

William Bonner: E como a senhora analisou...

Marina Silva: Sabe por quê? Porque é possivel, Bonner, sabe, juntar as duas coisas. Existe uma ideia dentro do governo, dos demais partidos, na sociedade, que meio ambiente e desenvolvimento são incompatíveis. E eu conheço muitas empresas que já estão fazendo da defesa do meio ambiente uma grande oportunidade para gerar emprego, para gerar melhoria de vida das pessoas. E posso te dizer uma coisa: toda a vez que as pessoas me dizem ‘mas Marina, as pessoas não entendem isso que você está falando’, eu digo: elas entendem sim, entendem, Fátima. Aqui no Rio de Janeiro...

William Bonner: Só uma coisa, candidata.

Marina Silva: ...quando as casas foram...

William Bonner: Candidata, me permita só uma coisa.

Marina Silva: Não, só concluindo Bonner.

William Bonner: Eu peço para interromper porque em nome do público...

Marina Silva: Isso, tá bom, tá bom.

William Bonner: Porque a pergunta que eu lhe dirigia era sobre um momento muito especifico da história e eu queria que a senhora tratasse dessa questão polêmica e não fosse para outro assunto. Eu estou consumindo 30 segundos da entrevista para fazer esse esclarecimento e eu lhe devolverei para a entrevista. Eu só queria que a senhora esclarecesse para mim qual foi e de que maneira a senhora viu a saída de alguns colegas seus então de PT, alguns, inclusive, fundadores do partido, que deixaram o partido indignados na época do mensalão, chorando. Como a senhora viu a ação deles, que não foi a ação que a senhora teve naquela ocasião?

Marina Silva: Bem, eu permaneci no partido e fiquei igualmente indignada. Fiz o combate a minha vida inteira contra a corrupção e acho que a corrupção, Bonner, é o pior câncer da sociedade. E ninguém pode se vangloriar de ser honesto. Para mim, ser honesto é uma condição do indivíduo. Qualquer pessoa, onde quer que ela esteja, ela tem que ser uma pessoa honesta, seja como político, como professor, como dona de casa, como empregada doméstica. A pessoa tem que ser honesta. Agora, naquele momento em que saíram pessoas do Partido dos Trabalhadores, eu permaneci para dar a contribuição que eu achava que ainda poderia dar dentro do governo, mas não por ser conivente. Agora, tem uma coisa que a gente precisa entender: combater a corrupção é uma luta constante. Como é que a gente combate a corrupção? Com transparência, permitindo que as instituições funcionem, o Ministério Público, o Tribunal de Contas, criando ferramentas de controle dentro do próprio governo, não permitindo que as coisas vão primeiro se consolidando antes de você fazer o combate necessário. Você tem que identificar durante o processo e fechar a torneira da corrupção quando ela está acontecendo. É isso que precisa ser feito.

Fátima Bernardes: Candidata, vamos abordar, então, um outro tema. Muita gente do governo e fora dele se queixava de que, durante a sua gestão à frente do Ministério do Meio Ambiente, a liberação de licenças ambientais, elas estavam muito lentas, e que isso, licenças ambientais para obras de infraestrutura, e que isso atrapalhava o desenvolvimento. Como é que a senhora enxergava essas críticas de que essa demora possa ter atrasado essas obras?

Marina Silva: Olha, naquela época até com uma certa naturalidade. Sabe por quê? Porque o ministério estava todo desestruturado e eu tinha que fazer concurso, e eu tive que criar várias diretorias e coordenadorias. Só que, quando nós começamos a arrumar a casa, aumentaram significativamente as licenças. No governo anterior, era uma média de 145 licenças por ano. Na minha gestão, foi de 265 licenças por ano. Agora, uma coisa eu posso te dizer: é possível aperfeiçoar o licenciamento? É possível aperfeiçoar. E com esse aperfeiçoamento você vai viabilizar com mais agilidade, sem perda de qualidade, a infraestrutura do Brasil, que hoje, de fato, está colapsando. Nós temos problemas com os aeroportos, nós temos problemas em relação a estradas, nós temos problemas em relação a energia, tudo isso pode ser oferecido para a sociedade compatibilizando duas coisas: meio ambiente, melhoria da vida das pessoas e o desenvolvimento que o Brasil precisa.

Fátima Bernardes: Quer dizer, nesse caso, a senhora está dizendo que no caso da senhora estando no governo, essa lentidão, ela, por exemplo, não vai provocar esse atraso ainda mais ou agravar ainda mais esses gargalos que a senhora citou, econômicos, e provocar, por exemplo, no setor energético, um risco de um novo apagão por demora na liberação dessas licenças?

Marina Silva: De jeito nenhum. Nós vamos trabalhar com o sentido de urgência que esse país tem para a sua infraestrutura, tanto em aeroportos como na questão da energia, das estradas, tudo o que o Brasil precisa para se desenvolver, Fátima. E vamos fazer isso sem negligenciar os cuidados com o meio ambiente, mas tendo a clareza de que o desenvolvimento do nosso país melhora a vida das pessoas. Sabe como melhora a vida das pessoas? Quando aquela família, que muitas vezes não tem como conseguir um emprego, começa a conseguir um emprego. Quando aquela mãe que não teve uma chance na vida, que é uma mulher pobre, não teve uma chance na vida, ela sabe que, se tiver uma escola melhor, o seu filho pode ter dias melhores. Eu sei o que significa educação, porque foi com a educação que eu consegui entrar pela porta da frente no Brasil.

William Bonner: Candidata, a senhora tem 30 segundos para se dirigir ao eleitor e pedir a ele o seu voto, dando a ele a última mensagem. Por favor.

Marina Silva: Bem, primeiro eu quero agradecer a Deus por estar aqui, porque eu sei que esse país é um país maravilhoso. Só num país como o Brasil, com a democracia que temos, é possível uma pessoa que nasceu lá na Floresta Amazônica, que foi analfabeta até os 16 anos, que teve que passar por várias dificuldades de saúde, pode chegar aqui na condição de se colocar como a primeira mulher de origem humilde para ser presidente da República. Esse Brasil já conseguiu restaurar sua democracia, teve um sociólogo que fez as transformações econômicas, um operário que fez as transformações sociais e eu para fazer as grandes transformações na educação.

William Bonner: Obrigado, candidata. Muito obrigado pela sua participação aqui, ao vivo, no Jornal Nacional.

Marina Silva: Eu é que agradeço.

William Bonner: Quero lembrar que, amanhã, o entrevistado aqui no JN será o candidato do PSDB, José Serra.

Postado em 11/08/2010 às 01:40 por Redação em Política

TSE recebe pedido de multa para Dilma e o PT do Amazonas

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu um novo pedido de multa contra a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff; o diretório estadual do PT no Amazonas e seu presidente, João Pedro Gonçalves da Costa. O Ministério Público Eleitoral (MPE) acredita que houve desvirtuamento de propaganda partidária para promoção da candidata.

Segundo a representação, quatro inserções consideradas pelo MP irregulares foram veiculadas localmente no mês de junho. O Ministério Público Eleitoral argumenta que as inserções passaram uma mensagem de continuidade à atual administração federal, inclusive com o bordão que mais tarde se transformou no slogan da campanha de Dilma Rousseff : “É Hora de Acelerar e Ir em Frente”.

Também figuram na ação o deputado federal Francisco Praciano (PT-AM) e a professora Marilene Corrêa da Silva Freitas.